#49: Tradição e inovação na advocacia, ao mesmo tempo – c/ Selmo Fraga

Tradição e inovação na advocacia, ao mesmo tempo - c/ Selmo Fraga Episódio 49 do #lawyertolawyer, o Podcast da Freelaw
31 minutos para ler

Você quer saber como conciliar tradição e inovação na advocacia?

Quais habilidades são necessárias para gerenciar um escritório com mais de 300 colaboradores? 

Como profissionalizar a gestão financeira do seu escritório de advocacia?

Como se adaptar à nova realidade da advocacia?

Como utilizar inovação e tecnologia em um escritório de advocacia tradicional? 

No episódio # do Laywer to Lawyer, o podcast da Freelaw, Gabriel Magalhães entrevista Selmo Fraga.

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Selmo Fraga

É diretor Executivo na X Jus. Possui experiência de 18 anos como advogado e coordenador jurídico.

  • Pós-graduado em seguro e resseguro pela Fundação Getúlio Vargas; membro da Comissão de Direito Securitário, Previdência Complementar e Saúde Suplementar da OAB/MG.
  • Empreendedor do direito na área digital. Por meio da mais alta tecnologia, oferece soluções de gestão jurídica, financeira e de pessoas a escritórios de advocacia e departamentos jurídicos.
  • Analista de sistemas jurídicos com ênfase em implantação e desenvolvimento de novas soluções tecnológicas aplicadas ao direito.

Gabriel Magalhães

É um dos fundadores da Freelaw e o Host do Lawyer to Lawyer. É bacharel em Direito pela Faculdade Milton Campos.  

Possui formação em Coaching Executivo Organizacional, pelo Instituto Opus e Leading Group.    

Formação em Mediação de Conflitos, pelo IMAB, e em Mediação Organizacional, pela Trigon e pelo Instituto Ecossocial. Certificações em Inbound Marketing, Inside Sales e Product Management pelo Hubspot, RD University, Universidade Rock Content, Gama Academy e Tera, respectivamente.      

Escute o episódio em seu player de áudio favorito e leia o resumo do episódio abaixo que conta com todas as referências citadas durante a gravação.  

Gabriel: Olá advogado, olá advogada, seja bem vindo, seja bem vinda a mais um Lawyer to Lawyer da Freelaw. 

Hoje estamos aqui no episódio #49. Já tem muito tempo que esse Lawyer to Lawyer começou , mas parece ontem, viu?

Eu tenho a honra de receber aqui o Selmo Fraga, um amigo, um colega.

Admiro muito o Selmo, uma das pessoas mais competentes que eu já vi, uma pessoa muito humilde, além de tudo. Hoje a gente vai falar sobre tradição e inovação na advocacia, ao mesmo tempo.

O Selmo, antes de falar o currículo dele, o que eu acho mais legal dele é que ele teve uma oportunidade de construir uma carreira de sucesso na advocacia e em escritórios tradicionais, mesmo entendendo ali tudo aquilo que geralmente escritórios fazem para alcançar o sucesso, conseguir o sucesso na carreira tradicional. 

E depois, quando ele tava no ápice da carreira, ele migrou para uma nova carreira digital. 

Ele criou o Xjus, que é uma empresa que ele também vai contar um pouquinho para a gente nesse episódio de hoje.

O Selmo ele tem 18 anos como advogado e coordenador jurídico. 

Como eu disse, ele é o diretor executivo na Xjus. É pós-graduado em Seguros e Resseguros pela Fundação Getúlio Vargas. Ele é membro da Comissão de Direito Securitário, Previdência Complementar e Saúde Suplementar da OAB de Minas Gerais. 

Ele também é empreendedor do Direito na área digital, utiliza tecnologias, soluções de gestão jurídica, gestão financeira, gestão de pessoas voltadas para escritórios de advocacia e departamentos jurídicos. 

Além disso, o Selmo é analista de sistemas jurídicos, com ênfase em implantação e desenvolvimento de novas soluções tecnológicas aplicadas ao Direito. 

Seja bem vindo, Selmo!

Selmo: Muito obrigado, Gabriel. Agradeço aí a oportunidade de participar aqui do Lawyer to Lawyer. Antes de mim, quarenta e nove pessoas passaram por aqui. Ouvi boa parte dos episódios e são profissionais que admiro muito. 

Me sinto muito lisonjeado de poder participar aí deste programa tão bacana que leva muito conhecimento, cultura, entretenimento para todos os colegas advogados, estagiários e atuantes aí do mercado jurídico.

Gabriel: Muito obrigado, de novo, Selmo! Conta um  pouquinho… Desculpa, pode falar

Selmo: Só queria aproveitar, Gabriel, e também dizer o seguinte: da minha admiração recíproca por você aí, pela Júlia que estão a frente da Freelaw. 

Vocês dois são pessoas que têm mostrado para o mercado jurídico que dá para inovar muito nessa área do Direito. 

Estamos todos aí recebendo diariamente conteúdos muito valiosos que vocês produzem. 

Eu sou um assíduo consumidor do conteúdo que vocês oferecem e muito feliz de saber que hoje a gente tem empresas como a Freelaw, que conseguem trazer para a gente informações tão valiosas aí no dia a dia.

Gabriel: Muito obrigado, Selmo! Também estou gostando bastante dos conteúdos que vocês estão começando a produzir lá na Xjus. 

Inclusive quem ainda não acessou o blog da Xjus eu recomendo fortemente que vocês leiam o conteúdo que eles estão começando a produzir, esta é uma qualidade bem diferenciada. 

E Selmo, queria que você contasse para a gente um pouquinho da sua trajetória, porque eu acho que o nome desse episódio diz muito sobre você: ao mesmo tempo você tem a tradição e você conseguiu inovar ao mesmo tempo.

Transição da tradição para a inovação

Gabriel: Como que foi, desde o início lá na sua carreira como advogado mesmo, até você alcançar o sucesso que você conseguiu? 

E depois, a decisão de migrar para o mundo digital, o que um complementa para o outro? O que você tem a compartilhar com os nossos colegas?

Selmo: Legal! Então, para falar rapidamente aqui sobre a minha trajetória na área jurídica, eu, de fato, uma boa parte da minha vida na área jurídica foi dentro de um escritório tradicional, atuei por, praticamente, 18 anos dentro desse escritório de advocacia. 

E lá eu me formei, passando desde a fase de estagiário, advogado, redator, depois coordenador de área e coordenador mais geral de escritório. 

Quando saí do escritório, esse escritório já tinha mais de… próximo de trezentos funcionários diretos, colaboradores que estavam diretamente vinculados ao escritório.

E dentro dessa jornada tive muita oportunidade de passar por todas essas fases, inclusive coordenando alguns times que efetivamente deixaram uma grande saudade para mim e uma grande lição. 

Acima de tudo, aprendi com eles, ao invés de ensinar. 

Acho que a gratidão é algo muito importante e tenho uma gratidão por todas as pessoas que passaram por minha vida nesse período aí da advocacia tradicional. 

Bom, o que a gente tinha no dia a dia e qual que era a minha função? 

Função que todo advogado que está ouvindo aqui o nosso podcast vai ter: sustentações orais, audiência, redação de contratos, redação de petições, audiências com… reuniões com clientes. Então passei por toda essa fase da advocacia tradicional. 

Mas em dado momento, eu acabei sendo instado a trazer para dentro do escritório sistemas de soluções tecnológicas ali, para fazer a gestão de tudo isso que eu falei: a gestão de pessoas, a gestão de processos internos e processos judiciais e administrativos e também uma parte financeira. 

Então tive a oportunidade – junto com dois irmãos que eu tenho que fizeram Ciências da Computação e são totalmente focados na área de tecnologia – de desenvolver um sistema inicialmente para atender as necessidades de um escritório de advocacia. Isso praticamente dez anos atrás.

Então, o sistema rodou e ficou muito tempo fazendo a gestão dentro deste escritório

E aí, a pouco mais de 2 anos atrás, o sistema começou a ter uma rodagem já para o mercado e eu também parti para essa nova realidade de entregar soluções tecnológicas para escritórios de advocacia e departamentos jurídicos, já com essa bagagem que eu tive dentro de um escritório tradicional.

Gabriel:  Muito interessante, Selmo. E acho que o legal é que a gente vê que várias habilidades você teve que desenvolver no decorrer do tempo. 

Primeiro como advogado, e depois de gestão de pessoas, gestão de equipes, gestão de processos, até depois ter que desenvolver até conhecimentos tecnológicos.

Habilidades que podem tornar a gestão dos escritórios mais profissional 

Gabriel: Quais habilidades, assim, que você recomenda que os colegas advogados que estão nos escutando desenvolvam para que eles consigam escalar equipe e tornar a gestão dos escritórios mais profissional?

Selmo: Veja bem, habilidades a gente teria que citar muitas. 

Quando a gente lembra lá do Fórum Econômico Mundial, ele chega a citar dez habilidades pros profissionais do futuro, passando e falando aí resolução de problemas complexos, pensamento crítico, criatividade, gestão de pessoas, coordenação, inteligência emocional, capacidade de julgamento, de tomada de decisões, orientação no sentido de servir as pessoas, capacidade de negociação e existem diversas habilidades que eu acho que já são citadas hoje.

Eu prefiro falar de duas que acho que são muito importantes para este momento atual, que é o momento em que nós estamos, mais do que nunca, lembrando daquela expressão já cunhada pelos americanos logo após a Segunda Guerra, que é do “mundo vuca”, o mundo volátil, incerto, complexo ambíguo. 

Eu acho que duas habilidades estão muito relacionadas a este momento atual que nós estamos vivendo da pandemia. Acho que o primeiro deles seria adaptabilidade. 

É necessário que advogados, estagiários, profissionais das áreas administrativas dos escritórios de advocacia e também dos departamentos jurídicos tenham capacidade de se adaptar à nova realidade, ter uma flexibilidade cognitiva maior.

Ele hoje já é alguém que está sendo instado, a todo momento, a lidar com a tecnologia. Então, não é mais aquele advogado que precisava apenas de hard skills, ou seja, aquelas habilidades técnicas. Mas ele precisa ter novas habilidades, no sentido de se adaptar a este novo mundo. 

Ele precisa enxergar que ele, como um profissional do Direito, não é apenas um redator de prazos. Ele tem que se preocupar o tempo todo, por exemplo, em olhar para os centros de custos de um escritório, no sentido de diminuir os gastos, diminuir as despesas fixas, por exemplo, de um escritório, ajudar a captar novos clientes.

Essas novas habilidades, elas estão muito relacionadas àquilo que no passado não era exigido e hoje é exigido de todo profissional dentro de um escritório de advocacia.

E uma outra habilidade, além da adaptabilidade, eu citaria aqui a resolução de problemas complexos. Veja que, hoje, o mundo apresenta problemas muito complexos para a advocacia. 

Aliás, problemas que ainda nem sabemos quais serão as soluções. Muito se fala hoje sobre a necessidade de equalizar a necessidade de fornecedores, clientes, de todos os take roads que estão envolvidos ali com um escritório de advocacia. 

Quem vai ter que apresentar boa parte dessas soluções são os advogados, com capacidade, inclusive, de negociação, com capacidade de conciliação. 

Então, para resolver problemas complexos que vêm pela frente, essa habilidade vai ser muito exigida. Citando essas duas aí eu acho que já traz um bom norte aí para todos nós advogados.

Gabriel: Legal! Adaptabilidade e resolução de problemas complexos. Muito importante para todo o mundo, principalmente nesse mundo pós Covid-19. 

E Selmo, você começou a falar um pouquinho sobre alguns assuntos também mais técnicos para muitos colegas aqui que estão nos escutando.

Você começou a falar sobre a importância da gestão financeira e você trouxe também já uma provocação, né? 

Porque os advogados não devem ser apenas executores de peças, executores de… redatores de documentos jurídicos, né?

Como que um advogado que hoje ele faz tudo no escritório dele, ele é o  secretário, ele é o financeiro, ele se relaciona com o cliente, ele tem um escritório todo dependendo dele, ele consegue sair dessa função operacional para se tornar mais estratégico, e também aliando isso a uma gestão financeira mais profissional? 

Qual que é o passo a passo, se você pudesse dar?

Selmo: Bom, falando um pouquinho… você fez uma pergunta e deixou um gancho no final sobre o financeiro. Veja bem, o que eu costumo falar em relação ao financeiro? 

Eu conto rapidamente uma história e imagina a seguinte situação, Gabriel: nós estamos aqui hoje em Belo Horizonte e queremos fazer uma viagem, eu, você e mais dois colegas para o Rio de Janeiro. 

Então, o que nós vamos ter que identificar? 

O nós vamos ter que identificar qual é o tempo estimado dessa viagem. 

Então de Belo Horizonte até o Rio de Janeiro, oito horas? Nós vamos ter que escolher um veículo que vai nos conduzir, certamente o seu, porque o veículo do Gabriel é muito melhor  do que o meu, com certeza. 

Mas nós vamos ter que definir algumas paradas, porque daqui pro Rio de Janeiro é uma distância longa. 

Então nós vamos pensar, mais ou menos, uma parada em Barbacena e uma segunda parada em Petrópolis. 

E quando a gente fizer essas paradas, nós vamos ter que fazer ali um check: olhar para o veículo, ver se as luzes de freio estão funcionando, setas, faróis, nós vamos ter que abastecer o veículo, eventualmente pedir para limpar o pára-brisa do veículo, olhar se os pneus estão com uma calibragem para que a gente siga, então, a viagem.

Quando a gente chegar numa segunda parada lá em Petrópolis, você pode falar o seguinte: “Selmo, você estava conduzindo o veículo e agora eu acho que eu sou o melhor condutor, porque de Petrópolis para o Rio de Janeiro eu conheço muito bem a estrada, eu passei aqui já dezenas de vezes e tenho bastante habilidade para seguir nessa jornada”.

A gente vai ter que se preparar, por  exemplo, para pagar os pedágios que nós teremos que pagar ao longo dessa trajetória. 

Ou seja, uma viagem ela requer um planejamento e ela requer uma atenção diferenciada.

Em relação ao financeiro, é a mesma situação, é uma jornada. 

O financeiro ele, como nessa jornada, nós precisamos começar olhando para ele pensando o seguinte: hoje eu tenho, por exemplo, um faturamento de dez moedas e eu quero ter um faturamento de cem moedas. 

Veja que é sair de um ponto “x” a um ponto “y”, de Belo Horizonte para o Rio de Janeiro. Eu preciso estimar quanto tempo eu vou gastar desde o momento que estou saindo desse faturamento de dez moedas até chegar a cem moedas. São as oito horas de viagem, no nosso caso, poderia ser seis meses, um ano de planejamento. 

Eu precisaria, por exemplo, observar todas as regras relativas à velocidade que eu tenho naquela trajetória de Belo Horizonte até o Rio de Janeiro. 

Então, eu preciso olhar constantemente para o meu velocímetro que, no caso, é o meu fluxo de caixa. É ele que vai me dar toda a velocidade de… a velocidade de cruzeiro ali para que eu atinja esse objetivo. 

Eu, em dado momento, vou ter que fazer uma parada, como nós fizemos uma parada em Barbacena, e aí fazer algumas verificações, olhar para o meu plano de contas, olhar para a minha… para o meu centro de custo, olhar para realidade ali que a gente tinha falado lá dos custos fixos. Então, isso também faz um cotejo aí do que é uma jornada do financeiro. 

Depois nós vamos avançar um pouco mais, e identificar que nós temos que pagar sim os pedágios, que são os tributos que a gente vai ter que recolher toda vez que tiver o fato gerador dentro de um escritório. 

Nós vamos pensar também que, ao longo dessa viagem, mesmo a gente tendo se programado muito, a gente pode ter alguns percalços, um pneu furado.

Então a gente pode ter, nesse comparativo, a perda de um cliente muito significativo para o nosso faturamento e aí a gente tem que estar com o planejamento para já substituir este faturamento importante que nós tínhamos. 

Veja que, o que estou querendo colocar aqui nesse bate papo, é que o financeiro de um escritório é uma jornada que requer planejamento estratégico, que requer efetivamente um desk board, que permite você olhar o tempo todo para todos os indicadores fundamentais, como o seu centro de custo, como o seu fluxo de caixa, o plano de contas que você criou ali para poder fazer essa gestão.

Imagina que você queira fazer aquela… essa viagem de Belo Horizonte até o Rio de Janeiro com um veículo que não tem velocímetro, que você não tem capacidade de medir quanto você tem de combustível. 

Essa seria a mesma lógica para alguém que estaria fazendo uma gestão financeira sem indicadores. 

Então eu sempre indico para todas as pessoas olhar para os indicadores financeiros, e aí valer-se de profissionais que podem fazer um planejamento estratégico, ajudar na verificação desse planejamento estratégico, fazer ajustes ao longo do caminho para que os objetivos sejam alcançados. 

É meio que inimaginável nós pegarmos um veículo e falar o seguinte: “vamos sair por aí sem nenhum objetivo”. 

Se você tem um financeiro que você não tem um objetivo, é a mesma coisa de pegar um carro e sair conduzindo, sem muita preocupação para onde você está indo.

Então, a sugestão que eu dou para o financeiro é olhar para essa jornada com todas essas ferramentas técnicas que estão disponíveis. 

Eu acho que isso gera muito valor para os escritórios.

Análise de indicadores

Gabriel: E Selmo, como você prepara um setor no escritório para que ele consiga analisar de fato esses indicadores? 

Eu vejo que, principalmente para quem de ainda não tem conhecimento sobre gestão financeira, acho que tem dois desafios bem claros: um é a própria falta de conhecimento técnico. 

Você mesmo já mencionou alguns termos aqui, que certamente, para quem nunca estudou sobre isso, deve estar com algumas dúvidas.

E o segundo é conseguir tempo para isso. O advogado que e um clínico geral que faz de tudo, como que ele também consegue tempo para conseguir cuidar de gestão financeira?

Selmo: Legal. Veja bem, quase sempre os escritórios têm um, dois, três sócios ali e acaba que um deles, ou dois, ficam mais voltados para essa questão financeira. 

E naturalmente existe muita técnica em relação à gestão financeira. 

Todos esses instrumentos que eu citei aqui de gestão, os indicadores, eles estão disponíveis já para que todos possam fazer gestão até a partir de uma própria planilha de Excel. Uma planilha de Excel muito bem alimentada, ela te traz informações valiosíssimas para que você possa conduzir.

O que eu vejo é que os advogados têm uma certa resistência em procurar profissionais que podem auxiliar nessa gestão financeira, muito porque “eu montei o meu negócio, está tudo dando certo, faturamento está entrando, eu acredito que as informações que eu tenho aqui são suficientes para eu tomar decisões”.

Mas na hora que eles contratam alguns consultores, eles conseguem enxergar que muitas informações que estavam ocultas dentro do próprio escritório, começam a aparecer e permitem que ele tenha a capacidade de tomar decisões muito mais assertivas. 

Então, o que a gente faz hoje no dia a dia lá na Xjus? 

Nós não fazemos uma consultoria, nós entregamos uma ferramenta, que é um desk board com todas essas ferramentas que acabei de citar aqui de gestão, para que o advogado, o gestor de um escritório possa, ao abrir o sistema dele, já saber exatamente como que está a realidade ali do seu fluxo de caixa, quanto que ele tem de despesa dentro de um período previamente marcado ali por ele mesmo, como que está a realidade do plano de contas do escritório, onde ele tem gasto mais, se é com instalações, se é com o pessoal administrativo. 

Quais são os clientes que efetivamente geram um melhor faturamento, sob o ponto de vista de receitas e despesas para aquele contrato.

Então, a proposta nossa é levar esse tipo de ferramenta tecnológica para que o advogado possa tomar decisões cada vez mais assertivas. 

E, de fato, o advogado gestor, ele precisa muito estudar todas essas ferramentas para que ele possa tirar o máximo proveito.

É a mesma lógica de termos um iPhone na mão e só fazemos ligação. Se a gente pegar um iPhone e estudar bastante, a gente vai ver que existem “n” funcionalidades que nós não utilizamos, mas a partir do momento que a gente começa a conhecer, a gente vê que ela faz muito sentido para a nossa vida.

Gabriel: Acho que pela sua fala, não sei se você concorda, mas para mim, para que o escritório se torne… ele consiga se tornar tradicional mesmo, do ponto de vista de realmente ter uma qualidade diferenciada, de construir um legado para seus clientes, de ser um escritório que vai chegar a trinta, quarenta anos de existência e passar por gerações, a gente vai precisar, óbvio, do conhecimento jurídico. 

Mas, além disso, a gente vai precisar ter uma gestão mais profissional e um dos pontos mais importantes, sem dúvida, seria a de gestão financeira e análise de indicadores para tomada de decisão. 

Foi assim que foi durante a sua advocacia, né? Você que trabalhou em escritório de grande porte, foi assim que você conseguiu o sucesso que você conseguiu.

E aí, depois que a gente começou a analisar tudo isso, a gente, digamos, saindo do 0 para o 1, aí a gente começa a inovar. 

A gente pode usar uma ferramenta, um software ou alguma outra tecnologia que faça sentido ali para aquela realidade.

Tradição e inovação na advocacia

Gabriel: Como que é essa migração, Selmo? Como que foi a sua migração da tradição para a inovação na advocacia?

Selmo: Legal. Primeiro, assim, foi uma decisão muito difícil, porque sou pai de dois  filhos que estão numa fase que dependem muito de mim e da mãe deles, do ponto de vista da formação, são crianças ainda. E a questão financeira pesa muito para que a gente tome uma decisão, isso é certo. 

Como você falou, já estava num escritório muito consolidado, que me dava um conforto financeiro muito legal e tomar uma decisão só vale sentido para sair desse ponto de um conforto financeiro para um mundo absolutamente novo, quando você está apaixonado por aquilo que você quer desenvolver.

E ao longo desses anos que eu falei que eu estive dentro do escritório mexendo com tecnologia, algo me encantou muito que era a possibilidade de levar para outros escritórios, departamentos jurídicos, soluções que eu achava que podia transformar a realidade desses novos escritórios. 

E é exatamente isso que eu tenho experimentado hoje, sabe? 

Uma alegria muito grande de poder levar para o escritório, não no sentido de ensinar ao escritório, mas levar ferramentas novas, levar ideias que eu consigo obter no compartilhamento aí com outros escritórios.

Como hoje eu acabo tendo muitos clientes, a todo momento eu converso com um advogado que é gestor de um escritório, de outro, com alguém que é mais relacionado ali, à parte financeira. 

Então tudo isso gera para a gente uma alegria muito grande. 

A tomada de decisão minha está muito relacionada a esse desejo de levar essas soluções que eu comecei a ver que faziam todo sentido dentro de um escritório. 

E aí, isso parte não apenas de uma gestão financeira, mas também da gestão jurídica de um escritório, do ponto de vista dos procedimentos internos, desde o recebimento de uma petição inicial, o acompanhamento das audiências, sessões de julgamento, os prazos que os advogados têm ali, a gestão desses advogados, do ponto de vista das tarefas que eles desempenham no dia a dia. 

Então isso encanta muito e, para mim, fez muito sentido sair dessa realidade de um mundo do jurídico tradicional para o mundo do jurídico um pouco mais tecnológico, um pouco mais voltado para a área de gestão. Foi o que me motivou muito, Gabriel.

Como superar os principais desafios da gestão

Gabriel: Muito bacana, Selmo! Será que você podia contar pra gente um pouquinho mais também sobre se a Xjus, especificamente? 

E talvez também dando alguns conselhos sobre como que um escritório sai desses desafios iniciais da gestão para, de fato, buscar ferramentas e como que ele escolha ferramenta correta para uma realidade dele? 

Como que vocês fizeram lá no Pinto e Soares quando vocês estavam lá para utilizar a tecnologia? Como que foi essa decisão?

Selmo: Legal. Falando, por exemplo, do escritório da Pinto Soares, onde eu trabalhei: a um pouco mais de dez ano atrás, o escritório já possuía software de gestão, e ele sentia que tinha a necessidade de mudar, porque aquele software que ele possuía já tinha chegado na capacidade limite ali de entrega do que se pretendia. 

Então foi muito por uma necessidade, havia uma necessidade tecnológica de fazer gestão de pessoas, de processos internos e da parte financeira. 

E essa necessidade levou, então, à contratação, lá atrás, da Xjus. 

E, a partir dessa necessidade, foi construído do zero. Degrau  por degrau, ali, qual que seria a escada para que a gente chegasse lá em cima onde a gente queria. Então a gente sabia onde a gente estava e onde a gente queria chegar, tecnologicamente. 

Ao longo desse período, eu participei como analista de sistema, apontando as necessidades do escritório para que os desenvolvedores colocassem ali todas aquelas possibilidades tecnológicas que já existiam, para que estivessem à disposição do advogado. 

Então, lá dentro, a necessidade foi muito… o desenvolvimento de um sistema novo vem muito a partir disso. É claro que o sistema sozinho, em hipótese alguma, ele resolve o problema.

São sempre pessoas, né, pessoas que usam a tecnologia para efetivamente potencializar os seus resultados. 

De nada adianta um sistema top se você não utiliza na sua plenitude, ou, pelo menos, na sua maior parte, as funcionalidades disponíveis. 

Então, pensando na outra pergunta que você me fez: “ah, como escolher um software?” 

Primeiro, olhando para a realidade do escritório. 

O escritório, está numa fase em que ele já tem todas as suas informações sistematizadas, organizadas? Ele já tem capacidade de olhar para os seus dados e ver que esses dados que se transformam facilmente em informações para a tomada de decisões? 

Ótimo. Ele já pode até pensar na utilização de inteligência artificial para poder otimizar os resultados. 

Mas imagina que o escritório esteja numa fase bem inicial, que ainda não organizou seus dados. 

Então vai precisar de um sistema que gere para ele a sistematização dos dados, que organize todas as informações do escritório, para que só num passo dois, ele possa usar, por exemplo, uma tecnologia um pouco mais disruptiva, como sendo uma inteligência artificial que vai atender especificamente uma realidade desse escritório ali, que pode ser uma redação de um contrato com pouco mais de automação e menos intervenção humana. 

Então a inteligência artificial poderia auxiliar nisso, mas veja que ela só pode ser utilizada quando você cumpriu a etapa número um, que é organizar os seus dados, estabelecer quais são seus procedimentos internos.

Então a escolha de um sistema, ela parte por olhar a realidade do escritório. Acredito que isso é algo muito difícil de ser feito por um gestor, porque quando você vai para o mercado, hoje, existem soluções das mais variadas. 

E aí, isso gera, para um gestor, a dificuldade grande de tomada de decisões em relação à escolha do software. 

Mas existem alguns que já estão muito mais testados no mercado, que estão preparados para atender os dois níveis que eu citei: tanto o saneamento do escritório, quanto já a utilização de inteligência artificial.

Gabriel: Acho que a máfia é que a gente repete várias vezes, né? 

Primeiro, entenda muito bem qual é o problema do seu escritório; primeiro, faça básico, cumpra o básico da gestão, organize os dados, organize os procedimentos e depois você vai ter clareza sobre onde buscar tecnologia, onde buscar ferramentas. 

É muito importante que você cumpra esse primeiro passo antes de dar o segundo, porque senão você contrata um software e o seu escritório tem um problema estrutural muito mais grave. E aí você não vai resolver o problema e ainda vai gastar dinheiro errado. 

Agora, além de ter o bom conhecimento de gestão, conseguir fazer tudo isso, é muito importante que você conheça ferramentas, conheça tecnologias, porque conhecer uma nova ferramenta que resolve, de fato, o problema do seu escritório pode representar um lucro gigante para seu escritório, pode deixar seus clientes mais satisfeitos. 

Por isso que, ao mesmo tempo, também é importante que você conheça as novas tecnologias que estão disponíveis. 

E a Xjus é uma delas, que eventualmente pode fazer sentido para vocês. 

Se acharem que faz sentido, tenho certeza que o Selmo vai estar à disposição para conversar pelo Linkedin, pelo site da Xjus também está tudo aqui no comentário desse episódio.

Considerações Finais

Gabriel: Queria saber, Selmo, se você tem algum recado final, assim, para os colegas advogados e advogadas que estão nos escutando. 

E, voltando lá para o nosso tema de hoje, tradição e inovação na advocacia, ao mesmo tempo: como que o escritório se mantém tradicional e ao mesmo tempo ele traz esse DNA de inovação? Fazendo aí a conclusão de hoje.

Selmo:  Legal. Quando a gente fala de inovação, é interessante porque ele é muito ligado, é um tema muito ligado à ideia que a gente tem de criatividade. 

E tem um  autor que muita gente conhece, o nome dele é Abraham Maslow, ele escreveu a “Hierarquia das necessidades/Pirâmide de Maslow” e ele fala o seguinte: “O homem criativo não é o homem comum ao qual se acrescentou algo. Criativo é o homem comum do qual nada se tirou”.

O que eu vejo hoje com esse pensamento? Os escritórios de advocacia, de uma maneira geral, estão muito preocupados com a criatividade. E isso é uma realidade. 

No entanto, as pessoas mais criativas do escritório estão no dia a dia envolvidos em diversas tarefas e essa realidade de ter um volume muito grande de tarefas para desenvolver, prazos, audiências, reuniões, tudo isso tira desse homem aquilo que é essencial, que é o tempo para que ele possa ser criativo. 

Então, é interessante que os escritórios consigam perceber que a criatividade, ela é própria do advogado. 

O advogado é um ser naturalmente muito criativo, basta ver as inúmeras teses que surgem todos os dias. Mas essa criatividade, ela surge muito quando o advogado tem tempo para pensar algo novo. 

Então, a mensagem que eu dou é: aceitem que os advogados dos escritórios, para serem criativos, precisam ter mais tempo. 

Dê a eles a capacidade de ter o ócio criativo. É isso que vai fazer com que novas ideias surjam para a realidade específica de cada um dos escritórios.

Assim, a mensagem final que eu passo também é essa: da necessidade de ser criativo e neste momento em que nós estamos vivendo aqui, de uma realidade de pandemia, onde os advogados estão mais trabalhando em home office, com pouco mais de liberdade de organizar o seu tempo, use esse tempo também para a criatividade e não apenas para ficar cumprindo rotinas o tempo todo.

Se afaste um pouco da rotina, dedique um pouco mais desse tempo para pensar. E aí você precisa esvaziar a sua mente, estar um pouco mais preparado para essa… para receber esses inputs que vêm a partir do momento que você está com a sua mente aberta, com pouco mais de tempo disponível, menos pressão em cima de você. 

Acho que isso gera, para o advogado, um grande valor, que é uma das habilidades que todos nós vamos ter que desenvolver muito, que é essa capacidade de ter criatividade.

Então, é a mensagem final que eu deixo em relação à criatividade, me colocando também à disposição de todas as pessoas aí para poder bater um papo, agradecendo novamente você, Gabriel, pela oportunidade aqui da conversa e espero que a gente possa ter outros momentos como esse.

Gabriel: Muito legal, Selmo. Muito obrigado, novamente! Te escutando, eu fiquei lembrando muito do propósito da Freelaw. 

A gente nasceu para criar uma experiência de trabalho diferente no Direito, na advocacia, e ajudar advogados a crescerem mesmo. 

E, para a gente crescer, a gente precisa repensar, precisa ser mais estratégico, a gente precisa usar melhor o nosso tempo, a gente precisa sair um pouco da operação. 

A gente acredita muito nisso aqui e a gente vai muito de acordo com tudo o que você trouxe.

Queria de novo agradecer muito pela sua presença, porque eu sei que sua rotina é muito corrida. 

Você é uma pessoa muito bem sucedida, muito humilde, que eu me espelho bastante, eu não canso de repetir isso. E eu desejo ainda mais sucesso para a Xjus.

Na próxima quarta feira, a gente volta aqui pro Lawyer to Lawyer com mais uma convidada especial. E aí, é o episódio de número cinquenta! Meu Deus, já estou ficando assustado com essa contagem. 

Eu espero de verdade que vocês gostem do próximo episódio, a gente vai receber aqui a Sheila, ela é uma advogada incrível. Vocês vão gostar bastante, eu tenho certeza.

Até a próxima, pessoal!

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