[Paper] Tecnologia e inovação para advogados na prática

[Paper] Tecnologia e inovação para advogados. Uma metodologia desenvolvida pela Freelaw
25 minutos para ler

Todas as semanas, surgem novas notícias envolvendo direito e tecnologia.

“Advocacia 4.0”, Blockchain, Inteligência Artificial, Smart Contracts, Legal Design, Legal Growth Hacking

Inegavelmente, estamos em uma Hype. Mas poucos advogados conseguem aplicar as novas tecnologias.

Por que?

  1. Muitas dessas tecnologias ainda estão em estágios incipientes e não conseguem entregar o valor esperado pelos advogados por um custo acessível.
  1. Em outros casos, o simples desconhecimento faz com que os advogados se percam em meio a tantas novidades e, simplesmente, não consigam escolher a melhor solução para o seu caso.
  1. Ou, por fim, a correria diária faz com que decisões estratégicas (como, por exemplo, a de utilização de alguma tecnologia) sejam postergadas ou tomadas com base no fear of missing out (medo de ficar de fora). 

Aqui na Freelaw, nós vivenciamos tecnologia e inovação todos os dias e conhecemos pessoalmente os fundadores de dezenas de outras Lawtechs e Legaltechs

Além disso, em nosso dia-a-dia, utilizamos ferramentas digitais populares em empresas bem sucedidas. .

Por isso, resolvemos criar esse Paper, com muito conteúdo prático para te ajudar a utilizar tecnologia e inovação no seu escritório de advocacia.

O que abordaremos nesse Paper:

  1. Como conseguir aplicar novas tecnologias no seu escritório de advocacia ?
  2. Como criar uma cultura de inovação em um escritório de advocacia?
  3. Quais os primeiros passos para implementar tecnologia e inovação em um escritório de advocacia?
  4. E agora, como tirar os planos do papel?

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O que não abordaremos nesse Paper:

Quais as Lawtechs e Legaltechs podem te ajudar a inovar? (se tiver interesse em aprofundar nesse assunto, leia o Paper sobre Lawtechs e Legaltechs)

1) Como conseguir aplicar novas tecnologias no seu escritório de advocacia?

Como conseguir aplicar novas tecnologias no seu escritório de advocacia?

Com o aumento do número de profissionais no mercado jurídico  e com os avanços tecnológicos, é quase um consenso que os escritórios de advocacia precisam inovar para se manterem competitivos no mercado.

Essa necessidade tem sido reconhecida, não só no ramo jurídico, mas também em outros segmentos do mercado.   

Em 2019, a ACE realizou uma pesquisa com dezenas de gestores de inovação das empresas mais importantes do país, em que 55,7% dos entrevistados consideraram  a inovação muito importante para as suas respectivas empresas . E quase 70% dos executivos afirmam que estão sofrendo algum tipo de disrupção em seu segmento.

Entretanto, apesar de a maioria das empresas reconhecerem a importância da inovação e os seus impactos nos negócios e na economia, essas empresas não conseguem inovar ou ter assertividade nas iniciativas de inovação. 

Nessa mesma pesquisa, 60,1% dos respondentes  acreditam que o nível de inovação praticado em suas companhias foi baixo ou moderado. 

No mesmo sentido, foi identificado pela ACE que muitas companhias ainda investem em inovação motivadas, principalmente, pelo fear of missing out (medo de ficar de fora) por parte dos CEOs. Percebe-se a existência de uma necessidade de monitorar o mercado (com medo de perder o timing da próxima inovação) e um foco em benchmarking (ao invés de foco nas necessidades dos clientes). 

A situação da maioria dos escritórios de advocacia não é diferente. 

Muitos sócios de escritórios de advocacia consideram importante iniciativas de inovação. Mas, ao mesmo tempo, não conseguem implementar a inovação ou não conseguem ter eficiência nessa implementação. 

Como dito, as principais barreiras identificadas para a implementação da inovação nos escritórios de advocacia passam por: 

  1. Muitas dessas tecnologias ainda estão em estágios incipientes e não conseguem entregar o valor esperado pelos advogados por um um custo acessível.
  1. Em outros casos, o simples desconhecimento faz com que os advogados se percam em meio a tantas novidades e, simplesmente, não consigam escolher a melhor solução para o seu caso.
  1. Ou, por fim, a correria diária faz com que decisões estratégicas (como, por exemplo, a de utilização de alguma tecnologia) sejam postergadas ou tomadas com base no fear of missing out (medo de ficar de fora). 

Mas como superar esses três principais obstáculos e conseguir aplicar a inovação no seu dia-a-dia? 

a) Altos custos envolvidos na utilização de determinadas tecnologias

Implementar a tecnologia nos escritórios de advocacia pode ser custoso.

Muitas vezes, é necessário despender dinheiro, na implementação de um novo sistema que custa caro, e tempo, para aprender a utilizar a nova tecnologia e incorporá-la à rotina.

E, mesmo após todo custo e tempo envolvidos na utilização de novas tecnologias, é comum que os escritórios (i) não consigam utilizar todas as funcionalidades e nem auferir todos os benefícios da nova tecnologia e/ou (ii) fiquem insatisfeitos com o valor gerado pela nova tecnologia (se comparado ao custo para a sua implementação. 

Muitos escritórios escolhem tecnologias muito robustas ou muito mais complexas que os problemas que pretendem solucionar, o que resulta em má ou pouca utilização do sistema. 

Como consequência, os advogados ficam insatisfeitos, porque investiram muito dinheiro, mas não conseguem aferir todos os benefícios “prometidos” pela nova tecnologia. 

Por isso, nós convidamos os advogados a pensarem de forma sistêmica em seus escritórios de advocacia:

  1. Quais são os principais problemas do seu escritório? 
  2. Ou, então, qual atividade pode ser realizada de forma mais eficiente no seu escritório?
  3. Os clientes estão satisfeitos com a forma que o escritório presta os serviços advocatícios? O que clientes esperam do escritório?

Depois de responder essas perguntas, é importante refletir:

  • Será que uma solução tecnológica, com altos custos para implementação, é a única forma de solucionar esses problemas/desafios?
  • Teria alguma forma de testar soluções para esses problemas/desafios, sem ter que despender muito dinheiro?

Possivelmente, as respostas serão “não” e “sim”, respectivamente. 

Inovação não é necessariamente utilizar tecnologias com altos custos. 

Inovar é pensar de formas criativas de solucionar problemas no seu escritório de advocacia (e isso pode acontecer com implementação de novas metodologias de trabalho ou com uma simples planilha, por exemplo). 

Por isso, acreditamos que escritórios de advocacia conseguem inovar sem precisar gastar muito dinheiro com novas tecnologias e com consultorias de inovação!

b) Desconhecimento como barreira para inovação e para utilização de tecnologias

Como falamos, depois de pensar nos principais problemas do seu escritório, é o momento de pensar com criatividade em possíveis soluções para esses problemas identificados. 

Muitas vezes, será possível solucioná-los sem a necessidade de utilização de tecnologias. 

Como, por exemplo, com ajustes nos processos e regras do escritório, com mudanças na forma de trabalhar ou na organização da equipe, com utilização de ferramentas para gestão de projetos. 

Mas, dependendo dos problemas identificados no escritório, as tecnologias podem trazer mais eficiência para a prestação de serviços jurídicos e, via de regra, gerar mais satisfação dos clientes.

Apesar de saber da importância da inovação e da eficiência que as tecnologias podem trazer para a rotina, muitos escritórios deixam de inovar por desconhecimento.

Como se informar sobre inovação? 

Para que você possa ficar por dentro da inovação, a Freelaw produz conteúdos, semanalmente, em áudio (com o nosso Podcast), em texto (em nosso Blog) e em vídeo (com o nosso curso online no youtube). 

Por meio desses conteúdos, damos dicas sobre metodologias e ferramentas que ajudam escritórios a revolucionar as suas estratégias e a sua organização.

Além dos conteúdos da Freelaw, existem outros conteúdos interessantes que podem dar insights sobre inovação, como por exemplo, o Podcast Direito 4.0 e os cursos promovidos pela Future Law.

Como encontrar uma tecnologia que solucione os problemas do seu escritório? 

E, para quem já mapeou os problemas do escritório e gostaria de conhecer sobre as tecnologias que podem ajudar a solucioná-los, recomendamos que pesquisem no radar da AB2L

Nesse radar, as Lawtechs e Legaltechs são separadas por 13 tipos de soluções, o que ajuda os escritórios a encontrarem, com maior agilidade, soluções que podem se adequar à sua realidade.

Assim, não tem como deixar de inovar pelo simples desconhecimento.

O primeiro passo – e o mais importante – é conhecer os problemas e desafios do seu escritório!

Depois, é só pesquisar um pouco que, certamente, existirão soluções tecnológicas (ou soluções mais simples do que você imagina) para esses problemas.

Hoje, já são mais de 150 Lawtechs e Legaltechs, somente no Brasil, ajudando os operadores do direito a superarem desafios de toda ordem! 

E, além das lawtechs, existem diversas ferramentas utilizadas por empresas e startups que podem ajudar, igualmente, escritórios de advocacia. 

c) Rotina da advocacia x Inovação

Por fim, o terceiro (mas não menos importante) obstáculo à inovação nos escritórios é a rotina exaustiva da advocacia. 

Audiências, prazos, petições, atendimentos a clientes e atividades administrativas.

Com a sobrecarga de trabalho e o estresse, fica realmente difícil conseguir criar tempo para  pensar no escritório estrategicamente e buscar inovação.

Como consequência disso, muitos escritórios decidem utilizar novas tecnologias com base no que está sendo utilizado por outros escritórios de advocacia (se valendo de benchmarks) ou pelo simples medo de não se modernizar e ficar para trás.

Mas essas motivações não são as mais adequadas para se tomar a decisão sobre como inovar, porque você não estará pensando nos problemas do seu escritório e nem no seu cliente.

Utilizar inovação e tecnologia “por utilizar” não faz a sua organização inovadora, porque inovação faz parte da cultura e do DNA da organização.

Utilizar inovação e tecnologia simplesmente por medo de não acompanhar tendências ou com base em benchmarks gera gastos desnecessários e ineficiência.

Afinal, o que é útil para o seu concorrente pode não ser útil para você. Cada escritório é uma organização diferente, com desafios, problemas, equipes e cultura diferentes.

Portanto, não há dúvidas que para se tornar uma organização inovadora é necessário criar tempo para pensar no seu escritório como um sistema organizacional. 

Nós da Freelaw acreditamos que a “falta de tempo” pode ser, na realidade, falta de priorização.

A falta de priorização da inovação e de atividades estratégicas em escritórios de advocacia

A maior parte dos advogados prioriza as atividades jurídicas em detrimento de todas as outras atividades que envolvem um escritório de advocacia. Nesse sentido, para qualquer advogado é inadmissível que um prazo processual seja descumprido, por exemplo.

Por outro lado, o não comparecimento a reuniões de alinhamento de equipe e a omissão em relação a questões estratégicas do escritório é algo admitido em grande parte dos  escritórios de advocacia.

E esses tipos de comportamentos que são aceitos nos escritórios de advocacia é o que criam a cultura organizacional e as regras “ditas” e as regras “não ditas”.

  • Um advogado que trabalha até mais tarde é recompensado
  • Um advogado que diz sim para tudo é recompensado
  • Um advogado que diz não para algo é punido
  • Um advogado que não comparece a uma reunião estratégica não é punido.

Essas regras fazem com que os advogados de forma consciente e/ou inconsciente comecem a priorizar as atividades jurídicas em detrimento de todas as outras.

Assim, a inovação, o marketing jurídico e a busca por novas tecnologias acabam ficando em segundo plano.

De fato, a rotina da advocacia é inegavelmente corrida.

Por outro lado, se todos os advogados conseguem cumprir os prazos do escritório (apesar dos contratempos), por que as atividades estratégicas não são cumpridas?

A questão talvez não seja tempo. Mas sim a definição de prioridades e da cultura do escritório.

É preciso repensar toda a cultura, criar uma política que beneficia quem age de acordo com o esperado e pune quem age contra o esperado.

Nesse contexto, se a inovação é, de fato, prioritária no escritório, as iniciativas, reuniões e decisões sobre esses temas devem ser priorizadas.

Naturalmente, o tempo para inovar surgirá. 

Somado a isso, faz muito sentido que os advogados comecem a utilizar técnicas de produtividade, como evitar interrupções no trabalho e trabalhar em blocos de tempo.

Mas sem definição de prioridades e sem a criação de uma cultura realmente inovadora, dificilmente os advogados conseguirão criar tempo para inovar.

2) Como criar uma cultura de inovação em um escritório de advocacia?

Como criar uma cultura de inovação em seu escritório de advocacia?

A ponta do iceberg da inovação

Como criar essa cultura inovadora?

Geralmente, quando pensamos em inovar, pensamos em “post-its”, designs bonitos, papéis coloridos, um ambiente em que todos estão rindo….

Será que realmente é isso?

Isso é apenas a ponta do iceberg.

A inovação “real”

A Inovação acontece no dia-a-dia.

  • A inovação acontece quando a secretária do escritório entendeu que possui liberdade para propor novas soluções e realizar testes
  • A inovação acontece quando o estagiário possui liberdade para propor novos projetos 
  • A inovação acontece quando a opinião que prevalece não é a da pessoa hierarquicamente superior 
  • A inovação acontece quando não existe consenso, mas, mesmo assim, novas ideias podem ser testadas

Por isso, inovar é muito mais difícil do que parecer inovador e vai muito além do que se enxerga, ou seja, da “ponta do iceberg”. 

Os conceitos de inovação são contra-intuitivos e difíceis de serem aplicados na prática.

Em todos os experimentos de inovação existe um risco muito grande..

Para isso, é preciso que exista um ambiente em que o erro não seja penalizado e que ideias sejam testadas ainda que apenas uma pessoa queira testá-la. É o que faz o Google, que sabe que os erros são naturais e, por isso, criou procedimentos para que as pessoas lidem com esses erros.

Caso isso não aconteça, teremos uma inovação “top-down” (imposta por quem é hierarquicamente superior na organização). Esse tipo de inovação nada mais é do que a manutenção de um status quo (engessado, verticalizado) com a utilização de uma roupagem visualmente mais atrativa. 

Na prática, para criar uma cultura inovadora, é preciso, primeiramente, identificar com precisão o que é a cultura do seu escritório hoje.

Quais as regras “ocultas” e quais as regras “claras”?

Por mais que você pense que não existam regras no seu escritório, a verdade é que existem sim.

Porque se você não criou nenhuma regra, prevalecem as regras “ocultas”.

E elas podem ser:

“Neste escritório é permitido que advogados falem mal de clientes e/ou de outros advogados para algum colega de trabalho”

“Neste escritório é permitido que as petições  sejam protocoladas no último dia do prazo, às 23:59:00”

“Neste escritório é permitido que os serviços sejam entregues sem a excelência desejada pelos sócios”

“Neste escritório é permitido que petições iniciais e/ou contratos demorem mais de 2 meses para serem finalizados”

“Neste escritório é permitido que existam dezenas/centenas de demandas reprimidas”

“Neste escritório é permitido que os advogados não realizem esforços para captação de clientes”

“Neste escritório a única função dos advogados é advogar”.

Esse processo de identificação das “regras ocultas” é bastante doloroso. Porque nesse momento você começa a ouvir histórias que você tem vergonha e não quer contar para mais ninguém.

Mas, a partir disso, você começa a ter consciência dos problemas existentes em relação à cultura 

O papel da liderança no processo de mudança organizacional

Segundo Frederic Laloux, no livro Reinventando as Organizações, para que toda mudança aconteça de forma consistente, é preciso que ela seja apoiada pelo topo da organização.

Por isso, se todos os sócios não estiverem alinhados em prol da inovação, dificilmente o escritório se tornará inovador.

No entanto, ainda é possível realizar algum tipo de mudança,caso os sócios do escritório não apoiem diretamente as iniciativas. Mas essas mudanças serão limitadas. 

Isso significa que você, como coordenador de um escritório, também consegue criar uma equipe mais inovadora, mesmo sem o apoio dos sócios. Mas saiba que os impactos da sua mudança ficarão limitados à capacidade daquela organização inovar.

Nesse contexto, se as inovações forem vistas como ameaças por alguns sócios do escritório, a tendência é que essas pessoas hierarquicamente superiores matem a inovação.

Como criar a mudança de baixo para cima

Caso você identifique  que as pessoas do seu escritório não estão favoráveis à inovação, pode ser o momento de você tentar criar essa mudança “de baixo para cima”.

É um modelo que pode gerar resultados bastante positivos.

Aborde novos assuntos com os sócios, peça permissão para realizar testes e, naturalmente, você avançará aos poucos.

Caso não exista liberdade para fazer o mínimo da inovação, nós acreditamos que você encontrou um forte motivo para deixar o seu emprego e começar a buscar lugares que realmente valorizam a sua capacidade criativa.

Desenvolvendo um novo Design Organizacional para o seu escritório de advocacia

Depois que você identificou a cultura organizacional atual, é hora de começar a criar um novo design organizacional.

Quais são as regras do escritório que você se orgulha atualmente?

Quais são as regras que vocês possuem vergonha?

Quais são as regras que precisam ser modificadas?

Seguindo a Teoria U (um método de gerenciamento de mudanças), junto com sua equipe, identifique as regras que vocês desejam que:

  • Sejam mantidas
  • Sejam alteradas
  • Sejam excluídas

A partir desse momento, é importante que você seja consistente e aja de acordo com as novas regras.

Caso contrário, o escritório voltará à “estaca zero”. 

3) Quais os primeiros passos para implementar tecnologia e inovação em um escritório de advocacia?

Quais os primeiros para implementar tecnologia e inovação em um escritório de advocacia?

Primeiro, inovação. Depois, tecnologia.

Talvez quando você iniciou a leitura deste Paper você estava ansioso para ver termos escritos em inglês e muitos novos conceitos sobre novas inteligências artificiais.

Mas, até o momento, não falamos diretamente sobre tecnologias. Esse pode ser o maior “segredo” para advogados que querem inovar.

Antes de buscar uma nova tecnologia, procure mudar a organização por meio da criação de uma cultura inovadora. 

Afinal, a inovação não surgirá, necessariamente, com a utilização da solução mais tecnológica. 

Por vezes, uma simples planilha de excel pode ser a solução dos seus problemas.

A mudança da cultura do escritório é, sem dúvidas, o primeiro passo.

Sobre isso, recomendamos que você assista a aula 27 do Curso Online gratuito da Freelaw.

A importância dos dados e da realização de testes

Além da mudança cultural imprescindível à inovação “de verdade”, é importante que o escritório domine todos os seus números e saiba todas as suas métricas, como, por exemplo:

  • Faturamento
  • Despesas
  • Receitas
  • Lucro do escritório
  • Número de clientes totais do escritório
  • Número de clientes atendimento/mês do escritório e por cada advogado
  • Número de clientes novos/mês e número de clientes novo/mês que cada advogado conseguiu
  • Número de reclamações de clientes
  • Número de horas gastas com cada cliente/mês
  • Número de processos que o escritório atende
  • Número de recursos providos
  • Números de atos jurídicos feitos por cada advogado
  • Tempo médio para ajuizamento de um serviço não urgente
  • Número de demandas reprimidas do escritório.

Se todas essas métricas são atualizadas e analisadas por toda a equipe de forma conjunta, haverá uma transparência para todos sobre a situação real do escritório.

Assim, será possível identificar indicadores que estão em crescimento e/ou indicadores que estão em declínio.

Como consequência, os problemas serão mapeados e haverá um espaço frequente para propositura de novas soluções e ideias, por todos os integrantes da equipe, que se sentirão parte daqueles resultados.

Nesse contexto, é válido que todas as ideias e soluções sejam testadas, ainda que alguém do escritório não concorde com a ideia ou solução proposta.

Isso, salvo se existir alguma objeção válida à realização do teste (por exemplo: a ideia ou solução proposta pode trazer sérios prejuízos ao escritório), conforme propõe a Target Teal, com o O2 “Organização Orgânica”. 

Na realidade,  são poucos os experimentos que podem trazer sérios prejuízos ao escritório. 

E, de toda forma, nas próximas reuniões de análise das métricas, o que acontecerá será a “lei de seleção natural”:

  • Os experimentos que gerarem os melhores resultados receberão mais investimentos
  • Os experimentos que gerarem menos resultados serão encerrados

Essa prática de definição e análise de métricas  e desenvolvimento de soluções teste para os problemas identificados, é, sem dúvidas, uma das mais importantes para qualquer empresa que deseja inovar.

Por meio dessa prática, a decisão sobre aplicação ou não de ideias/soluções é tomada com base em dados e não com base em “achismos”, consenso ou imposição. 

Implemente a inovação nos procedimentos internos do seu escritório

Como diria Vicente Falconi, em seu Livro “Gerenciamento da Rotina do Trabalho do Dia a Dia”, “tudo que não é padronizado traz desperdícios”. 

Grande parte dos problemas do escritório surge por falta de: (i) padronização em relação aos processos internos; (ii) entendimento de toda a jornada do cliente; (ii) entendimento da jornada interna.

Pode ser interessante reunir toda a equipe com alguma periodicidade para mapear todos os procedimentos internos e criar fluxos padrões.

Por exemplo:

Fluxo de execução de serviços jurídicos:

  1. Cliente vem ao escritório;
  2. Cliente assina a procuração e a secretária digitaliza a procuração e os documentos;
  3. Advogados analisam os documentos e os inserem no sistema do escritório;
  4. Advogados se reúnem  com o cliente para retirar dúvidas;
  5. Advogados redigem a petição e protocolam, etc.

Caso toda a equipe analise os fluxos do escritório com alguma frequência, é possível identificar pontos da jornada que não estão claros ou sobre os quais não existe um padrão  e realizar testes.

Dessa forma, certamente, os desperdícios serão minimizados e a produtividade maximizada. 

Exemplo prático de realização de teste utilizando a Freelaw

Exemplo: os clientes de um escritório de advocacia estão reclamando, devido à demora para ajuizamento de ações. Foi identificado que a causa desse problema é a grande quantidade de serviços, maior que a capacidade produtiva de cada advogado. 

Nesse contexto, pode fazer sentido contratar um outro advogado para o escritório ou então utilizar uma tecnologia, como a Freelaw, para contratar um advogado qualificado sob demanda para elaborar petições. 

Dessa forma, o escritório poderá reduzir a morosidade para o ajuizamento de ações e, consequentemente, reduzir o número de reclamações de clientes. Além disso, os advogados poderão se dedicar a atividades mais estratégicas e, ao invés de elaborar peças “do zero”, se dedicar apenas à revisão, por exemplo. 

Isso significa que essa solução será interessante para todos os escritórios?

Não. Como já mencionado, isso dependerá dos problemas enfrentados por cada escritório. 

E, da mesma forma, isso não significa que essa solução funcionará para todos os escritórios que possuem o problema da morosidade para ajuizamento de ações.

Como analisar o sucesso ou insucesso de um teste

Para analisar se um teste está ou não funcionando é preciso analisar “o antes” e “o depois” de  todas as métricas relacionadas ao teste.

Exemplo:

  1. Como eram os custos na execução de serviços antes da implementação dessa solução? E depois?
  2. Como era a agilidade na execução de serviços antes da implementação dessa solução? E depois?
  3. Como era a qualidade na execução de serviços antes da implementação dessa solução? E depois?

Com essa análise, o seu escritório terá todos os dados para saber se o experimento gerou resultados satisfatórios ou não.

Caso os resultados não sejam satisfatórios, é  importante refletir se ainda existe algo que pode ser feito para que o experimento funcione ou se o melhor é realmente desistir do experimento e procurar uma outra solução.

Reflexões finais sobre a realização de testes

Apresentamos um exemplo de um teste realizado com a Freelaw. Mas esse tipo de teste também pode ser realizado com qualquer outra Lawtech.

Antes, durante e depois do teste, é muito importante que exista uma análise sistêmica de toda a situação da organização e com base em dados. Dessa forma, o seu escritório poderá aumentar muito a eficiência na execução de serviços jurídicos.

Da mesma forma, caso você queira aumentar a captação de clientes do seu escritório, você pode, por exemplo, realizar uma ação no Instagram por 1 mês e visualizar o resultado.

Em seguida, caso o experimento não tenha sido bem sucedido, você pode realizar uma ação em um evento em que seus potenciais clientes estarão presentes e testar o resultado.

Ou então, testar abordagens ativas, via outbound marketing, para potenciais clientes.

Naturalmente, vários desses testes falharão. Mas, se todos os testes estiverem embasados em métricas e devidamente documentados, você terá uma quantidade de aprendizado muito grande que será utilizada para os próximos experimentos. 

Os testes que falharem também são respostas sobre qual caminho não seguir. Só com os testes e com análise de dados você obterá respostas certeiras sobre o que funciona ou não para o seu caso.

Aos poucos, você descobrirá as melhores soluções para o seu caso específico.

4) E agora, como começar?

E agora, como começar?

Você possui em mãos todas as informações que precisa para criar uma cultura de inovação em seu escritório.

Mas como começar?

Veja esse passo-a-passo que criamos para você:

  1. Inclua a inovação como prioridade de sua organização
  2. Entenda como é a cultura atual do seu escritório
  3. Crie uma nova cultura para o seu escritório
  4. Defina e acompanhe as métricas do seu escritório, semanalmente, quinzenalmente ou mensalmente
  5. Defina e acompanhe os procedimentos internos do seu escritório semanalmente, quinzenalmente ou mensalmente
  6. Realize testes constantes de acordo com os problemas identificados (nas métricas e nos procedimentos internos)
  7. Conheça as metodologias ágeis e as novas tecnologias existentes (e, eventualmente, use algumas delas, caso solucionem alguns de seus problemas)

Naturalmente, todo o processo de mudança é doloroso.

Mas agora é preciso dar o primeiro passo e implementar a mudança aos poucos.

Como você percebeu ao longo de todo esse material, essa mudança é realizada no dia a dia. Você pode comprar cursos online ou presenciais sobre inovação, tecnologia e gestão, mas, enquanto você não começar a praticar, errar e aprender com os seus erros, o seu escritório não se tornará inovador como você espera.

Caso esse material tenha sido útil para você, gostaríamos de pedir que você compartilhe esse conteúdo (via redes sociais, whatsapp ou e-mail), com outros colegas advogados podem se interessar. 

Nossa missão, na Freelaw, é ajudar advogados a trabalharem de uma forma mais eficiente e colaborativa. Por isso, produzimos muitos conteúdos gratuitos para ajudar advogados e escritórios de advocacia.

Ficamos muito felizes por você ter lido esse material até o final.

Se tiver qualquer dúvida ou queira conversar conosco sobre algum ponto, não hesite em nos contatar!

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