[Paper] Panorama Lawtechs e Legaltechs 2020

[Paper] Panorama Lawtechs e Legaltechs 2020. Uma análise do mercado nacional e internacional realizada pela Freelaw
16 minutos para ler

O mercado cada vez mais competitivo e o nível elevado de exigência dos clientes, torna o uso da tecnologia e da inovação uma necessidade para a permanência e sucesso dos advogados.

As lawtechs e as legaltechs são empresas de tecnologia que desenvolvem soluções para otimizar o trabalho no setor jurídico, público ou privado.

O mercado jurídico mundial movimenta mais de R$ 50 bilhões ao ano e de acordo com a Associação Brasileira de Lawtechs e Legaltechs, em 2020 o número de startups jurídicas com soluções tecnológicas já ultrapassaram a marca das 130 empresas.

Nesse contexto, as Lawtechs e as Legaltechs são a “bola da vez” e se tornaram grandes aliadas dos advogados revolucionando o mundo jurídico.

Esse Paper, traz um panorama nacional e internacional do crescimento das startups, quais os tipos que temos disponíveis no Brasil e como estão as empresas que utilizam a tecnologia a seu favor.

Faça o download deste post inserindo seu e-mail abaixo

Não se preocupe, não fazemos spam.

O que são Lawtechs e Legaltechs?

O que são Lawtechs e Legaltechs?

As Lawtechs ou Legaltechs são empresas, de base tecnológica, que desenvolvem soluções para otimizar o trabalho no setor jurídico – público ou privado.

Deriva do inglês, onde o prefixo “Law” remete a Legal nos termos do direito/jurídico. E o sufixo “Tech” representa a abreviatura de “Technology”, ou seja, tecnologia.

De forma geral, são inúmeros os ganhos em competitividade, como a redução de custos, o aumento da eficiência e a otimização e organização de processos.

Além disso, podem atuar em diversos problemas específicos do escritório. Entre eles, a falta de pessoal para absorver ou expandir a demanda, perda de tempo na elaboração de documentos e ainda ferramentas de gestão para diversos tipos de demanda.

Todas essas soluções existem e também foram criadas por Lawtechs ou Legaltechs no Brasil.

Lawtech e Legaltech: Existe diferença?

No exterior, o termo Legaltech é usado para classificar startups que atuam no próprio mercado jurídico: advogados, escritórios jurídicos e departamentos jurídicos de empresas.

Já as Lawtechs, desenvolvem soluções para os clientes finais.

Porém, essa diferença não existe no Brasil, sendo considerado como termos sinônimos.

Quais as categorias de Lawtechs existem?

Quais categorias de Lawtechs e Legaltechs existem?

Da inteligência artificial para consultar decisões e acórdãos a soluções para escritórios que buscam otimizar seus contratos, o que não faltam são soluções e ferramentas para facilitar a vida dos advogados.

Em sua última atualização, o radar das startups da Associação Brasileira de Lawtechs e Legaltechs – AB2L classificou as Lawtechs em treze grandes áreas de atuação:

Analytics e Jurimetria – São soluções voltadas para a coleta e para a análise de dados jurídicos e jurimetria. Auxiliam os advogados, por exemplo, a entenderem qual a tendência de julgamento de um determinado Tribunal, conforme os dados compilados de decisões anteriores. Uma das soluções na área é a Digesto.

Automação e Gestão de Documentos – São softwares de automação de documentos jurídicos e gestão de contratos e processos. Essas ferramentas objetivam reduzir o tempo gasto pelos advogados com preenchimento e revisão de documentos. Um exemplo de solução nessa categoria é a Netlex.

Compliance – São as soluções inseridas nos processos de compliance das empresas, para garantir mais agilidade e precisão nas tarefas.

Conteúdo Jurídico, Educação e Consultoria – Portais de informação, legislação, notícias e empresas de consultoria que oferecem serviços que vai da segurança de informação até a assessoria tributária. Nessa categoria, figura a Future Law, que produz conteúdo para advogados e promove cursos e atividades focados na inovação.

Extração e monitoramento de dados públicos – São ferramentas de monitoramento e gestão de informações públicas, como andamentos processuais, legislações, publicações e documentos cartorários. Como exemplo, temos a UpLexis.

Gestão de Escritórios e Departamentos Jurídicos – Soluções de gestão de informações para escritórios e departamentos jurídicos, como organização e armazenamento de dados dos processos contribuindo no aumento da produtividade. A Preâmbulo é uma startup que atua nesse sentido.

IA – Setor Público – São as soluções de inteligência artificial para o setor público e tribunais, como por exemplo a Legal Labs.

Redes de Profissionais – Essas soluções são aquelas que promovem a conexão entre profissionais do Direito, que permitem a pessoas e empresas encontrarem advogados em todo o Brasil. Como por exemplo, a JusBrasil.

Ou, também, permitem a conexão de profissionais do Direito, entre si, para execução de serviços jurídicos. Um dos exemplos é a Juris Correspondente e a Freelaw.

Regtech – Soluções tecnológicas para resolver problemas provocados pelo excesso de regulamentação. Como a Legalbot.

Resolução de conflitos online – Startups especialistas em resolução online de conflitos por métodos alternativos ao processo judicial tradicional, como mediação, arbitragem e negociação de acordos. Possibilita que as partes sejam protagonistas da resolução do seu próprio conflito. Vale citar como exemplo a D’acordo.

Taxtech – São as soluções tecnológicas que visam facilitar a resolução das questões tributárias das empresas, como a Taxcel.

Civic Tech – Plataformas que melhoram o relacionamento entre pessoas e instituições, possibilitando maior participação das pessoas nas decisões estratégicas ou melhorando a prestação de serviços da instituição. O gove e o Fala Cidadão atuam nesse sentido

Real Estate Tech – Focada no mercado imobiliário e cartorário, utiliza ferramentas da tecnologia da informação por meio de plataformas especializadas. A QuintoAndar é uma startup que atua nesse sentido.

O cenário das Lawtechs no exterior

Qual é o cenário internacional das Lawtechs?

A expansão brasileira está em plena ascensão. Assim não seria diferente em outros mercados, como o americano. O mercado jurídico americano tem incorporado tecnologias mais robustas e mais ousadas.

Em meados de 2016, o escritório de advocacia Baker & Hostetler lançou o primeiro “robô-advogado” nos EUA. Chamado de ROSS, o robô começou a trabalhar em uma das maiores bancas de advocacia americana. Ele funciona como uma fonte de consulta avançada que incorpora novos conhecimentos com a vantagem de aprender e se relacionar com os advogados.

O “robô-advogado” arquiva toda a legislação, jurisprudências, precedentes, citações e qualquer outra informação jurídica do país. Ele pode realizar inferências da literatura jurídica, selecionar o mais relevante para cada caso, formular hipóteses e gerar respostas referenciadas.

Um dos maiores nomes do mercado jurídico, Richard Susskind, vem discutindo ao longo de seus 30 anos de carreira, o futuro da advocacia e quais os impactos da tecnologia na inovação no Direito.

Segundo ele, é preciso reformular a forma de trabalho e incorporar meios eficientes e baratos para otimizar os resultados de acordo com as necessidades do cliente.

Em seu livro Advogados de Tomorrow: uma introdução ao seu futuro, Susskind afirma que:

“O mercado legal está em um estado de fluxo sem precedentes. Nas próximas duas décadas, a maneira como os advogados trabalham mudará radicalmente. Formas inteiramente novas de fornecer serviços jurídicos surgirão, novos provedores entrarão no mercado e o funcionamento de nossos tribunais será transformado. A menos que se adaptem, muitos negócios jurídicos tradicionais falharão. Por outro lado, todo um conjunto de novas oportunidades se apresentará a advogados empreendedores, criativos e jovens.”

O mercado americano em números

De acordo com a CB Insights, as startups de tecnologia jurídica arrecadaram somente US$739 milhões em fundos agregados de 2011 a 2016. Já em 2018 foram investidos mais de $1.6 bilhões de dólares, representando um aumento de 700% em relação aos $233 milhões em 2017. O potencial prometido é imenso e a inteligência artificial é o principal motor desse crescimento.

Segundo pesquisa realizada pela Thomson Reuters, entre 2012 a 2016, houve um aumento de 484% no número de patentes de novas tecnologias jurídicas registradas.

Apenas em 2016, 579 patentes relacionadas a inovação jurídica foram catalogadas em todo o mundo – ante 99 em 2012, de acordo com dados da Organização Mundial da Propriedade Intelectual. Especialmente, nos Estados Unidos, na China e na Coreia do Sul.

Nesse contexto, a CodeX da Universidade de Stanford, nos Estados Unidos, já indica um total 1198 lawtechs/legaltechs divididas entre as mais diversas categorias.

Nos Estados Unidos, é dever do advogado estar atento aos benefícios e riscos das soluções tecnológicas. De certo modo, tais fatores evidenciam uma maior maturidade e desenvolvimento do mercado das Lawtechs/Legaltechs por lá.

Mas, inegavelmente, as soluções tecnológicas no mercado jurídico também são uma tendência cada vez maior no Brasil.

O cenário das Lawtechs no Brasil

Qual é o cenário das Lawtechs no Brasil?

Como apontado pela AB2L, o Brasil já conta com mais de 100 soluções tecnológicas distintas e esse número tem aumentado significativamente se comparado aos últimos 10 anos.

Importante destacar que esse movimento tecnológico no mercado jurídico foi notado pela OAB, que já possui, hoje, em vários estados brasileiros, comissões voltadas para Startups e para inovação jurídica.

Entretanto, foi um processo gradual que necessitou de uma postura gerencial e visão sistêmica por parte de advogados e escritórios de advocacia. Para alcançar essa magnitude e importância no cenário brasileiro algumas empresas foram pioneiras nesse mercado.

A Aurum está há mais de 25 anos no mercado e é considerada uma das primeiras no desenvolvimento de softwares de gestão para advogados. Hoje, ela desenvolve e comercializa o Themis, voltado para grandes bancas e departamentos jurídicos, além do Astrea para advogados autônomos e escritórios menores de advocacia.

Sobre a Aurum, tivemos o prazer de entrevistar a Marcela Quint para o #lawyertolawyer, o Podcast da Freelaw.

Você já escutou o episódio?

A startup baiana Jusbrasil é a plataforma jurídica mais acessada do Brasil fundada há mais de dez anos, seu objetivo é conectar pessoas à justiça, fornecendo informação acessível a todos. São quase 500 mil conexões por ano entre profissionais e clientes.

Recentemente, a empresa recebeu investimentos de dois importantes fundos de investimentos do Vale do Silício (Monashes e Founders Fund), que tem em sua carteira, companhias como Airbnb e Spotify.

A Júlia Soarel Amaral, do Jusbrasil, também foi uma das entrevistadas do #lawyertolawyer.

Crescimento do mercado

Com mais de 80 milhões de processos abertos no Brasil e quase 30.000 novos advogados registrados na OAB por ano, o país figura como um dos mercados mais atrativos para as Legaltechs.

Existem hoje mais de 100 milhões de processos ativos no país, sendo que algumas empresas recebem até 20 mil novas ações mensais.

Segundo a OAB, o Brasil é o terceiro país do mundo com mais advogados em números absolutos, com maior densidade de advogados em relação à sua população.

A busca por soluções inovadoras para o mercado jurídico é evidente. Uma recente pesquisa da Associação Brasileira de Lawtechs e Legaltechs apontou que 95% dos escritórios de advocacia estão abertos a inovações que solucionem seus problemas e 62% já procuram serviços customizados de tecnologia.

No Brasil, o desenvolvimento do mercado possui três principais fatores: o avanço na modernização do setor, a inserção de advogados da geração millennials a cada ano e a competitividade do mercado, onde modernizar significa sobreviver.

De acordo com a Associação Brasileira de Lawtechs e Legaltechs em seu estudo Radar, existem 106 startups ligadas ao Direito e tecnologia registradas no Brasil. Essa variedade de soluções facilita a rotina dos escritórios jurídicos e de advogados, aumentando a produtividade consideravelmente.

As maiores Lawtechs do Brasil

Mas será mesmo que as empresas estão lucrando com a adoção dessas tecnologias? Quanto essas empresas cresceram e movimentam? Apresentamos a seguir algumas empresas que tem se destacado nacionalmente nesse mercado.

A Justto, fundada em 2011, acaba de receber R$2,5 milhões do Fundo Criatec 3, criado pelo BNDES e gerido pela INSEED Investimentos. O recurso será utilizado no marketing, em vendas e na ampliação dos recursos de inteligência artificial e machine learning da ferramenta. Em 2018, a Justto ampliou sua atuação no mercado com crescimento de 45% ao mês.

A Aurum, que já citamos como pioneira na inovação, foi comprada pela Vela Software, subsidiária do grupo Constellation, que administra empresas de software em mais de 100 países. A empresa possui de 51 e 100 funcionários e triplicou de tamanho nos últimos cinco anos, registrando crescimento médio anual de 22,3%.

Linte é uma startup criada em 2015 pelo advogado mineiro Gabriel Senra, que possui cerca de 50 funcionários. Foi criada para diminuir a burocracia e as ineficiências jurídicas de grandes corporações. No ano passado, a Linte faturou R$ 5 milhões.

Temos ainda a Doc9, fundada em 2009, que atua na facilitação de diligências jurídicas para escritórios de advocacia, participou de um programa de mentoria da Endeavor e hoje possui cerca de 90 colaboradores atuando pelo Brasil.

A Projuris, criado em 2010, possui entre 251 a 500 funcionários, com crescimento médio anual de 35% nos últimos 3 anos, a empresa possui 2 softwares para diferentes públicos, um para o escritório de advocacia e outro para departamento jurídico corporativo.

O Sem Processo criado por um grupo de advogados e programadores, é uma plataforma que viabiliza acordos entre advogados e empresas em ações que envolvam o direito do consumidor. Em 2018 a plataforma movimentou nada menos que R$ 1 bilhão em acordos.

Case de sucesso no Brasil

As empresas citadas no tópico acima são representantes do sucesso que a tecnologia pode oportunizar aos advogados empreendedores. Cada uma com seu nicho de mercado.

Par exemplificar, apresentamos um famoso case em que a tecnologia foi aplicada. A Localiza Hertz, tinha cerca de 20 mil processos em andamento e viu uma oportunidade de otimizar seu setor jurídico e reduzir gastos com a contratação de mais funcionários.

Atuando em conjunto com as startups Sem Processo e a NetLex, a Localiza teve um ganho enorme de produtividade, valorizando o trabalho do advogado permitindo-o focar em atividades estratégicas.

Na primeira edição da LawTech Conference, o head jurídico da empresa Christiano Xavier, revelou que antes da implementação a Localiza tinha 20 mil processos cíveis, que foram reduzidos para 13 mil. Ainda segundo Xavier, “a economia que a Localiza teve ao implementar a tecnologia no setor jurídico foi na casa de dezenas de milhões de reais”.

O Christiano Xavier também participou do #lawyertolawyer da Freelaw.

Tendências para o Mercado Jurídico

Quais são as tendências para o mercado jurídico?

Os números não deixam dúvidas quanto as oportunidades que as startups podem proporcionar. Atento a isso, separamos algumas tendências para o mercado jurídico no futuro.

O cliente no centro da experiência

Os avanços tecnológicos vêm possibilitando a interação e a experiência dos consumidores na cada vez mais simples e agradável. Entretanto, estes clientes estão cada vez mais exigentes quanto ao que consomem.

Segundo o relatório LegalTech Trends 2019, as expectativas sobre os serviços jurídicos estão mudando, sobretudo quanto aos meios de pagamento e a possibilidade de resolver pendências por meio de portais eletrônicos.

Advocacia à distância

Cresce também a tendência em solucionar questões jurídicas à distância. Nesse caso, a tecnologia permite aos advogados gerenciar seus casos remotamente, como apps para celulares, computação em nuvem e criptografia, fazendo surgir novas dinâmicas de trabalho.

Segundo o LegalTech Trends 2019, clientes que tiveram experiências jurídicas nos últimos anos, estão abertos à interação remota e até ao uso de robôs na mediação dos problemas. Entre essas pessoas, 31% disseram não se importar em conhecer seu advogado pessoalmente e 24% delas concordam que robôs são úteis no aconselhamento jurídico.

Inteligência artificial

Essa mudança de paradigma em torno das expectativas dos clientes sobre os serviços jurídicos também revela um papel fundamental para a inteligência artificial na advocacia. Com robôs cada vez mais capazes de compreender comandos e prever cenários, a tendência é a de que essa tecnologia se torne cada vez mais central no desenvolvimento de soluções. Ou seja, um campo fértil de oportunidades para uma lawtech ou legaltech.

Cabeça na nuvem e smartphone no bolso

O tempo das papeladas e carrinho para carregar os processos estão com os dias contados. O momento é o de armazenar documentos em nuvem e acessá-los onde quer que esteja. Momento favorecido pela constante implementação de recursos nos smartphones e nos serviços de internet.

Cibersegurança

O crescimento do acesso à computação em nuvem também cresce a necessidade em adotar plataformas de cibersegurança atualizadas e preparadas para o combate ao roubo de dados. A tendência são investimentos pesados nessa área com tecnologias de blockchain e contratos inteligentes.

Com isso, conseguimos trazer um panorama das Lawtechs e das Legaltechs no ano de 2019. Onde expomos esses conceitos e quais as categorias e empresas de destaque estão atuando no Brasil.

Apresentamos também, dados dos mercados brasileiro e americano para que tenha uma ideia de como o uso das tecnologias tem movimentado o setor e o quanto de investimento as startups estão movimentando.                                                                                                    

Por fim, identificamos as tendências para o mercado jurídico para que você reflita como pode integrar a essa revolução tecnológica.

Gostou deste Paper? Compartilhe com outros colegas!

Faça o download deste post inserindo seu e-mail abaixo

Não se preocupe, não fazemos spam.
Você também pode gostar

Deixe um comentário