[Paper] Covid-19 (Coronavírus) na Advocacia

[Paper] Covid-19 na advocacia. Uma análise completa dos reflexos da pandemia no mercado jurídico feita pela Freelaw
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“Espero estar muito enganado, mas o impacto social e econômico desse vírus provavelmente será profundo e mudará a forma como compramos, viajamos e trabalhamos por anos”, foi assim que o Steve Blank iniciou a sua análise sobre os impactos que o COVID-19 gera na economia.

“Após o coronavírus, o mundo não voltará a ser o que era”, disse o biólogo Átila Imarino, no programa Roda Viva.

Da mesma forma, o MIT projeta um cenário de distância social de 18 meses, em razão do COVID-19.

São tempos de incerteza, de medo e de insegurança.

E, para tentar responder a pergunta: “O que acontecerá com o mercado jurídico após a crise?”, a equipe da Freelaw realizou uma análise completa dos reflexos da pandemia no mercado jurídico.

No início deste Paper, é feita uma análise dos reflexos das crises de 2007-2008, de 2014-2017 e do COVID-19 na advocacia. Neste ponto, o objetivo é identificar padrões sobre desafios e oportunidades para advogados durante crises econômicas.

Em seguida, a Freelaw examinou projeções para o “mundo pós COVID-19” do Instituto da Alemanha e do historiador Yuval Noah Harari. Qual a função social dos advogados nesse novo mundo?

E, por fim, o que o seu escritório de advocacia deve fazer para mitigar os efeitos da crise econômica em seu negócio? Quais as tendências para a advocacia após o COVID-19

O mundo nunca mais será o mesmo. A advocacia também não.

“Como o mundo de hoje não é mais o mesmo e provavelmente será pior daqui a um mês, se o seu modelo de negócios hoje parecer o mesmo do início do mês, você estará em negação.” (tradução nossa, Steve Blank)

Não é o mais forte que sobrevive, nem o mais inteligente, mas o que melhor se adapta às mudanças”, Charles Darwin.

*O foco deste material são os reflexos econômicos da pandemia na advocacia. Por isso, as importantes recomendações feitas pela OMS e pelo Ministério da Saúde não foram analisadas.

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Como a advocacia geralmente reage a crises econômicas?

Como a advocacia geralmente reage a crises econômicas?

A advocacia durante a crise financeira de 2007-2008

Anna Cecília Santos Chaves, doutora em Direito pela Universidade de São Paulo, escreveu um artigo em 2014, realizando uma análise dos reflexos que a crise de 2007-2008 causou no direito.

Dentre suas colocações, ela afirmou que:

Um contexto de crises econômicas e financeiras, inevitavelmente, provoca discussões acirradas e impinge a necessidade de reformas substanciais

Nesse diapasão, conforme assinala José Eduardo Faria, crises não constituem apenas um desafio de ordem prática para dirigentes estatais, parlamentares, empresários, analistas financeiros, investidores e outros atores sociais. 

As crises constituem também um desafio de caráter teórico, na medida em que ultrapassam os territórios disciplinares tradicionais, apontando dessa maneira nossa incapacidade de lidar, conceitual e analiticamente, com disfunções sistêmicas não conhecidas, não previstas ou subestimadas na literatura especializada.”

Ou seja, com qualquer crise econômica, surgem muitas novas discussões jurídicas, desafios e oportunidades para advogados.

Seguindo essa mesma linha de raciocínio, a Dra. Anna Luiza Boranga, então presidente da FENALAW NORDESTE, em uma análise da crise de 2007-2008, afirmou:

Certamente algumas áreas sofrem redução de demanda, em outras podemos identificar uma nova onda de crescimento“.

Naquela época, algumas das áreas que tiveram aumento de demanda foram: a recuperação de créditos, a renegociação de dívidas, falências, contencioso trabalhista e fiscal, planejamento tributário.

De igual forma, surgiram dificuldades.

Diversos escritórios de advocacia tiveram que conceder prazos alongados para pagamento de honorários, lidar com inadimplemento de clientes e trabalhar com um número maior de serviços por êxito e resultados.

Essa lógica também se repetiu na crise financeira de 2014-2017.

A advocacia durante a crise financeira de 2014-2017

Em 2015, foi publicado um artigo no Jota com uma análise de como pequenos e médios escritórios de advocacia enfrentavam a crise naquela época.

Nesse artigo, diferentes advogados foram entrevistados e trouxeram suas visões sobre a crise.

Felipe Magalhães, do escritório Magalhães, Lemos Magalhães Sociedade de Advogados, disse que:

“Tivemos que readequar alguns de nossos clientes, pelo fato de a crise chegar aos prestadores de serviço, houve necessidade de novos acordos de contratos de honorários, reduzir gastos, cortar um pouco daqui e dali.

Renato Cury, do Moreira & Cury Advogados Associados, disse que tiveram que fazer quatro demissões e tiveram também um aumento da inadimplência com clientes. 

E, analisando as oportunidades, o advogado Fábio Garcia Leal Ferraz, do Bernardini Advogados, disse que a advocacia é bastante requisitada em períodos de instabilidade financeira e demissões em massa

“(…) seja para resolver conflitos, seja para planejar ações com menores riscos, seja para gerar economias com uma reestruturação jurídica e financeira“. 

Em 2017, foi publicado um artigo no Migalhas com uma análise sobre as barreiras e as oportunidades que surgem na advocacia em períodos de crise econômica.

Neste artigo, o advogado Evandro Grili, sócio do escritório Brasil Salomão e Matthes Advocacia, opinou:

Historicamente, a advocacia brasileira sempre cresce em tempos de crise. Em tempos de crise aumentam as discussões de pessoas físicas e jurídicas com instituições financeiras, bancos que emprestaram dinheiro, etc.”

Mas, ao mesmo tempo, o advogado Eduardo Boccuzzi, do escritório Boccuzzi Advogados Associados, afirmou:

Com a crise econômica, vê-se uma redução nos investimentos. Isso se reflete diretamente na diminuição do trabalho, principalmente na área da advocacia empresarial.”

Os reflexos econômicos da COVID-19 na advocacia

Reflexos da COVID-19 no mercado internacional

Em 2020, o portal estadunidense Above The Law, publicou um artigo recente, no último dia 30 de março, com uma análise dos impactos do COVID-19 em escritórios de advocacia.

E o subtítulo do artigo não é muito animador para os escritórios:

Em geral, 2020 será um ano muito, muito ruim para escritórios de advocacia” (tradução nossa). 

O autor do artigo, Mark Herrmann é bem enfático ao dizer que, nos Estados Unidos, ele acredita que a única área do direito que crescerá na crise será a de falências.

Já, a Fortune, alerta para um perigo que pode surgir após a pandemia: uma onda de processos judiciais de diferentes naturezas.

E, por fim, a Forbes diz que:

O Coronavírus turbinará a transformação do mercado jurídico. Ele impulsionará o direito para a era digital e reformulará o cenário do mercado.Todo o ecossistema jurídico será afetado – consumidores, fornecedores, a academia e o sistema judicial.” (tradução nossa)

No Brasil, algumas notícias já nos auxiliam a analisar os efeitos da crise atual no mercado jurídico.

E, com a suspensão dos prazos pelo CNJ, quais os impactos para os advogados que atuam com Contencioso?

Um dos impactos, sem dúvidas, é a resolução de disputas online (dentro e fora do judiciário), que já é uma realidade no STF, conforme noticiou o Conjur.

O mundo pós-COVID 19

O Instituto da Alemanha, projetou 4 possíveis cenários para o novo mundo pós-COVID 19.

Projeção dos 4 cenários para o mundo pós COVID-19 feita pelo Instituto da Alemanha

Em um dos cenários pessimistas projetados, o Instituto descreve a possível nova realidade que poderemos viver: “Primeiro acontece o shutdown – e depois o shutdown vira norma. Passa a ser normal escanear um chip no pulso para entrar no metrô ou entre pessoas, para verificar dados de saúde, no primeiro encontro amoroso, por exemplo.”

Esse cenário é também projetado por Yuval Noah Harari, autor dos livros Homo Deus e Homo Sapiens, em seu artigo publicado no Financial Times: “O mundo após o coronavírus”:

A humanidade está vivenciando uma crise global. Possivelmente, a maior crise de nossa geração. E as decisões que as pessoas e os governos tomarem nas próximas semanas provavelmente moldarão o mundo nos próximos anos. (…) Sim, a tempestade passará, a humanidade sobreviverá, a maioria de nós ainda estará viva – mas habitaremos um mundo diferente.

Uma grande batalha tem acontecido nos últimos anos por causa da nossa privacidade. A crise do coronavírus pode ser o ponto de inflexão da batalha. Pois quando as pessoas podem escolher entre privacidade e saúde, geralmente escolhem a saúde.”

Qual a função social do advogado neste período?

Independentemente dos cenários, esse novo mundo terá discussões jurídicas muito complexas e os operadores do direito precisarão, mais do que nunca, ser muito técnicos.

Como disse o Victor Cabral, no episódio 41 do Podcast da Freelaw, em um mundo cada vez mais complexo, todos os advogados e advogadas deveriam estudar o direito de forma mais profunda.

Novos problemas não precisam necessariamente de novas soluções. Só precisam de estudo e de fazer o que nós, enquanto advogados, fomos treinados a fazer, que é: resolver problemas e propor soluções.

Isso faz parte do nosso treinamento. Trazer lógica jurídica para o dia a dia da tecnologia e da inovação.

E, sim, voltar para o básico do direito, entender como o direito funciona. Isso é fundamental hoje em dia.”

Como resolver os novos problemas trabalhistas?

E o conflito entre privacidade versus segurança?

O mundo pós COVID-19 precisa de advogados qualificados e técnicos, que se atualizam de forma constante.

O mundo pós COVID-19 precisa de advogados que atuem de forma ética, consultiva e busquem os métodos adequados de solução de conflitos para os seus clientes.

O mundo pós COVID-19 precisa de advogados que resolvem problemas complexos.

E, certamente, o mundo pós COVID-19 não precisa de advogados que aproveitam este momento para criarem uma onda desnecessária de novos processos judiciais.

Este é o momento de toda a classe se unir e se lembrar da função social do advogado, indispensável à administração da Justiça.

E, é o momento também, de inovar.

Talvez, para alguns, antes do COVID-19, a inovação ainda era um luxo. Mas, agora, ela é necessária.

Tendências da advocacia para o mundo pós COVID-19

Tendências da advocacia para o mundo pós COVID-19

No longo prazo, as apostas da Freelaw são:

  1. Relacionamento digital com clientes: com o isolamento social, todas as pessoas foram obrigadas a utilizar mecanismos digitais para a comunicação e, mesmo os mais resistentes, estão desenvolvendo novos hábitos para relacionamentos pessoais e profissionais. A forma com que os clientes se relacionam com os advogados mudará drasticamente nos próximos anos. Será que faz sentido perder mais de uma hora no trânsito para se encontrar com um cliente para uma reunião? 
  2. Produção de conteúdo e geração de valor para a sociedade: advogados que fortalecem o seu branding por meio da geração de conteúdos online para clientes e potenciais clientes ganharão ainda mais espaço nos próximos anos. Este será o principal canal de aquisição de clientes no mercado jurídico, principalmente, para escritórios de pequeno e médio porte.
  3. Contratação de advogados sob demanda e parcerias jurídicas: os escritórios de advocacia precisarão reduzir custos, reduzir o tamanho de suas equipes jurídicas e buscar alternativas para entregar serviços para os seus clientes de forma mais ágil e com menores custos. O modelo de trabalho on-demand crescerá e permitirá que os escritórios consigam crescer de forma mais enxuta.
  4. Profissionalização dos escritórios de advocacia: em um mundo mais tecnológico e competitivo, os escritórios precisarão profissionalizar a gestão, com destaque para (a) o acompanhamento constante de métricas, (b) a tomada de decisão com base em dados, (c) a realização de testes, (d) a utilização de metodologias ágeis e (e) gestão mais horizontal.
  5. Inovação e uso de novas tecnologias: os advogados buscarão formas mais efetivas para entregar uma melhor experiência para os seus clientes e será mais comum a utilização de novas tecnologias de forma experimental.
  6. Resolução de disputas online e uso dos métodos adequados de solução de conflitos: mais do que nunca, os advogados precisarão buscar o caminho mais adequado para a solução dos conflitos de seus clientes. E, em muitos casos, o melhor caminho não será o Poder Judiciário.

No curto prazo, vivenciaremos tempos difíceis, com demissões, necessidade de redução de honorários advocatícios e dificuldade com a gestão da equipe.

Por isso, é essencial que o seu escritório de advocacia tenha um planejamento de combate a crise de forma bem clara.

Planejamento de combate a crise econômica

Como combater os efeitos da pandemia e da crise econômica na advocacia?

A ACE Startups, trouxe algumas reflexões, que podem ser úteis para o seu planejamento:

  • O que pode dar errado a ponto de que o seu escritório de advocacia simplesmente morra durante a crise? E quais medidas práticas estamos tomando para mitigar tal catástrofe? Temos prazo e responsáveis?
  • Quais são as 20% das ações que o seu escritório de advocacia está fazendo que estão gerando 80% do impacto positivo no crescimento do meu empreendimento, mesmo na crise? Estou usando as melhores fontes de dados para avaliar os impactos?
  • Que ações estou protagonizando junto a clientes, parceiros, equipe, concorrentes, governo e academia para criar reais alianças em prol de crescimento? Qual o nível de comprometimento dessas iniciativas, alto ou baixo?
  • Estou agindo eticamente? Estou deixando claras as expectativas para as pessoas da equipe do escritório, para a sociedade e para os clientes?
  • Estou exercendo a empatia com a sociedade civil ao adotar práticas preventivas de combate ao vírus, e colocando o bem-estar geral da Saúde Pública em primeiro lugar?

Reservar um tempo para refletir sobre essas perguntas é um ótimo início para desenvolver um planejamento estratégico de combate a crise econômica.

Além disso, conforme trouxe o Amure Pinho, em sua análise de mercado, o seu escritório de advocacia pode refletir sobre:

  • Como está o caixa do seu escritório de advocacia? O que você pode fazer para diminuir os gastos do seu escritório?
  • Considerando que cortes podem ser necessários, como fazer mais com menos? Como motivar a equipe diante desse desafio?
  • O que acontecerá se o seu escritório perder 30% da receita? E se perder 50% da receita?
  • Como os clientes do seu escritório estão sendo afetados pela crise nesse momento? Caso peçam para renegociar contratos, o que o seu escritório consegue fazer?
  • Como manter a rotina de trabalho remoto? Quais ferramentas utilizar? Qual a forma de comunicação ideal para a sua equipe?
  • E se acontecer uma segunda onda de COVID-19, o que o seu escritório de advocacia fará?

E, conforme trouxe o Gabriel Benarrós em seu artigo, KCI’s – Key Corona Indicators, três questionamentos podem te ajudar a se preparar para a crise.

  1. Por quanto tempo vamos ter baixa atividade econômica?
  2. Como vai ser a volta ao “normal”?
  3. Qual a intensidade da recessão?

Ao responder esses questionamentos, é importante analisar o cenário otimista e o pessimista. Dessa forma, é possível esperar o melhor e, ao mesmo, se preparar para o pior.

Método Freelaw para combate a crise econômica

Método Freelaw para combate a crise econômica

Aproveite o momento para:

O foco principal deve ser: redução de custos e manutenção de relacionamentos positivos com clientes atuais. Neste momento, ainda que seja necessária a flexibilização de honorários, é essencial reter clientes.

Além disso, com o mundo mais digital, é importante investir na presença digital do seu escritório de advocacia.

E, também, se questione:

  • Quais as perspectivas econômicas para o seu mercado de atuação? O mercado está em ascensão ou em queda?
  • Quais são as maiores oportunidades jurídicas que estão surgindo neste período? O seu escritório está aproveitando essas oportunidades?

Por fim, esse pode ser um momento interessante para repensar sobre o modelo de execução de serviços do seu escritório de advocacia.

A contratação de advogados sob demanda para elaboração de petições e contratos, por exemplo, pode dar mais escala para a execução de serviços, sem que você precise aumentar os seus custos fixos (Essa é a grande especialidade da Freelaw, se você tiver interesse nesse modelo, cadastre-se gratuitamente em nossa plataforma!).

Conclusão

O mundo não será o mesmo. 

Os seus clientes não serão mais os mesmos. 

Você não será mais a mesma pessoa.

A sua advocacia será a mesma?

A Freelaw acredita em um novo modelo de advocacia. E o nosso trabalho é conectar escritórios de advocacia a advogados sob demanda para elaboração de petições, contratos e consultas.

Se você tiver interesse em conhecer mais sobre essa proposta de trabalho, assista a aula 25 do Curso Online da Freelaw “As vantagens econômicas da contratação de advogados sob demanda no mundo pós COVID-19”.

Em seguida, cadastre-se no site https://freelaw.work de forma gratuita para:

  • Contratar advogados sob demanda (entre no site, envie uma solicitação de serviço e aguarde propostas de profissionais especializados)
  • Prestar serviços para escritórios de advocacia sob demanda (entre no site, cadastre o seu currículo online e aguarde o contato de algum escritório de advocacia).

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