5 coisas que não te contaram na faculdade sobre a advocacia

Texto: advogado recém formado. Foto de estudantes jogando diplomas para cima.
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Não sei quanto a você, mas eu não aprendi a advogar na faculdade. Aprendi sobre o direito, sobre as pessoas, as leis e sua aplicação, mas não me lembro de uma aula prática sequer de como iniciar a carreira de advogado e quais os passos que você precisa seguir se quiser manter seus boletos em dia.

Eu sei, para isso servem os estágios – se é que ensinam isso nos estágios mesmo – mas, como eu achava que queria seguir a carreira pública, me dividi entre a promotoria e serviços internos do fórum. Ou seja, não tive nenhum contato com um escritório durante a graduação, muito menos aprendi como prospectar clientes, oferecer meus serviços e, pasmem, fechar contratos.

Depois de tentar alguns concursos públicos, sem sucesso, decidi advogar.

Entrei nessa como quase todo mundo. Fui trabalhar num escritório que me dava uma remuneração para cumprir prazos, realizar audiências e alguns atendimentos. Trabalhei por dois anos e meio num regime que chamavam de “associado”, e minha rotina era aquela de sempre, das 8h às 18h, sem muita perspectiva de crescimento.

Eu sei que muita gente gosta dessa rotina de escritório e papelada, mas eu nunca fui de me adaptar às coisas. Sempre procurei adaptar as coisas ao estilo de vida que eu queria ter, e com a advocacia não foi diferente. Comecei a estudar a fundo uma forma de trabalhar que me permitisse ter tempo e mobilidade, e isso significava ter o meu próprio negócio.

Saí do escritório no qual trabalhava e, desde Janeiro de 2017, trabalho em home office. Hoje moro num sítio, atendo clientes de forma remota, trabalho nos meus próprios termos e consegui o que eu queria: mais tempo e mobilidade.

Apesar das dificuldades, aprendi algumas coisas que, repito, não me contaram na faculdade.

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1 – Você é dono de um negócio

A primeira coisa que você precisa entender é que você não é apenas um advogado. Você é dono de um negócio. E, como todo negócio, você precisa de um plano, de estratégias e também saber vender o seu serviço – não confunda com mercantilização.

Ou seja, além de defender os interesses de seu cliente, você precisa saber administrar a máquina para que ela continue girando e te dando lucros.

Não importa se você atua sozinho ou se é sócio de algum escritório. Planejar o seu negócio é um ponto essencial que, provavelmente, você não aprendeu na faculdade.

2 – Sua marca pessoal é muito, mas muito importante

Desde quando comecei a advogar sozinho percebi que, para o mercado, sou um tipo de produto numa prateleira. Mas, calma, não estou jogando fora meus valores pessoais e me resumindo a um produto apenas. Não é isso.

O que quero dizer é que você pode ter um conhecimento fenomenal sobre direito de família, por exemplo, mas, se as pessoas não souberem quem você é ou mesmo que você existe, elas nunca vão te procurar para resolver o problema delas – lembre-se que somos mais de um milhão de advogados.

É por isso que as marcas investem tanto não só na qualidade de seus produtos, mas em estratégias de marketing.

E, para que? Isso mesmo, serem vistas.

Por isso, você deve investir na sua marca pessoal. As chances de você não ter escutado isso na faculdade são grandes também.

3 – Clientes não caem do céu

Novos clientes não aparecem simplesmente, e você, provavelmente, ouviu isso na faculdade, mas não imaginava que era tão real.

Existe sim uma grande concorrência hoje, mas também há muito espaço para trabalhar e novas possibilidades estão sendo criadas todos os dias, seja online ou offline.

Recentemente, recebi uma mensagem de um advogado após ele ter lido um de meus textos. Ele contou que a sua atividade principal, há pouco tempo, era a de vendedor. Como tinha tempo só à noite, após o expediente, visitava amigos e conhecidos, se posicionando como advogado e oferecendo seus serviços de consultoria. Foi assim que conseguiu indicações e alguns contratos, que permitiram que ele se dedicasse à profissão de advogado em período integral posteriormente – mesmo não tendo um escritório, percebeu?

Por isso, tenha um plano de negócio, invista na sua marca pessoal e corre atrás!

4 – Seja muito bom em uma área

O direito é extremamente amplo. Além disso, a concorrência está aí. Ser bom em uma área específica pode tornar mais fácil o seu posicionamento, até porque você terá mais confiança e, com certeza, fará com que tenha mais destaque.

É claro que você reduz o número de pessoas interessadas nos seus serviços, se você atuar apenas com Direito Ambiental, por exemplo. Mas, em contrapartida, por ser um especialista no assunto, poderá cobrar mais caro, se comparado aos advogados que não têm nenhuma especialização para resolver aquele problema específico.

Pense no campo do Direito ou área que mais lhe atrai e especialize-se.

5 – Mantenha a mente aberta

Um erro muito comum entre os advogados é achar que só saber o direito basta. Acho que as faculdades cometem esse erro também.

Quando comecei a advogar sozinho, percebi que precisava de conhecimentos que eu não tinha. E esses conhecimentos não eram jurídicos. Eu não sabia muita coisa sobre pessoas, negócios, marketing, empreendedorismo e também escrita.

Principalmente nessa época em que vivemos, a qual exige que os advogados tenham diversas habilidades, esteja sempre aberto a ampliar seus conhecimentos e desenvolver-se.

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