Legal Design: uma nova abordagem para o Direito

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O uso da tecnologia está reformulando o mercado jurídico com a inserção de novas ferramentas. Porém, os problemas do usuário e suas necessidades quase não são debatidas. Nesse contexto, surge o Legal Design com novas abordagens para a questão.

Compreendendo os problemas do Judiciário, o Legal Design traz à advocacia uma metodologia para a resolução de problemas focado no ser humano por meio do processo de empatia.

O que é exatamente o Legal Design? Como surgiu esse conceito?

Por que advogados devem compreender esse conceito? E quais os benefícios que a prática traz para o direito?

Se quiser ficar por dentro de uma das maiores tendências para o mercado jurídico, fique até o final desse texto.

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O que é o Legal Design?

Em termos gerais, Legal Design é inspirado nos conceitos de Design Thinking e do User Experience (UX).

Tratam-se de metodologias já consolidadas e utilizadas para solucionar problemas, com empatia e colaboração.

Este processo utiliza as premissas de entender, empatizar, investigar e avaliar, e, a partir daí, utilizar as novas tecnologias para oferecer respostas inovadoras para os problemas.

Como surgiu o Design no Direito?

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O uso do design thinking na advocacia surgiu na Stanford Law School & d.school nos Estados Unidos.

O Legal Design Lab foi criado para oferecer produtos e serviços jurídicos focados nas soluções ao cliente por meio do design, da tecnologia e do Direito.

Já o UX foi desenvolvido para que os produtos e serviços atendessem as motivações e necessidades das pessoas. O objetivo central é o desenvolvimento de produtos focados no usuário, que não sejam somente úteis, mas desejados pelos clientes.

Um exemplo completamente contra o Legal Design, é o uso indiscriminado do “juridiquês”, a forma com que são redigidos os contratos e termos de usos (que são feitos de advogados para advogados, não de advogados para seus clientes).

Os benefícios do legal design para o mercado jurídico

O design legal pode contribuir de várias formas para a humanização da advocacia, para o acesso à justiça e para a aproximação do cliente ao advogado. Essa contribuição pode representar um enorme ganho para toda a sociedade.

Em geral, os advogados atuam em um caso por um tempo e, após o final, apresentam o resultado. Durante esse meio tempo, enviam relatórios (geralmente imensos – porque advogados gostam de escrever) e respondem questionamentos e dúvidas dos clientes.

A proposta do Legal Design é que os advogados trabalhem junto ao cliente, entendendo melhor suas necessidades e testando soluções com mais agilidade.

Na prática isso significa que o advogado deve compreender toda a “jornada do cliente”, para que consiga estabelecer estratégias eficientes para captação de clientes e manter o sucesso do cliente.

Os benefícios, são vários.

Utilizando o Legal Design, ou Design Legal, os advogados poderão conseguir.

Solucionar problemas de forma mais eficiente: como o uso de inovação e criatividade para resolver problemas.

Entregar serviços realmente focados no cliente: Serviços adaptados às necessidades do cliente, sejam elas expressas ou ocultas. Aqui, a comunicação clara, contínua e transparente ganha destaque.

Melhorar as condições de trabalho e atuação profissional: Aperfeiçoar novas formas de cooperação, melhoria dos processos internos e (re) definição de estratégias. Este conceito é muito utilizado na advocacia 4.0.

Desenvolver novos produtos e serviços: Com o Legal Design, os advogados podem buscar novas formas para precificar e oferecer os seus serviços. Algum advogado pode criar algum tipo de “Netflix Jurídico”, serviços online de consultorias e outras soluções, baseadas em modelos de negócios já existentes e bem-sucedidos em outros segmentos.

Contratar novos produtos e serviços: Aplicando o próprio conceito internamente, o escritório poderá mapear os gargalos internos e buscar pontos para melhorias. Dessa forma, ficará mais fácil de fomentar a inovação e aumentar o diferencial competitivo do escritório, possivelmente fazendo uso de Lawtechs e Legaltechs.

Como pudemos perceber, existem várias áreas do Direito que estão ou serão impactadas pela influência do legal design.

Exemplos práticos de aplicação do legal design

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Mas como aplicar os conceitos do legal design? Como simplificar as tarefas do processo jurídico?

A organização americana Tenessee Alliance for Legal Services criou um checklist online para constatar se as pessoas têm ou teriam risco de sofrer algum problema legal e, se for o caso, quais as ferramentas elas teriam para ajudá-las.

O questionário é simples, intuitivo e faz com que o próprio cliente entenda melhor os seus problemas e as suas soluções. Trata-se de uma aproximação do cliente com o Direito.

Em outro caso, o Instituto de Arbitragem da Finlândia utilizou conceitos do legal design para otimizar sua ferramenta digital de arbitragem. O trabalho verificou quais informações eram importantes em ser destacadas e como elas deveriam estar disponíveis.

A partir destes exemplos e pensando nas melhorias possíveis, acreditamos que a adoção do legal design pode apresentar melhorias nos processos. Além disso, os advogados podem também agregar valor a seus serviços e se diferenciar no mercado jurídico.

Advogados, em sua maioria, alegam não ter tempo para experimentar novas estratégias e não testam estratégias inovadoras. Buscam a perfeição e querem somente cumprir prazos.

Com o mercado competitivo atual e com a exigência dos clientes, cada vez mais tecnológicos, é preciso fazer mais do que isso.

O Nubank, por exemplo, quando atualiza os seus termos de uso, envia um resumo “sem juridiquês” para que o cliente final entenda os impactos da mudança. O C6Bank, também aboliu as letras pequenas e o juridiquês e explica o contrato de uma forma que os seus clientes realmente entendam aquilo.

Para utilizar o Legal Design, é preciso apensas de criatividade. Talvez, uma simples mudança nos processos internos do escritório, com criação de uma cartilha para clientes ou com uma comunicação periódica com o cliente, já trarão resultados significativos para o escritório.

O importante é dar o primeiro passo.

Quer saber mais sobre como práticas inovadoras podem mudar seu escritório de advocacia? Veja nossas 5 dicas práticas para criar um escritório de advocacia inovador.

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