Gestor de escritório de advocacia: uma nova realidade [artigo 1/4]

Gestor de Escritório de Advocacia
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Outro dia, o Pedro Custódio escreveu um artigo neste blog sobre o que não nos ensinaram na faculdade de direito. Segundo ele, uma das coisas que não é dita na graduação é que, ao advogar, seríamos donos de um negócio.

Concordo plenamente!

E talvez seja esse o motivo de certa relutância de escritórios de advocacia. A relutância em destacarem alguém para que, de forma exclusiva, tomem conta da gestão do escritório.

Apesar de todas as empresas inovadoras e de alto crescimento possuírem pessoas focadas na gestão do negócio, nós, advogados, ainda temos uma cultura avessa a isso.

Regra geral, tocamos nosso escritório ao mesmo tempo que advogamos, sem, ao menos, pararmos para refletir se esse é o melhor caminho.  

Por isso, resolvi escrever uma série de quatro artigos sobre a importância do gestor de escritório de advocacia.

Neste primeiro artigo, vamos desconstruir um mito que ronda sua figura e contar como ele pode levar seu escritório à inovação, desde que possa estar focado nisso.

Na semana que vem, mostrarei como esse gestor também pode fazer o seu escritório crescer de uma forma que você nunca imaginou: adquirir novos clientes, criar novas formas de receita e – o melhor – gastar o mínimo possível com isso.

No terceiro, veremos como ele pode se tornar o responsável por uma revolução na mentalidade do seu escritório e dos seus colaboradores.

E por fim, no quarto, refletiremos sobre os caminhos para a definição de quem é a pessoa correta para esse papel.

Portanto, se você quer saber um pouco mais sobre esse assunto, fique conosco até o final!

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Gestor de escritório de advocacia é um gasto desnecessário?

Para começarmos essa série, nada melhor do que desconstruir o principal mito que ronda sua figura. Não é mesmo?

Pois bem. Não vou fazer mistério para responder a pergunta deste tópico.

Gestor de escritório não é um gasto desnecessário!

Eu sei. Muitos acreditam no contrário.

Sustentam que o gestor de escritório de advocacia deve ser o próprio sócio fundador. Ou que, de forma natural, os próprios advogados vão saber gerir uns aos outros. E que isso nunca foi problema para escritórios conquistarem clientes e serem bem sucedidos.

Concluem, portanto, que, tomar tempo (e dinheiro) apenas gerindo, sem advogar, é um gasto desnecessário.

É verdade que essa mentalidade deu certo com alguns no passado:

Apesar da sobrecarga de trabalho e de um crescimento desorganizado, os outros escritórios também possuíam essa cultura. Eles também contavam com um gestor que dividia seu tempo entre gestão e advocacia – isso, quando contavam.

O que fazia o mercado ser nivelado por baixo, com uma concorrência fraquíssima.

A captação do cliente, portanto, se resumia em fazer um bom trabalho na justiça. Com um bom trabalho, o cliente continuaria seu cliente e te indicaria outros novos clientes.

Assim a vida seguia, sem maiores sobressaltos.

Mas, com o novo cenário que nos encontramos, esse script vai se tornar mais difícil.

A seguir, eu vou te mostrar como e por que o gestor de escritório de advocacia se torna fundamental nesse novo cenário. E lhe mostrarei, definitivamente, que sua figura não é um gasto desnecessário.

Me acompanhe!

Afinal, qual é a importância do gestor?

Na Advocacia 4.0, prestar o serviço básico de um advogado, que é representar com competência seu cliente na justiça, não será mais sinônimo de boa advocacia.

Os escritórios ou advogados inovadores saberão fazer parte da vida de seus clientes antes mesmo de eles se tornarem seus clientes. Na verdade, saberão advogar para aquelas pessoas que nem imaginam que precisam de um advogado.

Um exemplo disso são as estratégias de marketing jurídico, em que os escritórios produzem conteúdo jurídico de qualidade em seus sites, para que qualquer pessoa possa se beneficiar com educação jurídica.

Um método inovador de captação de cliente!

Além desse exemplo, existem (e existirão) outras tantas formas de captar cliente e prestar advocacia, sem, necessariamente, representá-lo no judiciário. Cabe um artigo específico sobre o tema.

Mas, o que eu quero dizer com esse exemplo, é que, para seu escritório ser inovador, ele precisará de alguém que se preocupe menos com apenas um dos serviços prestados por um escritório inovador – que é representar o cliente no judiciário – para se preocupar mais com todos os demais serviços prestados.

Até por que, como eu disse, simplesmente representar o cliente na justiça não é mais sinônimo de boa advocacia.

Nesse cenário, um gestor não conseguirá administrar todos esses novos serviços oriundos de um escritório inovador, se ele também precisar gastar seu tempo assinando petições e comparecendo em audiências.

Na verdade, ele não conseguirá nem mesmo imaginar outras formas de prestar advocacia, senão a clássica. O que impedirá a inovação em seu escritório.

Portanto, é ele o responsável por definir todos os tipos de serviços que seu escritório prestará. Seja o serviço clássico de um advogado, seja um serviço inovador, como educar seu público por meio de conteúdos jurídicos digitais.

Além disso, vai ser ele o responsável por mostrar ao público alvo esses novos serviços do seu escritório. Precisará, para tanto, definir as mídias sociais específicas de seu público e fazer um bom trabalho nelas.

Sem contar que essa figura precisará estar antenada a todo tipo de inovação, seja ela na advocacia ou em outro mercado.

Identificado um serviço inovador que pode ser prestado. O papel passa a ser implementá-lo na cultura do escritório e captar clientes com ele. Para quem já é cliente, por sua vez, esse novo serviço deverá ser agregado ao que já é prestado.

Enfim, é por todos esse motivos – e outros que serão tragos nas duas próximas semanas – que se pode afirmar:

Gestor de escritório de advocacia não é um gasto desnecessário.

Até semana que vem!

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