Gestor de Escritório de Advocacia: uma nova realidade [4/4]

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Chegamos ao último conteúdo dessa série!

Nessas últimas semanas, discutimos a respeito da importância de um gestor para o escritório de advocacia e seus integrantes.

Nesse “último episódio”, vamos falar sobre o processo de escolha desse gestor.

Quais são os desafios na definição da pessoa que ocupará este cargo?

O que o escritório deve levar em conta para definir seu gestor?

Continue a leitura e veja as respostas dessas perguntas.

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Desafios existentes na escolha de um gestor de escritório de advocacia

Quando o escritório define que precisa escolher um gestor, algumas perguntas devem ser respondidas. E as respostas nem sempre serão as mesmas para todos.

Não há uma fórmula mágica ou respostas pré-definidas.

Nesse sentido, não é a intenção desse texto responder as perguntas a seguir apresentadas, mas apresentá-las como provocações e desafios a serem superados.

Ademais, o envolvimento de todos os integrantes do escritório nessa escolha é fundamental. Cada integrante poderá contribuir com a sua experiência e com a realidade vivenciada dentro do escritório.

O gargalo que os mais jovens sofrem em um escritório, por exemplo, pode não ser percebido pelos advogados mais experientes.

Dito isso, vamos às principais perguntas que devem ser respondidas no processo de escolha de um gestor!

Solução caseira ou externa?

O gestor deve ser alguém que já trabalha no escritório? Ou deve ser alguém de fora, com alguma experiência em gestão ou administração de empresas?

As soluções caseiras possuem a vantagem de já estarem acostumadas com a realidade e com os valores do escritório.

Além disso, a pessoa que se torna gestora do escritório de advocacia onde já trabalha conhece de perto os principais gargalos e desafios da empresa. Sem contar que, o fato de já possuir relação com os integrantes do escritório facilita a mudança ou implementação de uma nova cultura.

Porém, a depender do tamanho do escritório, essa solução caseira pode não dar conta do recado. O que torna a solução externa, com mais experiência em gestão e menos relação prévia com o escritório, uma melhor escolha.

De fato, em escritórios maiores, com vários setores, é difícil tirar alguém de um setor específico para comandar os demais. Mesmo que essa pessoa seja a gestora do seu setor.

Em casos extremos, cada setor terá a sua cultura e os seus valores, o que pode gerar enormes conflitos quando alguém de um determinado setor ocupa um cargo (antes inexistente) de gestão de todos os setores.

O gestor deve ser advogado?

Imagem 2 - Gestor de escritório de Advocacia

Sem dúvidas, o exercício da advocacia é algo que deve ser levado em conta na hora da escolha do gestor do escritório.

Mas, será que essa experiência como advogado é imprescindível?

Assim como no tópico anterior, o tamanho do escritório pode ser decisivo nessa resposta.

Em pequenos escritórios, em que os problemas, em sua maioria, se relacionam com o cotidiano da advocacia, a experiência como advogado pode se tornar necessária.

Além disso, nesses escritórios, é comum que haja apenas uma pessoa voltada para a gestão. E por estar sozinha, é possível que o escritório exija a prática na advocacia, principalmente pela empatia com os demais advogados exigida pelo cargo.

Em escritórios maiores, é mais comum que essa característica seja dispensável. Principalmente pelo caráter corporativo desses escritórios, o que – em geral – resulta em gargalos comuns a qualquer empresa.

E por ter uma equipe de mais de uma pessoa, que geralmente inclui advogados, essa exigência sobre o cargo de gestor se torna desnecessária.

O Advogado que vira gestor pode ter aspirações de voltar à advocacia?

Algo muito comum nos escritórios de advocacia é um dos integrantes atuar como “gestor temporário”. Como uma pessoa que está na gestão mas que ainda guarda aspirações de voltar para a advocacia.

Em geral, isso acontece em escritórios pequenos, em que nenhum integrante quer assumir esse posto e o escritório também não quer contratar ninguém de fora.

Nesses casos, com o espírito de que será uma solução temporária, um dos advogados assume a gestão. Mas, seu coração ainda está na advocacia.  

Caso o escritório tome essa solução temporária e, ao mesmo tempo, busque uma solução permanente para o cargo, isso pode não atrapalhar.

No entanto, se o escritório não se preocupar em encontrar essa solução permanente, isso pode gerar sérios prejuízos.

Primeiro, por que não será saudável para o advogado que está na gestão de forma temporária. Se a sua paixão é a advocacia, ou ele irá sofrer muito em trabalhar em um escritório de advocacia, mas não advogar, ou irá sofrer com sobrecarga de trabalho.

Segundo, por que não será saudável para o próprio escritório.

Como dito no primeiro conteúdo desta série, o gestor não pode se preocupar em advogar ao mesmo tempo em que se preocupa com a gestão. Em outras palavras, o gestor deve estar no cargo em que ocupa por vocação, e não por obrigação.

Caso contrário, nenhum benefício mencionado nas três últimas semanas será alcançado.

Conclusão

Ao longo dessa série percebemos que o cenário da advocacia 4.0 exige dos escritórios uma equipe multidisciplinar.

O modelo padrão, com escritórios formados apenas por advogados, está com os dias contados.

A presença de profissionais de diversas áreas, como tecnologia e marketing, será cada vez mais comum .

Nesse aspecto, um desses profissionais se torna fundamental.

Pudemos discutir sobre ele ao longo dessas semanas. E sobre as suas principais características, concluímos que deve ser uma pessoa criativa, curiosa e com perfil de liderança.  

Se o seu escritório ainda não tem o cargo de gestor do escritório, pense a respeito.

Exercer sua advocacia do jeito que a advocacia sempre foi exercida não levará seu escritório à inovação.

Até semana que vem!

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