#46: COVID-19 e os desafios na advocacia – c/ Gustavo Sudbrack

COVID-19 e os Desafios na Advocacia - c/ Gustavo Sudbrack
58 minutos para ler

Quais os desafios que a advocacia enfrenta com o COVID-19?

Como a advocacia costuma se comportar diante de crises econômicas?

Quais oportunidades surgem para os advogados nesse período? Quais as tendências para o “mundo pós covid-19”? Quais as ferramentas podem auxiliar no home office?

E, como manter a saúde mental durante esse período?

No episódio # do Laywer to Lawyer, o podcast da Freelaw, Gabriel Magalhães entrevista Gustavo Sudbrack.

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Gustavo Sudbrack

Ele é Advogado e Empreendedor Gaúcho, formado na Universidade Federal do Rio Grande do Sul, com especialização em Direito Empresarial. 

Morou três anos em Shanghai, China, onde dedicou estudos sobre empreendedorismo, Inovação, Direito Digital, Direito 4.0, Novas Tecnologias e Inovação aplicada ao Direito e Empreendedorismo.

É co-fundador do SLAP.law e Co-fundador Slap – primeiro hub de inovação jurídica do RS. Head de Inovação do Lini e Pandolfi. 

Embaixador da AB2L Porto Alegre e membro do Comitê Executivo do Legal Hackers Porto Alegre. Além de ser membro do coletivo de advogados Nós8.

Gabriel Magalhães

É um dos fundadores da Freelaw e o Host do Lawyer to Lawyer. É bacharel em Direito pela Faculdade Milton Campos.  

Possui formação em Coaching Executivo Organizacional, pelo Instituto Opus e Leading Group.    

Formação em Mediação de Conflitos, pelo IMAB, e em Mediação Organizacional, pela Trigon e pelo Instituto Ecossocial. Certificações em Inbound Marketing, Inside Sales e Product Management pelo Hubspot, RD University, Universidade Rock Content, Gama Academy e Tera, respectivamente.      

Escute o episódio em seu player de áudio favorito e leia o resumo do episódio abaixo que conta com todas as referências citadas durante a gravação.  

Gabriel: Olá o advogado, olá advogada, seja bem vindo, seja bem vinda a mais um Lawyer to Lawyer da Freelaw. 

Eu sou o Gabriel Magalhães e no episódio de hoje estou com o prazer de estar aqui com uma pessoa com um nome bem difícil, Gustavo Sudbrack.

Gustavo: Acertou em cheio! 

Gabriel: Bom, o episódio de hoje tenho certeza que vocês vão gostar bastante. O Gustavo, antes de falar do currículo dele, eu já queria trazer um contexto que há dois anos, lá no início da Freelaw, eu busquei o Gustavo como uma das referências do ecossistema para dar mentoria para a gente, naquela época. 

A gente estava saindo com um projeto e tive uma conversa com ele que contribuiu bastante para o desenvolvimento da nossa empresa. 

Então desde o início lá, a gente viu o Gustavo como referência que ele é e consolidou ainda mais a trajetória dele no ecossistema de inovação e tecnologia. 

Então, para a gente, estar com você aqui, Gustavo, é uma honra muito grande.

Gustavo: A honra toda minha, prazer todo meu falar contigo, Gabriel. 

Acho que essa questão de referência mudou um pouco, estávamos começando e, hoje, acho que a grande referência aqui é tu, de verdade. 

Sou fã do trabalho de vocês e é verdadeiro isso. Eu venho acompanhando, te falei isso esses dias. 

Então eu fico muito feliz de ver a escalada da Freelaw e a tua pessoal, conversei contigo e a gente teve bastante simpatia um pelo outro e fico bem feliz em ver a evolução da Freelaw, do podcast e de ti pessoalmente, também.

Gabriel: Muito obrigado, Gustavo. 

E, bom, Gustavo, pessoal – para que ainda não conhece ele – ele é advogado, ele é empreendedor gaúcho, é formado na Universidade Federal do Rio Grande do Sul, ele tem especialização em Direito Empresarial. 

Morou três anos em Xangai, na China, onde identificou o estudo sobre Empreendedorismo, Inovação, Direito Digital, Direito 4.0, Novas Tecnologias e Inovação Aplicada ao Direito e empreendedorismo. 

Eu estava falando com vocês que ele é especialista mesmo, viu? 

Ele também é cofundador do Slap Law e cofundador do Slap, que é o primeiro Hub de Inovação Jurídica do Rio Grande do Sul. 

Além disso, ele é head de inovação do Lini e do Pandolfi, que são iniciativas de impacto social dentro do Direito. 

Ele também é embaixador da B2L, de Porto Alegre, também membro do Comitê Executivo do Legal Hackers de Porto Alegre. Por fim, ele também é membro do coletivo de advogados do Nós 8. 

O currículo do Gustavo já fala muito por si. Tenho certeza que vai ser uma conversa bem bacana, a gente está em tempos difíceis na data de gravação desse podcast. O tema de hoje é “o Covid-19 e advocacia em tempos de crise”. 

Nesse episódio, Gustavo vai contar um pouquinho da trajetória dele. A gente também vai falar um pouco dos desafios da advocacia Home Office. 

Também vamos falar do que a gente pode fazer para combater essa crise e quais são as tendências para a advocacia nesse mundo pós Covid-19, o que vai ter de bom e o que vai ter de ruim.

Seja bem vindo, Gustavo É um prazer estar te recebendo aqui hoje.

Gustavo:  O prazer é todo meu, como eu já disse. Obrigado! Eu espero que seja proveitoso para todos nós. 

Eu tenho certeza que vou aprender aqui contigo. E esse é o meu mote de vida: seguir aprendendo. 

A interação com as pessoas sempre tem um residual de aprendizagem, sempre aprender uns com os outros, então prazer todo o meu. Espero que seja proveitoso para quem está nos ouvindo também.

Trajetória Profissional

Gabriel:  Obrigado, Gustavo. E assim, dentro do seu currículo, o que mais me chama atenção é a sua passagem lá na China. 

Conta um pouquinho, assim, um pouco da sua trajetória, o que você aprendeu lá na China, o que você está fazendo diferente na advocacia. 

E como que está sendo esse período para você? 

Você está bem? Sua família está bem? Como que está sendo esse momento no seu escritório e nas outras iniciativas que você tem?

Gustavo: Beleza. Vamos começar um pouquinho antes da China, porque faz sentido contextualizar até a ida para a China e o período anterior. 

Eu fui – e é engraçado porque isso não consta ali – mas eu fui funcionário público, assessor de desembargador do tribunal por sete anos, o Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul, e foi um período muito proveitoso. 

Eu realmente aprendi muito. Eu saí já na faculdade, já no tribunal como estagiário e virem secretário do desembargador e depois fui assessor. 

E eu tive… nos últimos dois anos desses sete, eu fiquei muito focado em entender o empreendedorismo, como é que seria o Direito Empresarial. Eu tinha feito várias decisões, já tinha julgado junto com o desembargador, ajudado a definir algumas… julgar algumas demandas super complexas. 

Eu tinha bastante interesse nessa área e dois amigos médicos me chamaram para fazer parte de uma iniciativa, que era uma startup de Medicina. 

Estava nascendo lá atrás e eles precisavam de um apoio jurídico, porque ela era uma plataforma de prontuário médico eletrônico, hoje está em voga, com a telemedicina – até um ponto que depois a gente pode conversar – mas houve uma aceleração agora da regulamentação da telemedicina. 

E naquela época, já havia algumas demandas relacionadas ao Direito Digital ou termos de uso e política de privacidade, e também questões relacionadas ao empreendedorismo, porque os médicos, em geral, não têm uma formação como os advogados, uma formação empresarial. 

Então eles tinham muitas dúvidas por onde começar. 

Como eu tinha uma visão mais de mercado, embora eu trabalhasse no tribunal, eu comecei a buscar as referências e aí tive contato com startup, com Tim Brown, que é o livro Design Thinking, que até hoje eu uso de referência diária, praticamente. E o livro do Business Model Canvas. Comecei naquela época, já faz oito anos, a me conectar com esse ecossistema. 

E aí depois, quando fechou sete anos, acho que foram oito anos de carreira pública, eu decidi que eu tinha que sair, acabei indo para um escritório de advocacia super tradicional aqui, grande, mas totalmente voltado para o contencioso estratégico empresarial. 

Lá no escritório eu gostei bastante, aprendi muito, tinha saído do tribunal sem muita noção de como era, de fato, advogar para empresas, e tive ali um contato super interessante com departamentos jurídicos e com demanda super complexas: desde ações de indenização hospitalares, que são ações muito dolorosas pro advogado das duas partes, tem um viés emocional muito grande. 

E demandas bem empresariais mesmo, litígios entre grandes empresas, questões contratuais e eu pude ver que era realmente aquele mercado que eu queria estar. 

Era a iniciativa privada, era estar no meio das empresas. 

E aí, nesse período, comecei a aprofundar os estudos de startups, já estava começando a ver essas grandes surgindo. 

A gente já estava todo mundo usando Google, Gmail e tal. E vinham essas novas startups aparecendo no Brasil, começavam a surgir iniciativas e uma certa demanda por advogados da área. 

E na época eu tentei criar um programa lá dentro do escritório que não terminou pela minha ida para a China. 

Então era um programa para atender startups. E eu peguei um papelão, fiz um canvas, apresentei para a diretoria do escritório, eles não conheciam, ficaram meio desconfiados antes, depois acharam interessante. 

Mas foi difícil rodar o projeto lá dentro, porque era uma história muito grande, focado em contencioso estratégico, muita demanda fiscal e muita demanda de massa. 

E aí não tinha um perfil muito consultivo para esse mercado. Eu fiquei com isso na cabeça, apresentei o projeto, me aproximei da Endeavor e de outras iniciativas, mas não consegui rodar o projeto da forma como eu queria. 

Nesse período pós tribunal, eu estava nesse escritório, estava feliz e estava motivado, mas a minha esposa recebeu uma proposta para morar na China e como a gente sempre gostou de viajar, a gente já tinha se conhecido, inclusive, em Londres, quando os dois eram bem jovens, estávamos lá fazendo um intercâmbio. 

A gente se conheceu em Londres, então a gente já tinha um perfil de gostar de viajar, quando veio a proposta de ir para a China, ela já tinha ido várias vezes, porque trabalha numa empresa que tem relações com a China bem fortes. 

A gente recebeu esse convite com bastante alegria e em um mês a gente acabou se mudando para a China. 

Então foi um rompimento, foram dois rompimentos em sequência na minha trajetória, foi a saída do tribunal, que foi difícil porque eu tinha uma carreira estabilizada, e depois a saída para a China, logo em seguida. 

Então, resumindo, o pré tem a ver com… o porquê eu fiz essa introdução tem a ver como a chegada na China. Quando eu fui para a China, eu já fui sabendo que eu não poderia trabalhar, não formalmente, e tampouco poderia trabalhar em algum escritório ou alguma empresa chinesa na área jurídica. 

Porque o mercado jurídico chinês é super fechado, super complexo, e o Brasil estava naquela crise bem forte lá de 2015, 2016 e não tinha os escritórios brasileiros que lá tem representantes, eles têm uma secretária e um advogado, quando muito, e eles estavam com as operações muito reduzidas, então não tinha muita perspectiva na área jurídica. 

Nesse cenário, já focado em entender um pouco mais tecnologia, de empreendedorismo, eu comecei a direcionar o meu interesse, lá na China, para esse mercado. 

E aí acabei empreendendo em algumas outras áreas, não relacionadas à tecnologia, mas muito para fazer alguma coisa do zero. 

Eu tinha esse interesse em ser empreendedor, e aí eu desenvolvi, eu abri uma empresa de comida congelada, tentei importar, aliás, exportar equipamentos para o Brasil, mas era uma época muito de crise.

Então os grandes traders estavam fazendo o que eu estava tentando fazer, que era começar pequeno, então vi que a escalada ia ser difícil e fui me desenvolvendo. 

Dei aula de português para chineses, que é engraçado porque eu dava aula em inglês de português para chineses. Era uma aula de nível complexo, e fui me desenvolvendo, fui conhecendo gente.

E perto de voltar, depois de dois anos de China, comecei a voltar para o Direito. 

Eu tinha, quando eu cheguei na China por não poder atuar lá, eu tive uma certa negação ao Direito, eu disse “olha, não posso advogar aqui, vou continuar me atualizando, mas não sei o que a vida está preparando para mim. 

Vou continuar estudando, melhorando o meu inglês, vou estudar o chinês e vou me desenvolvendo, vou empreendendo, criando iniciativas e me desenvolvendo como pessoa, enfim, até eu ter uma definição para onde eu vou.”

Mas no segundo ano de China, comecei a voltar às minhas origens, senti que só estudar empreendedorismo e tentar empreender iniciativas pequenas lá, não estava me bastando. 

Então, perto de completar dois anos, já sabendo que a gente tinha renovado por mais um ano, a gente foi inicialmente por dois, mas estendeu para três, beirando o segundo ano, eu comecei a realmente focar os estudos para a inovação jurídica. 

Eu tinha certeza que voltar para um escritório tradicional eu não queria, não queria o contencioso de massa, não queria esse contencioso que depende de muitos tribunais, que depende de grandes contas corporativas, que trocam muito fácil de advogados, então tu tá sempre numa incerteza. 

Eu queria fazer algo diferente relacionado ao Direito e tecnologia.

E aí comecei a mergulhar nesse universo. Aproveitei que eu tinha muito tempo lá, porque morando muito, muito longe, como é a China, a gente acaba tendo tempo, porque a família não tá perto, os amigos não estão tão perto. 

Então tu tens mais tempo para estudar, para se dedicar e eu mergulhei nesse mercado de inovação jurídica, startups, comecem a ver o que estava acontecendo no mundo, o que estava acontecendo na Ásia e fui me desenvolvendo como profissional, academicamente. 

E aí comecei, já encerrando essa introdução de China, tentando fazer um trabalho de home office, que é engraçado porque vai ter a ver com o que a gente vai conversar. 

Eu tentei atender alguns clientes da China, clientes no Brasil, e eu não conseguia, porque a negativa sempre era no sentido de que o advogado tinha que estar no Brasil, como é que eles vão contratar um advogado brasileiro que não está no Brasil? 

Que não tinha como fazer reunião presencial, enfim.

E aí comecei a me frustrar e comecei a me oferecer para trabalhar de graça. E aí fiz alguns trabalhos. E foi legal, porque eu comecei a focar bastante em matérias que tinham poucos advogados no Brasil trabalhando. 

E uma delas foi o blockchain e os ICOs na época, começaram a bombar no Brasil e no mundo. Inclusive hoje, um dos clientes do nosso escritório de advocacia para startups, foi uma das pessoas que eu ajudei num whitepaper, que eles fizeram, na época, pro lançamento de uma moeda, uma coin, chamava Wbil o nome da empresa. Eles faziam uma moeda com dados de saúde, enfim. 

E eu ajudei a revisar o whitepaper e pedi para poder revisar de graça, porque ninguém estava aceitando o meu trabalho como home office. E eu estava com uma dificuldade de me inserir no mercado. 

Então esse é o resumo de China, assim, eu aproveitei muito para viajar. Minha esposa viajava muito pela Ásia. 

A gente acabou indo para a Índia duas vezes, então quando ela podia ir a trabalho, eu conseguia também ir junto para dar uma mergulhada nas sociedades, enfim, nas culturas diferentes. 

Então, pude ir várias vezes para Hong Kong, que é um lugar, também, completamente diferente de tudo o que a gente já viu, várias passadas pelos Estados Unidos, Europa. 

Então nas idas e vindas sempre dava para parar em algum lugar, então conheci, enfim, Dubai, toda a Ásia, foi bem interessante, foi uma riqueza cultural gigante. 

E eu tinha bastante tempo para estudar, então consegui estudar o que estava pensando em voltar e aplicar, eu acho que me deu um diferencial competitivo bastante grande esse período sabático lá, que não foi tão sabático assim, mas eu tive bastante tempo para me desenvolver. 

Eu acho que é isso, já falei demais.

Gabriel: Eu acho que sempre é tempo para a gente se reinventar, acho que, às vezes, a gente se coloca num quadrado e acha que é aquilo o resto da vida. 

E, assim, o covid-19 está mostrando isso para a gente, o mundo rápido está mostrando isso para a gente, que um dia tudo pode mudar. 

Agora existe um mundo antes do covid-19 e um mundo depois do covid-19. 

Assim que surge uma nova tecnologia vai ser o mesmo e a gente pode aproveitar diferentes formas. “Será que preciso ser assessor, o resto da minha vida, se eu não gosto daquilo?” 

“Será que eu preciso?” 

Às vezes eu posso empreender, eu posso ter um negócio, voltar a ser advogado. Acho que um pouco do que você traz me ressalta muito isso nos olhos. 

Eu vi muitos advogados se colocando numa caixa, querendo fazer a mesma coisa sempre. O advogado que consegue fazer muitas coisas diferentes, ele cria uma bagagem única de vida e acaba que ele consegue se adaptar de uma forma mais rápida. 

A advocacia Home Office

Gabriel: E assim Gustavo, você falou que já teve problema com a advocacia home office, mesmo tendo histórico de inovação, mesmo já estudando metodologias startups.

Como que foi esse momento agora, com a crise atual, com um isolamento social, para vocês nas iniciativas que você trabalha? 

Quais são os desafios que estão passando hoje? 

Como que vocês estão resolvendo isso?

Gustavo: Eu faço parte de várias iniciativas. Algumas empresas, empresariais, não os escritórios, são empresas hoje em dia. 

Então, em cada uma delas o desafio se apresenta de uma forma diferente. Mas o que foi mais comum dentre todas as iniciativas, foi a velocidade com que a gente teve que tomar a decisão de encerrar as atividades físicas e partir para o home office.

O home office é uma metodologia de trabalho, e eu acho que é uma metodologia mesmo super interessante, eu acho que tem áreas que ela tem mais valor e outras que ela é mais difícil de implementar. 

Eu acho que tem profissionais que se dão melhor no home office – e não sou eu que acho, todo mundo sabe – tem profissionais que trabalham melhor, profissionais trabalham pior, mas da forma como foi feita, foi um  home office às pressas, que trouxe muitos desafios para as organizações. 

Então organizações que nunca trabalharam com home office, passaram a ter um desafio, às vezes, de infraestrutura gigantesco. 

Se tu trabalhas como uma estrutura em que as pessoas não têm, por exemplo, notebooks para trabalhar, elas não têm um acesso seguro, remoto, elas não têm os ambientes nos domicílios adequados para o trabalho, pro home office. 

Esse seria, talvez, para grandes estruturas muito, e não digo nem analógicas, mas muito focadas no espaço de entrega do trabalho, um grande desafio. 

A gente passou isso nos escritórios grandes, onde eu sou head de Inovação, a gente teve que se reinventar do dia para a noite porque na sexta feira anterior à nossa parada, que nós encerramos as atividades nos escritórios, aí no Hub, dia dezesseis de março, então no final de semana anterior nós estávamos já apreensivos de como a gente lidaria com essa situação. 

Mas na segunda feira, em um gabinete de crise, a gente decidiu que encerraria as atividades locais nos dois escritórios, no Slap Law e no Lini Pandolfi, assim como no Slap Hub, que é um espaço de inovação, então tem muito a ver com o local e cancelaríamos todos os cursos e eventos presenciais que o Hub já tinha trazido patrocinado. 

Então, para nós, foi um impacto de todas as formas. O impacto de grandes estruturas é o que eu disse: é ser pego do dia para a noite, sem ter um programa de home office. 

Isso impacta financeiramente, impacta a moral do time e pode impactar a própria entrega. 

A gente, por sorte, conseguiu um time super dedicado. A gente continuou entregando, a gente tem métricas e tem os nossos acompanhamentos de prazos no escritório Lini Pandolfi, que é de Direito Social. 

Então ele atende consumidor, reclamante e segurado do INSS. E a gente tem uma demanda muito grande de clientes, os clientes todos com muito medo. 

Então a gente tem que fazer todo um canal de comunicação com os clientes, às pressas. E, embora estivesse fechando escritório, comunicando que fisicamente não estaríamos mais lá, estaríamos totalmente disponíveis. 

Então, esse foi um grande desafio, assim como estrutura maior, como, de fato, organizar esse trabalho remoto. 

E claro que os prazos suspensos deram uma aliviada, mas como é uma estrutura grande, ela tem todo um departamento financeiro, tem um departamento de RH, tem todo um time de advogados que precisa ser coordenado para que os movimentos sejam bem feitos. 

As pessoas têm que se sentir ao mesmo tempo engajadas, elas têm que se sentir parte da organização, porque neste momento de crise, o que as pessoas não deveriam sentir, que acontece muito, é uma pressão até pelo lado do empregador ou do teu sócio majoritário de que tu estás em risco. 

É um momento de mandar as pessoas, por conta de uma crise, é um momento que nós acreditamos que o sócio majoritário, o empregador, ou quem seja, tem que oferecer o mínimo de tranquilidade também.

Só que é difícil ter tranquilidade quanto tem se tomar algumas medidas de forma muito rápida e sem muita preparação. Então numa estrutura grande, eu acho que esse é um grande desafio.

Numa estrutura menor, como é Slap Law, que é o nosso escritório de tecnologia – e esse é o escritório que hoje eu sou o gestor – nosso foco são empresas de tecnologias, startups, as empresas de crescimento acelerado, então baseadas em tecnologia, basicamente.

Esse escritório ele tem um ano desde que foi aberto. E, embora seja muito focado em tecnologia, ele tem uma operação local e é dentro do Hub, do Slap Hub. 

E essa operação local ela é muito forte, presencialmente, porque eu tenho uma crença que cultura não se constrói remotamente ou é muito mais difícil construir cultura de uma forma remota. 

Então a gente tem com o nosso time lá um compromisso de entrega de tempo no escritório, hoje em dia. 

Porque até a gente criar uma cultura como escritório, até a gente se conhecer como colega de trabalho, saber quem tem as melhores qualidades, quem consegue entregar mais em que área, a gente precisa ter um contato humano. 

E ali sim, eu sinto uma falta do contato, do convívio, porque a gente está nessa construção de cultura. 

Ontem eu tava falando com o Bruno Feigelson, a gente tem uma linha muito próxima de pessoas, muito parecida de pessoas. 

Eu sou um advogado, um empreendedor, enfim, um entusiasta de negócios. Mas eu sou, mais do que tudo, um entusiasta do relacionamento com pessoas. Eu sinto muita falta. 

Eu seria uma pessoa que não gostaria de trabalhar em home office, porque eu sinto muita falta de interação humana e acho que cultura se faz com interação. 

Então, na estrutura menor, o home office já é mais fácil, a entrega é mais fácil, porque a gente roda todo o escritório em plataformas de Cláudio. 

A gente não tem um contencioso muito grande, a gente tem um cliente só que tem um contencioso mais relevante ali, porque é uma startup, uma Fintec, que precisou entrar numa rota desse contencioso, que é uma recuperação judicial. 

Então, a gente, embora tenha essa recuperação, a gente consegue operar muito bem formado home office, mas ali o desafio é não desembargar, é não perder a cultura do escritório. 

Então, com esse time a gente fala todos os dias, a gente fala muito para ver se estão todos bem. Se eles estão em casa seguros, porque a entrega está acontecendo muito mais fácil. 

Então a entrega jurídica de um escritório menor, focado em tecnologia, é muito mais fácil. 

A gente já roda escritório dentro de plataformas de workflow, que não são jurídicas, não é específica jurídica, é uma plataforma mais geral, tipo Trello, a gente usa uma outra aqui de um pessoal de Florianópolis. 

E, então, o escritório não tem grandes problemas de rodar sozinho, está funcionando muito bem. 

A nossas entregas jurídica estão funcionando, a gente tem conseguido entregar o que os clientes têm demandado, a gente tem conseguido ter uma atenção muito legal na produção de conteúdo. 

Então, para nós, tem sido muito bom o desafio de cultura e de saber se estão todos bem. O meu desafio como gestor é esse.

Em operações maiores, como eu disse, é realmente a operação. É continuar andando numa operação que não foi projetada, não está programada para operar distribuidamente.

E o último ponto, desculpa te cortar, o último ponto é a relação das pessoas em casa. 

É um home office forçado, em que as pessoas não podem sair, porque é um isolamento, e tem todas as demandas, especialmente pessoas que têm filhos, têm família, as dificuldades alternam. 

Tem pessoas que têm certa dificuldade, tem que ter um contato muito próximo para entender o que cada um está sentindo, o que cada um está passando. 

Esse tem sido um cuidado que a gente tem tido muito importante.

Dicas e Ferramentas para Home Office

Gabriel: Estou vendo aqui, Gustavo, que você está falando bastante da sua rotina, também de ferramentas que vocês estão utilizando e práticas nesse momento difícil. 

Eu queria saber se você poderia aprofundar um pouquinho mais nisso, que eu acho que vai ser bem útil para os colegas advogados e advogadas.

Gustavo: Gabriel, bom, são duas operações que demandam realmente trabalho agora, porque o Hub, como eu disse, as operações são pausadas, muito focada na vertical de educação, e os eventos e os cursos estão suspensos. 

Então, basicamente, as duas operações, que são o Slap Law e o Lini Pandolfi seguem e têm desafios diferentes. 

O Slap Law é mais preparado para o momento de home office. 

A gente consegue trabalhar muito mais tranquilo como equipe, de casa, a gente usa ferramentas de workflow, a gente tem poucos processos, na verdade, contencioso, a gente não tem muitas demandas, tem um cliente só, que nos gera algumas demandas de contencioso cível e empresarial, que é uma fintec, uma startup que passa por uma recuperação judicial, que algo até peculiar. 

Então esse trabalho a gente tem uma rotina, do Slap Law, a gente tem uma rotina de calls diárias, a gente conversa com o time todos os dias, a gente vê se estão todos bem, a gente alinha o que precisa ser entregue, a gente tem conseguido entregar muito bem pros nossos clientes, basicamente trabalho consultivo e de estruturação jurídica para startups.

Gabriel: Qual o software que vocês utilizam?

Gustavo: A gente usa Airbox, é um software de Florianópolis. Ele esta edição até acelerados na Cat que é a Associação Catarinense Tecnologia, e ele é parecido com o Trello, mas ele tem uma parte de CRM junto. 

Então, ele é um workflow, ele é um Kanban com cards, que tu vai movendo conforme a etapa de execução da tarefa. Mas ele tem uma parte CRM, de relacionamento com o cliente, que nos pareceu bem interessante, então, a gente usa o  Airbox. 

Mas a gente também usa, desculpa, um software jurídico, o Astrea, para acompanhamento de prazos e as demandas que são bem do contencioso, no Slap Law.

Gabriel: Só para quem não sabe, o Kanban é uma metodologia ágil que é muito utilizada no desenvolvimento de softwares, a gente tem alguns episódios aqui no podcast sobre isso, também.

A gente entrevistou a Júlia Amaral, que ela falou sobre metodologias ágeis para advogados. A gente, também, tem uma aula no YouTube, no nosso curso online, específica sobre isso. 

E sobre o Astreia, esteve oportunidade de entrevistar Marcela, que é da Aurum. 

Inclusive, ela foi a última entrevistada, antes desse episódio, ela falou também um pouquinho desse software, se vocês quiserem saber mais.

Gustavo: São dois softwares que a gente usa e também porque a estrutura desse escritório é voltada para a empresa de tecnologia, então a gente usa, basicamente, todas as plataformas do Gmail e do Google, então a gente usa o G Suite para toda a comunicação interna. 

Então a gente tem salas de comunicação dos clientes dentro do Google e a gente tem todos os e-mails das funcionalidades do Google normal, Hangouts para as reuniões.

Enfim, então essa estruturação mais fácil de operar, o Slack, porque ele é mais uma operação mais enxuta, mais jovem, que já começou nesse mundo digital. 

A gente não tem nenhum papel, a gente é uma operação paperless total e então fica mais fácil de ter um trabalho distribuído. 

A gente está focando bastante em conteúdo e esse é um trabalho basicamente meio fulltime. Eu estou com o time o dia inteiro nas entregas, a gente tem acompanhado nossos clientes, conversado com os clientes quase que semanalmente. Todos os clientes da base são contatados para saber se precisam de alguma coisa. 

Então, a gente está trabalhando muito nessa proximidade com o cliente e na proatividade. Então tem sido um canal. 

No escritório maior, a demanda comigo, basicamente, é produção de conteúdo, porque o escritório já tem uma operação consistente, então ela não parou, embora os prazos judiciais tenham parado. 

A operação de Direito Previdenciário, por exemplo, ela segue, porque a gente tem toda uma parte de preparação das ações, todos os documentos têm que ser juntados, enfim. 

E a parte de tecnologia, que é onde eu toco, em marketing, esse braço segue mais forte do que nunca, porque a gente está aproveitando a aceleração que o covid-19 causou para transformação digital, em geral.

Então a gente tem feito também calls diárias, tem falado muito em WhatsApp, não tem como, acho que todo mundo tem falado muito, embora tenha muita gente me adicionado no Telegram, eu não gosto muito. 

Gosto do WhatsApp mesmo, então as operações são remotas. 

E, cara, a carga horária, no meu caso, tem sido muito grande, porque eu também quero produzir muito conteúdo. 

Então é do meu perfil também ser alguém muito ativo, eu gosto de estar produzindo. Então, dentro da minha rotina em casa, tem sido: levanta, toma café, se ajeita, senta numa mesa bem posicionado, como se fosse uma mesa de trabalho, fone nos ouvidos e produção com alguns times e estar próximo dos times. 

Eu acho que esse, talvez, na nossa rotina aqui, tenha sido nosso principal foco: estar próximo dos times e ajudar os times a não ficarem paralisados. 

Esse tem sido um norte nosso. Passar segurança de que as coisas estão andando e que a gente está cuidando da operação em alto nível. 

Mas que a gente precisa deles também para as entregas e que se mantenham motivados e nos ajudando a manter os escritórios funcionando a pleno vapor.

Gabriel: Aí fica um bom exemplo que o Gustavo trouxe, que qualquer advogado ou advogada que esteja escutando pode aplicar também, é basicamente prezar pelos rituais de equipe, de comunicação. 

Nesse momento é difícil de ter um alinhamento, então se a gente tem uma comunicação constante e frequente pelo WhatsApp, por ligação, a gente diminui a fricção. 

Acaba que, como a gente não tem a comunicação não verbal, vai ter algum desentendimento, mas a gente faz o possível para manter o alinhamento e eles estão fazendo isso. 

Além disso, ele já trouxe algumas ferramentas que vocês podem usar, que ajudam vocês a implementar a metodologias ágeis.

Os Impactos do COVID-19

Gabriel: E assim, Gustavo, a gente está num momento difícil, é inegavelmente, psicologicamente para todo mundo. 

E muito se fala também da crise econômica que o coronavírus está trazendo, a gente já está começando a ver esse impacto, e a tendência é ficar cada vez maior. Muitas pessoas falam que vai ser uma depressão, maior crise desde a Segunda Guerra Mundial. 

Por outro lado, o Direito ele, historicamente, ele se dá bem em crise. O Direito é conhecido por se dar bem em crise, porque em crise tem muito conflito. 

É óbvio que tem algumas áreas do Direito, elas geralmente, elas perdem mais demandas, outras áreas têm mais demandas. 

Como que você está vendo isso do ponto de vista de mercado mesmo? 

Não quero entrar aqui nessa discussão sobre a questão da saúde, que é super importante, a gente tem que seguir as orientações da OMS, que também as autoridades estão trazendo. 

Acho que isso é o principal. Mas trazendo para a outra discussão, que também é muito importante para esse momento, como que você vê isso?

Gustavo: Vamos fazer uma abordagem bem profissional e fria. Todos nós aqui nos comparecemos com tudo que está acontecendo. A gente não precisa se estender muito nisso, a gente também tem medo. 

É importante dizer, porque, às vezes, as falas parecem muito positivas. É óbvio que eu tenho medo de ter alguma coisa, de meus pais, um parente próximo, um amigo ou familiar e de pessoas distantes. Eu tenho medo do caos que pode ficar uma cidade, enfim. 

Então assim, vamos separar. Todos temos medo. A gente tem que ter cuidado quando fala da parte mais materialista dessa crise, mas agora, separando então, falando desse lado positivo ou dessa oportunidade que pode nascer, ela vai ser fria, porque há uma análise fria. 

Bom, o primeiro ponto que a gente tem que eu estava pensando aqui, é o número de mortes. 

Cara, isso gera uma demanda para advogados de inventários, demandas familiares, demandas de diversas verticais relacionadas ao tema “Morte”. 

Esse é o primeiro e evidente e mais triste das repercussões que pode ter. 

Mas fora isso, a gente está falando de mudança radical na forma como o trabalho é entregue na maioria das instituições. 

Então, as empresas, os órgãos públicos, os órgãos federais, municipais, estaduais, estão todos trabalhando, de certa forma, isolados, grupos sendo expostos a riscos do covid-19. 

Então, também tem uma demanda, vamos ter demanda trabalhista, e as modificações de quem está isolado, têm as demandas e as modificações que está no combate. 

Então a gente tem muita questão de insalubridade, a gente tem questão do trabalho exposto a um agente que pode trazer danos graves.Tem sim um lado trabalhista de preocupação. 

Tem um lado social muito grande. A Previdência Social tem sido um amparo e vai ser, se Deus quiser, enfim, a expressão… eu sou mais laico nessa posição. 

Mas, enfim, usei a expressão religiosa. 

Se tudo der certo, a gente vai conseguir com que o INSS implemente, via Ministério da Economia, todos esses canais de distribuição de renda agora, nesse momento crítico, mas vão ter muitas discussões. 

A gente tem vários tipos de benefício do INSS que dependem de perícia, outros não dependem. Está mudando de um dia para o outro. 

Tem todas as questões relacionadas ao Direito do Consumidor, tem toda relação do turismo, entretenimento. 

Tem cidades inteiras que estão sofrendo um impacto gigantesco, como as cidades turísticas. 

A gente tem o exemplo clássico do Rio de Janeiro, mas a gente tem exemplos de Campos de Jordão, Gramado aqui no Sul, são cidades com muito potencial, cem por cento vocacionadas para o turismo, elas não têm indústria e o comércio é baseado no turismo.

Como uma cidade dessa vai se reorganizar pós crise? 

As empresas vão falir, com certeza, escritórios vão falir, pessoas vão parar de trabalhar, muitas pessoas vão tentar se aposentar, porque depois da crise vem uma paralisia e às vezes, vem o medo de ser pego novamente, de não estar aposentado a tempo de curtir os seus netos, enfim, uma frase que se escuta muito do Direito Previdenciário. “Ah, eu preciso me aposentar para aproveitar, agora que eu tenho condições”.

Então é sim uma ebulição de direitos, deveres, relacionamentos, os contratos rescindidos, cancelamentos de pedidos. 

O lado da pessoa física é um mercado que vai estar muito em ebulição, vai ter muita demanda. O lado empresarial também é impactado em todas as esferas, porque é um lockdown desse que está sendo feito, não só o lockdown, mas a crise posterior também gera muitas falências, muitos pedidos de recuperação judicial, o pedido de recuperação judicial tem uma rolagem de dívida para frente. 

Isso pode ser um efeito cascata muito importante.

Então tem todas essas medidas do Ministério da Economia tentando dar um ajuste, o Banco Central, tem todos os bancos, tem os bancos privados tomando alguns caminhos, bancos públicos reduzindo por outro lado, fusões, aquisições, contratos que previam cláusulas de rescisão, de causas para não ir em frente com os acordos, para deixar no português e quais são as causas?

É possível com uma causa como o covid-19 seja motivo para desvalorizar uma empresa? Para não valorizar? Eu posso mudar a métrica de pagamento de algum investimento que eu fiz anterior?

Então tem muita, muita, muita demanda que a gente consegue prever e tem muitos – sendo bem frio – tem muitos caminhos que o advogado.

Inclusive o que está sem saber para que rumo levar, ele tem um tempo aqui de imersão que ele pode escolher um caminho, vai ter muita demanda ponto altamente nicho, assim. 

Tem profissional da saúde, essas pessoas que estão no olho do furacão, eles têm muitos tipos de demanda. 

Eles vão ter diversos questionamentos sobre horas trabalhadas, sobre infecção, sobre férias depois para cumprir, como é que funciona, como é que os hospitais vão se organizar depois. Tem muito profissional de saúde que já não tem mais carga horária, tudo estourado. 

Como é que vai se dar isso depois? 

Quem é que vai ajudar nessa colaboração, nessa mitigação dos prejuízos? 

Quem vai negociar com quem? 

Então eu vejo, sim, e concordo com o que tu disse. Eu não gosto muito desse estigma de que advogado ganha dinheiro com o problema, porque eu realmente acho que a gente tem que caminhar por uma advocacia muito mais negocial, muito mais consultiva, muito mais apaziguadora, muito menos litigiosa. 

Mas nesses momentos de crise é que, sim, aparece a importância daquele advogado antigo, do advogado que conhece o cliente, que senta com o cliente, que entende o problema do cliente, consegue se colocar no lugar do cliente e daqui a pouco consegue se colocar no lugar do cliente do cliente. 

Porque isso é uma coisa muito importante, é um momento em que as pessoas estão todas fragilizadas, todo mundo está fragilizado, então, seja comercialmente, seja pessoalmente. 

Então agora não é o momento de atritar as relações. É um momento de buscar uma conciliação, mas com certeza as pessoas não vão conseguir fazer sozinho. 

Na maior parte dos casos, a gente vai ver advogados sendo chamados. Porque as plataformas estão aí de negociação, mediação, mas com problemas mais complexos, elas não se bastam ainda. 

Então, a gente vai ou se socorrer do juiz, sem advogado, porque a gente está falando de pequenas causas, grandes causas, enfim. 

Mas basicamente, a gente precisa de conselheiros e esse é o papel do advogado, ao fim e ao cabo. 

E esse é o papel que eu acredito que o advogado do futuro vai continuar tendo e vai fortalecer, é esse contato com o cliente, ajudar o cliente a resolver o problema dele. É realmente entender o problema e ajudar a resolver. 

E por isso que a gente vê um grande potencial, agora o Tributário, a gente tem várias regras. 

Pô, a gente é o país das regras tributárias agora, com várias flexibilizações, vários regulamentos, várias alterações, então sim, acho que, friamente, é o momento que os advogados vão ter um grande ganho de demanda. 

Como nós vamos rentabilizar, se as pessoas vão ganhar muito dinheiro por conta da crise,  é um ponto que não cabe a mim responder. 

Cada um sabe da sua forma de monetizar, mas as demandas, sim, existirão. Basta a gente adaptar, entender, tendo empatia também com o momento. 

Não adianta agora o advogado achar que vai enriquecer nas costas de pessoas fragilizadas, porque isso até um ato desumano. 

Eu acho que sim, é o momento de a gente pensar friamente, como dar uma catapultada nos negócios jurídicos.

Gabriel: Eu acho que é saber flexibilizar mesmo, né? 

Porque, de fato, vai ter muita demanda, várias pessoas, talvez, não vão conseguir pagar. E talvez o tabelião cabelo da OAB não vai resolver agora. 

Vai ter empresário falido, que está precisando de uma ajuda e talvez, se você analisar de uma forma estratégica, vai fazer muito sentido que você apoie essa pessoa de uma forma preventiva, ajude ela agora, porque depois, quando ela sair da crise, ela vai lembrar de você e ela vai poder te contratar. 

Então talvez pode ser um momento de monetizar sim, mas ao mesmo tempo, ainda que não seja, é o momento de se aproximar das pessoas e cumprir com a função social do advogado, que é ajudar a Justiça a resolver problemas jurídicos, a evitar problemas jurídicos. 

E a gente está na, talvez, muitos estão falando que é a maior crise da história depois da Segunda Guerra.

E, se é a maior crise da história, vão ser os maiores problemas da história também. 

Os maiores problemas jurídicos que a gente nunca viu, e a gente precisa de pessoas preparadas para isso, para realmente atuar de uma forma preventiva.

O mundo antes e o mundo pós o covid-19

Gabriel: E, para a gente finalizar, eu queria saber o seguinte: Gustavo, quais são as tendências que você acha que vai ter agora no mundo pós covid-19? 

Muitas pessoas falando que existe um mundo antes do covid-19 e um mundo pós o covid-19. 

E também se você tivesse que falar um check-list de medidas para fazer ao combate a essas medidas aí da crise que afetam a todos, o que você acha que os escritórios podem fazer?

Gustavo: Beleza. Eu acho que a primeira pergunta era o que eu acho que era o ganho, um legado, assim. 

Eu acho que um legado para a profissão e vamos falar bem de advogado, eu acho que é a capacidade de trabalhar de forma distribuída. 

Então pessoas trabalhando com demandas independentes nas suas áreas, tentando atuar em conjunto, alguns, quando fazem parte de coletivas, mas também as pessoas, individualmente, verem que é possível fazer sozinho, é possível atender no home office, é possível criar conteúdo dentro de casa de uma forma mais fácil, mais rápida, mais ágil, sem tanto medo da formalidade, dos requisitos de boas práticas da internet, do Marketing Digital.

Então eu acho que eu vejo muito como um legado essa capacidade da gente, às vezes, se bastar. 

Porque em casa tá todo mundo com um filho passando junto, tem alguém fazendo barulho, a internet não está funcionando, então a gente está se adaptando constantemente nesse home office obrigatório, a capacidade de se virar, sabe, se adaptar, porque até isso é uma imposição da natureza, a gente tem que se adaptar. Frase do Darwin, atribuída a ele, eu não sei se realmente é dele. 

Mas é não o ser humano o mais forte nem o mais hábil que sobrevive, mas o que mais se adapta. 

Então acho que essa adaptação à nova realidade é uma característica que a gente vai levar com a gente. A gente vai ter, pós covid-19, visto que a gente consegue se adaptar em algumas formas do trabalho. E na advocacia, eu acho que essa forma distribuída e o potencial de horizontalização da profissão e das equipes eu acho que é muito importante, também. 

Tem muita equipe que trabalhou sempre junto, que dependeu do dia a dia, dependeu das conversas paralelas e que está tendo que se organizar diferente. 

Então está tendo que trazer a ideia, está tendo que pensar no seu sustento daqui para frente, na sua importância na corporação, no escritório, no departamento jurídico, sem estar presencialmente naquele local. 

Então as pessoas acabam tendo uma independência nessa horizontalização. Eu não estou só cumprindo o meu papel, porque se eu estou em casa em home office, eu tenho uma liberdade, mas eu tenho uma responsabilidade que me é imposta pela situação.

É preciso entregar valor, até para ser para continuar onde estou, eu preciso entregar esse valor, mas eu também, as pessoas acabam se empoderando pelo, usando um termo da moda, mas, pelo que eu tenho falado com os gestores, as pessoas têm se mostrado muito mais maduras, responsáveis e com aquele, uma expressão em inglês, mas é o undership: é o sentimento de dono. 

As pessoas estão longe, mas acabam mais perto. Elas estão pensando na sustentabilidade, na perpetuidade do negócio. 

Então, acho esse legado bem legal assim, em termos gerais, da advocacia, em termos de escritórios maiores também, acho super importante. 

E não deixa de ser uma tendência. A gente já vê, no mundo, esses sistemas mais distribuídos. É uma tendência até da desintermediação, da desmaterialização.

Então a gente tende a ter espaços diferentes, as pessoas trabalharem de forma remota, mas ainda assim, engajadas, ainda assim em times, fazendo parte de um todo, mas não necessariamente lá, fisicamente, batendo seu ponto, enfim, além de, claro, a responsabilidade individual, eu acho que isso é um ponto super importante. 

As pessoas estão tendo que se bastar por elas mesmas, tem muito conteúdo na internet, tem muita informação, mas as pessoas estão muito sozinhas no seu isolamento, seja com sua família, ela está ali, ela precisa se reinventar para não surtar nesse período. 

Então, eu acho que esse empoderamento, esse olhar de “sou responsável pelo que vai acontecer nesses dois meses e no que vai acontecer depois” é responsabilidade minha. 

Eu tenho que eu levantar, e fazer alguma coisa e buscar conteúdo e buscar me aprimorar, buscar uma linha nova de atuação. 

Eu acho que dois meses é bastante tempo. Tem um Ted, que agora não vou me lembrar o nome do cara, um Tedtalks, depois pode botar no show note, que basta, se eu não me engano, vinte e quatro horas ou dez horas, eu não lembro, eu acho que são vinte e quatro horas para se tornar mediano em alguma coisa, mas que tu já faz suficientemente bem. 

Então, cara, a gente estava calculando, são mais duzentos e cinquenta horas de trabalho que a gente tem de trabalho remoto. 

Nesse tempo, se tu não tiveres trabalho para entregar mesmo, tem muito tempo para produzir alguma coisa, para se desenvolver em alguma coisa. 

O próprio Seth Godin, ontem na live, estava dizendo que dois meses é suficiente para aprender algum tipo de programação de tecnologia, algum tipo de programação de linha de código, mesmo que seja básica, já é algo que te traz um potencial competitivo lá na frente para entender, para falar uma linguagem nova. 

Eles falavam muito de línguas, tem gente que tem o sonho de falar uma língua e nunca consegue parar uma hora por dia. Porque em dois meses, uma hora por dia dá um monte de horas. 

Às vezes, a pessoa sai do nível básico para o intermediário. Eu acho que isso vale para tudo, vale para a profissionalização do teu escritório, por exemplo, o advogado que nunca consegue profissionalizar, nunca consegue estruturar em workflows, nunca consegue entender uma ferramenta jurídica, por exemplo. 

“Ah, eu não sei como é que funciona o outsourcing jurídico”, aqui fazendo um jabá para Freelaw, porque acredito muito nesse modelo de negócio de vocês. 

“Cara, eu tenho recebido demanda de Direito Digital, mas o meu pessoal não tem capacidade, eu estou dizendo que eu não atendo.” 

Cara, vamos usar este momento para ver o que tem de tendência.

Pô, a terceirização ou o outsourcing jurídico é uma tendência no Brasil que vai crescer, vai continuar crescendo, e se tudo der certo, a Freelaw vai ser um grande case aí. 

Eu posso ampliar o meu leque de oferta, eu posso fazer o cross sell, que eles falam que é a venda cruzada, eu posso, claro, com muito cuidado, sempre cuidando com a mercantilização da advocacia, mas eu posso atender o meu cliente de outras formas, eu posso estudar ferramentas novas. 

Eu posso desenvolver algum canal de comunicação com o meu cliente. Eu posso me aproximar do meu cliente. 

Tem um israelense que escreve sobre inovação jurídica, que Nir Golin o nome dele também a gente põe aí, ele escreve bastante no Linkedin ele é do departamento jurídico de empresas, ele disse que esse é um momento em que o advogado tem que estar presente com o seu cliente, ligando e se aproximando e mostrando que se importa e mostrando que conhece o negócio do cliente. 

Então é uma tendência aqui, uma tendência, já que a pergunta era sobre a tendência, é conhecer o negócio do cliente. 

Eu acho que uma das grandes tendências da advocacia do futuro.  Seja conhecer muito do teu cliente. 

Então, quando tu atende pessoa física, de conhecer realmente aquela persona que é o teu cliente real, que é o teu cliente que conhece.

Porque a gente consegue se colocar no lugar dele, entender a forma que tu tem que falar, a forma como vai fazer um Stories do Instagram, se ele vai ter Instagram, se ele é ainda uma pessoa de Facebook e a mesma coisa para o mundo corporativo. 

Entender que tipo de métrica o teu cliente quer receber, aproveitar esse tempo para entender que o mundo mudou, o comportamento do departamento jurídico, hoje, ele é muito mais voltado para o departamento de compras, muito mais relacionado com métricas, estatística e preço do que realmente com a pompa do advogado, a pompa do escritório. 

Então, usar este momento para olhar para dentro, a superação, entender quem são os clientes, quais são os seus fluxos que vão ser melhorados. 

Eu acho que tem bastante coisa que a gente pode usar de tendência. Métricas, por exemplo, a gente nunca vê métrica no Direito. 

Então esse é um momento que a gente vai ter que ver métrica, a gente vai ter que melhorar nossa eficiência, a gente vai ter que falar mais com o cliente, a gente vai entender dores que a gente acha que não tem. 

Eu acho que por isso a aproximação com o cliente, que é muito importante nesse momento de crise, ligar para o seu cliente, dizer “cara, eu estou aqui. 

Conta comigo. Lembra que eu sou teu advogado, que eu sou teu consultor jurídico, enfim, e que eu posso te ajudar, eu estou aqui para te ajudar.”

Então, esse posicionamento te aproxima e, tu conhecendo seu cliente, talvez – vou deixar como principal tendência da advocacia – é conhecer o negócio do seu cliente ou, se tu trabalhas com pessoa física, conhecer o seu cliente ideal. 

Acho que essa talvez seja a grande tendência que a gente possa levar daqui para frente. 

E que a gente use esse período de trinta, sessenta, noventa dias para conhecer o nosso cliente, para mergulhar e entender até ferramentas, como é que eu conheço melhor meu cliente? 

Onde está o meu cliente? 

Então, usar esse período, eu usaria esse período muito nessa linha. Se for para deixar uma tendência é isso, sem extrapolar muito minha resposta.

Gabriel: Acho que a gente está num tempo que exige empatia, nossa empatia um com todo mundo, um tipo de solidariedade. 

E eu acho que o principal é a gente saber flexibilizar, talvez contratos de honorários. 

Às vezes o seu cliente não consegue cumprir, aí, neste momento, talvez seja melhor se preocupar em reter o seu cliente do que propriamente em cumprir um acordo que foi criado em um outro mundo, formou antes do covid-19. 

E com essa empatia, naturalmente você consegue se aproximar mais de clientes, aumentar a retenção, esse cliente vai ficar mais encantado por você e você consegue, quando sair dessa crise, sair mais forte. 

Certamente vai valorizar isso, nunca vai esquecer isso. Acho que têm muitas coisas que precisam ser feitas. 

Eu acho muito improvável que qualquer advogado, qualquer advogada que queira de fato inovar, usar a tecnologia e usar as melhores práticas de gestão nos seus escritórios de advocacia ou no departamento jurídico, já tenham tudo pronto. 

É muito difícil. Então poxa você tem… já definiu médicas no seu escritório? Você já mapeou os fluxos internos? 

Você já desenhou um novo procedimento de atendimento do cliente? 

Você criou um plano de combate ao covid-19 no seu escritório? 

Você começou a produzir conteúdo no seu escritório? 

Criou uma cadeia de produção de conteúdos, criou um site para seu escritório?

Então, tem um mundo de coisas que precisam ser feitas. E ainda que você não saiba nada disso, você pode aprender a fazer sozinho. 

Aqui na Freelaw mesmo, a gente já tem quase duzentos artigos no nosso blog publicados, mais de vinte aulas gratuitas no YouTube, no nosso curso online, que a gente passa todos esses conceitos, mais de quarenta episódios no podcast.

Então, se você quiser maratonar esse conteúdo, certamente podem ser úteis para você. Além disso tem curso no Coursera, na Udemy, muitos conteúdos que podem ser legais também para vocês. 

Acho que o momento de a gente agir. Talvez ficar parado, certamente, não vai ser a melhor opção, porque todo mundo corre um risco maior de não existir daqui a pouco, dos negócios falirem. Isso é uma tendência. 

Vai ter muito escritório falindo, principalmente escritórios autônomos, escritório de pequeno porte, também. Mas se a gente se preparar para isso, a gente diminui a chance disso acontecer. 

Então, fica o convite para todo mundo, por que não criar um plano de combate ao covid-19, um  plano estratégico para o escritório? Pode estar sendo uma oportunidade para todos. 

Você tem algum recado final, Gustavo?

Considerações Finais 

Gustavo: Ah, Gabriel, acho que tu mandou muito bem nessa última fala, eu estou completamente de acordo.

Acho que, só um ponto mais pessoal ali, claro que tem muita gente que está sofrendo nesse momento e o sofrimento psicológico mais grave e a gente não está aqui tentando minimizar, tentando ser, sei lá, a pessoa que só pensa no positivo. Não sou muito realista. 

Eu sei o que está acontecendo e tu também. 

Tenho certeza que está na mesma linha, mas a gente está aqui no momento de passar uma diretriz, de dar uma ajuda para quem está se sentindo paralisado, mas está querendo buscar, está com foco para isso.

Claro, para que quem está em momentos de mais dificuldade, tal, a gente entende, óbvio, a gente se coloca no lugar. Inclusive a gente não está aqui pregando um positivismo, “ah sou super positivo”. 

Não, não é esse ponto. É tentar usar, já que a gente está nessa circunstância, usar isso para de alguma forma melhorar. 

Quem está com problemas – e tem muita gente e a gente respeita – tem que se ajudar. 

Eu acho que isso é legal também, talvez deixando para o último recado, já que tu falaste muito em colaboração, além do advogado, com o seu cliente, cuidar, a forma como vai cobrar. 

Eu acho que essa colaboração vai fazer muito parte da nossa vida, agora como advogados e essa negociação e trazer empatia nas negociações, seja indicando para o cliente o melhor caminho com o prestador de serviços dele, ou com quem esteja devendo para ele, ou com quem ele vai cobrar. 

Essa relação com a gente também, internamente, o escritório com o cliente, a forma como vai lidar, eu acho que tem que ser realmente… as pessoas tem que sentar e o momento pós crise as pessoas estão mais sensibilizadas. 

Então é hora de contemporizar, é hora de tentar negociar e achar soluções. Essa expressão agora tem sido… não está mais tão bem falada o tal do “ganha ganha”, mas de fato tem que ser uma negociação, devem ser negociações. 

E em geral, na nossa vida mesmo, as pessoas têm que ter um pouco mais de solidariedade de colaboração, nesse momento. 

E eu acho que isso seria o recado que eu queria deixar: para a gente não criar muita briga nesse momento. 

Acho que mesmo o advogado está no papel de buscar alinhar interesses, alinhar as negociações e não criar muito atrito.

Então acho que esse talvez seja nosso papel agora, papel como líder, também. 

Colaborar, se solidarizar com os outros, talvez olhar para as pessoas em volta, olhar até para parentes, familiares que estejam com mais dificuldades, colocar do lado com o pessoal do teu time, sócios, colegas, entender que tem pessoas que sofrem mais ou menos com isolamento, entender que tem pessoas que sofrem mais ou menos por questões financeiras. 

Então é a hora também da gente aproximar, da gente ouvir, da gente ser um ombro amigo. Eu acho que isso, como sociedade, nos coloca em outro patamar. 

Então, talvez o recado que eu deixasse é esse: vamos tentar ser empáticos com todos, vamos aproveitar esse momento para tentar entender todo o mundo e se aproximar, efetivamente, das pessoas, que eu acho que, acho não, a sociedade nossa só chegou aqui, como homo sapiens, pela nossa capacidade de viver em sociedade, em comunidade. 

Então, acho que agora é o momento de mostrar que a gente é, sim, o coletivo de pessoas, e que a gente consegue se unir quando o calo aperta mesmo. 

Então, seja na vida profissional, pessoal, a gente tem que ser solidário, a gente tem que ser colaborativo, a gente tem que pensar no próximo, um pouco. 

E aí, também, se der tempo de tudo, a gente vai atrás de conteúdo para melhorar nossa vida profissional, a gente vai atrás de desenvolver conteúdo, fazer o que tem ser feito, devido ao fluxo, buscar tecnologias, enfim. 

Nós vamos nos certificar que, como sociedade, a gente consiga como família, como colegas de trabalho, a gente consiga gerar um bem para todos. 

Assim, a gente consiga que todos estejam pelo menos não sofrendo tanto. Acho que esse é o papel de todos nós.

Gabriel: Acho que foi o melhor recado que a gente podia dar no final. 

E assim, compartilhando um pouco da minha fragilidade aqui com vocês, para mim mesmo está sendo muito difícil esse tempo de confinamento, várias noites com insônia, sem dormir, preocupado com o mundo, preocupado, refletindo sobre várias coisas, preocupado com o negócio, como um todo. 

A gente estava tendo um crescimento muito expressivo e aí tem um coronavírus que a gente não sabe o que vai acontecer a partir de agora. 

Pode ser que, assim, em todas as empresas hoje têm chances de falir, né, pode ser que aconteça. 

E o que a gente faz diante disso? Algo que paralisa, dá medo. 

Eu sinto muito esse medo, estou sentindo muito, fazendo o possível para canalizar esse medo em ação, nem sempre consigo. 

Tem dia que tenho mais produtividade, tem dia que tenho menos. Faz parte desse processo, e é buscar ajuda. 

Eu tenho uma rede próxima de vários advogados que eu converso, pessoas também fora de Direito, família, amigos, que me ajudam. 

Eu acho que eu estou precisando de apoio, busque apoio, fala com a gente na Freelaw, a gente está à disposição para trocar ideia, trocar experiência e vamos juntos. Acho que são tempos difíceis, mas vamos tentar enxergar o copo meio cheio, na medida do possível. 

E, certamente, tem oportunidades em na mesa que a gente pode estar aproveitando e, mais do que isso, pode estar ajudando pessoas. 

Assim como tem médicos, enfermeiros e profissionais da saúde ali no campo de batalha, na linha de frente, a gente vai precisar de advogados nessa linha de frente, porque, senão, as pessoas vão até sair da doença, mas elas não vão sair dos problemas jurídicos, vão perder o negócio, vão perder a família por conta disso, tem mais brigas, mais conflitos. 

E se a gente tiver advogados ruins assessorando essas pessoas ou se essas pessoas não tiverem acesso à Justiça, os problemas só vão escalar níveis maiores. 

Agora, se a gente tem advogados que atuam de forma consultiva e, realmente, buscando solucionar os problemas de uma melhor forma, de uma forma empática, talvez, eu tenho certeza, na verdade, que a gente vai estar caminhando para um mundo melhor do que tinha antes.

Gustavo: É isso aí. De acordo, meu amigo. Eu estou totalmente de acordo contigo, até agradeço tenha compartilhado. 

Eu também tenho meus dias pior, óbvio, todos temos. 

Tenho por sorte que nossos negócios… eu tenho sócios que têm estruturas já mais sólidas por trás, então a gente consegue parar também e pensar muito para frente. 

E talvez isso transpareça no meu discurso um pouco mais positivo em relação ao negócio. 

Porque, de fato, os meus sócios também ajudam nessa estruturação e dá para passar tranquilidade. Mas eu me solidarizo com todo mundo e até gostaria de me colocar, Gabriel, à disposição. No Linkedin eu já sou um conselheiro. 

Tenho um programa de mentorias no Linkedin, mas vai estar no descritivo do capítulo o meu contato.

Então quem quiser, se tiver alguma coisa que queira compartilhar, queira conversar, queira só trocar uma ideia sobre algum assunto que a gente conversou, ou de algum outro assunto que não tenha sido pauta do podcast, mas que acham que eu posso colaborar, posso ajudar. 

Contem comigo. Meu contato está ali, só me chamar no Linkedin, eu sou super ativo lá, sou super presente, eu respondo todo mundo. 

Então, se eu puder ajudar, contem comigo, estou totalmente à disposição e gosto muito de ajudar pessoas. Então eu tô aí, tá bom?

Gabriel: Vamos juntos! Vamos juntos, Gustavo, vamos juntos todos os advogados, todas as advogadas. 

Acho que juntos somos mais fortes e vamos no otimismo de termos dias melhores. Acho que é um momento de ir em frente, a mensagem que a gente tem que ter aqui na Freelaw, se você não acredita a gente respeita! 

Está difícil para mim, está difícil para o Gustavo, acho que está difícil para todo mundo, para você e sua família. 

Mas se a gente estiver trabalhando junto, com seriedade, a gente vai trabalhar para um país melhor. 

Isso que é a missão desse episódio: é trazer um pouco de esperança, do último, também, que a gente já começou falando disso, para todo o mundo e também ajudar quem quer aproveitar esse momento para, de fato, agir bastante para ajudar mais pessoas. 

Na próxima quarta feira a gente de volta de novo ao Lawyer to Lawyer com mais um convidado especial e eu te aguardo para mais um episódio. 

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Até a próxima. Valeu.

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