#51: Eficiência no Controle de Prazos Processuais – c/ Bruno de Carvalho Figueiredo

Eficiência no controle de prazos processuais. Episódio 51 do #lawyertolaywer, o Podcast da Freelaw, com Bruno de Carvalho Figueiredo, do Wettor Soluções em Marcas
27 minutos para ler

Você quer saber como aumentar sua eficiência no controle de prazos processuais?

Como aumentar a produtividade da sua equipe na advocacia?  

Como controlar prazos processuais com eficiência? Quais ferramentas utilizar? 

Como manter a excelência e a agilidade na prestação de serviços jurídicos? 

Como sair da operação e atuar de forma estratégica? 

Quais os desafios de um gestor legal? 

No episódio # do Laywer to Lawyer, o podcast da Freelaw, Gabriel Magalhães entrevista Bruno de Carvalho Figueiredo.

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Bruno de Carvalho Figueiredo

É advogado, gestor legal da Wettor Soluções em Marcas, especialista em proteção de marcas e outros direitos da Propriedade Intelectual, mestrando em Propriedade Intelectual e Transferência de Tecnologia.

Gabriel Magalhães

É um dos fundadores da Freelaw e o Host do Lawyer to Lawyer. É bacharel em Direito pela Faculdade Milton Campos.  

Possui formação em Coaching Executivo Organizacional, pelo Instituto Opus e Leading Group.    

Formação em Mediação de Conflitos, pelo IMAB, e em Mediação Organizacional, pela Trigon e pelo Instituto Ecossocial. Certificações em Inbound Marketing, Inside Sales e Product Management pelo Hubspot, RD University, Universidade Rock Content, Gama Academy e Tera, respectivamente.      

Escute o episódio em seu player de áudio favorito e leia o resumo do episódio abaixo que conta com todas as referências citadas durante a gravação.  

Gabriel: Olá advogado, olá advogada! Seja bem vindo, seja bem vinda a mais um Lawyer to Lawyer da Freelaw. Meu nome é Gabriel Magalhães, estamos aqui hoje no episódio cinquenta e um do Lawyer to Lawyer.

Eu tenho o prazer de receber o Bruno de Carvalho Figueiredo para falar conosco de eficiência no controle de prazos processuais. É muito difícil manter a qualidade de vida na advocacia, conseguir trabalhar num horário padrão de jornada de trabalho.

Advogado sempre está trabalhando em regimes muito exaustivos e uma das maiores dificuldades, sem dúvidas – na advocacia – é o controle de prazos. 

Como que a gente mantém a produtividade na advocacia? 

Como que a gente controla prazo com eficiência? 

Como que a gente até aumenta a produtividade da equipe? 

E como que a gente mantêm a excelência e a agilidade ao mesmo tempo, na prestação de serviços jurídicos?

O Bruno é advogado, ele é gestor legal da Vetor Soluções em Marcas e especialista em proteção de marcas e outros direitos de propriedade intelectual. 

Ele também é mestrando em Propriedade Intelectual e Transferência de Tecnologia. 

Seja bem vindo, Bruno!

Bruno: Obrigado, Gabriel! Um prazer e uma honra estar contribuindo com o seu espaço. 

Gabriel: Obrigado, Bruno! 

Conta um pouquinho para a gente um pouquinho da sua rotina, porque ela bem específica, por se tratar de propriedade intelectual, mas, ao mesmo tempo, se correlacionam bastante com a realidade de qualquer escritório de advocacia e qualquer advogado, né?

Rotina para um controle de prazos processuais mais eficaz

Bruno: Bom, a nossa rotina, ela é bem definida, porque nós, basicamente a nossa demanda, ela é semanal. 

Nós obedecemos aí aos prazos estabelecidos pelo Instituto Nacional da Propriedade Industrial, pela Lei da Propriedade Industrial, a sigla é INPI.

Então, semanalmente, nós temos toda terça-feira a publicação de diversas demandas, as quais precisamos apresentar ali ao posicionamento devido.  Com isso, tendo esse fluxo semanal, nós conseguimos estabelecer uma periodicidade, um padrão bem eficaz. 

Além dessa frente administrativa, temos os prazos processuais judiciais propriamente ditos, que são mais esporádicos. 

No entanto, eles têm também um fluxo bem definido, que nós conseguimos aí, principalmente com a antecipação de algumas decisões, de algumas demandas, nós conseguimos sempre estar atentos a esses prazos.

Mas a nossa massa mesmo de demandas, ela vem da frente administrativa, do INPI. 

Então, tendo essa periodicidade semanal, essa publicação toda terça-feira, nós conseguimos ali estabelecer um curso semanal bem eficiente.

Gabriel: E só para a gente compreender melhor, assim, o fluxo de vocês. Saiu uma publicação, qual que é o procedimento interno de vocês? 

Quem que faz a leitura das publicações? Todo mundo? Só alguns advogados?

Bruno: Não. Nós temos um sistema específico, um programa específico, desenvolvido por uma parceira, Ldsoft, que é a líder no mercado, nesse segmento de propriedade intelectual. Ela lê, capta essas publicações pra gente, e aí, através de um processo, de um programa nosso, já próprio nosso, a gente dispara os e-mails para os clientes, com as providências que devem ser adotadas. 

Além desses disparos automáticos, nós temos a equipe de processamento de dados, que ela entra em contato com clientes para informar os detalhes dos prazos ou a própria equipe de suporte ou os consultores que fazem atendimento direto ou corpo jurídico mesmo, falando aí dos detalhes de cada demanda e das providências e documentos necessários para cumprir essa demanda. 

Nossos prazos, esses prazos administrativos são prazos bem elásticos, prazos de sessenta dias, então nós temos um prazo bem confortável para tratar de todas essas demandas. 

Então nós tratamos via sistema, nós temos dois programas para isso e via pessoal também, pessoas alocadas para tratar disso.

Gabriel: É, eu vejo que vocês dividem o controle de prazos em diferentes frentes. Aparentemente tem a frente administrativa, tem a frente de contato com o cliente e também tem a parte jurídica.

Eu acho que, quando você começa a ter esse tipo de divisão, você consegue, de fato, atender o seu cliente em todas as áreas necessárias, porque eu vejo que muitos advogados até não têm problemas com controle de prazo, assim, o escritório nunca vai perder um prazo. 

Só que, ao mesmo tempo, ele não dá o retorno para o cliente, o cliente fica um pouco sem comunicação e aí pode gerar algum tipo de atrito, né? 

A experiência com o cliente não fica tão legal.

Bruno: Exato. Além desses informes automáticos, nós enviamos mensalmente, a cada um dos clientes, um relatório detalhado de toda a movimentação do processo, seja o processo marcado, um processo na marca do INPI, seja processo da patente ou do desenho industrial e da frente judicial também. 

Então, tanto temos esse suporte tecnológico indispensável, como temos esse suporte pessoal também para fazer esse contato. 

Porque a publicação do INPI, na Revista da Propriedade Industrial, para você ter ideia, ela é publicada semanalmente, toda terça-feira, ela vem aí em torno de seis a oito mil publicações.

Então, se fôssemos ler isso manualmente, digamos uma pessoa não tivesse um sistema próprio para isso, inviabilizaria o processo. 

Realmente, nós nos servimos de tecnologia de ponta para fazer essa leitura e o acompanhamento dessas publicações.

Quando buscar sistema de controle de prazos processuais

Gabriel: E, Bruno, para você, para um colega advogado ou advogada que está no início ainda da carreira, está com escritório pequeno, quando que você acha que é o momento dele buscar um sistema, assim, para controlar os prazos processuais? 

E assim, acho que a gente já está falando muito de INPI, especificamente, e isso é muito válido para todo mundo que está trabalhando com propriedade intelectual, mas ainda que o seu prazo não seja no INPI, que sejam prazos processuais, prazos judiciais mesmo, a lógica não muda muito, né? 

Porque a diferença vai ser só a gente organizar como a gente vai cumprir o prazo, de onde que vem esse prazo, a lógica é a mesma, né Bruno? Não sei se você concorda.

Bruno: Concordo, sim. O mercado já disponibiliza diversas ferramentas gratuitas que permitem o acompanhamento eficiente de processos judiciais. 

E no INPI, o próprio órgão disponibiliza um push, e forma ali a movimentação processual. 

Então, enquanto a demanda do profissional ainda não tiver um volume, ele até pode se servir dessas ferramentas gratuitas que existem no mercado.

Agora, quando se deseja realmente ganhar performance e dedicar a atenção a outras frentes, a contratação de uma ferramenta, seja para acompanhamento de processos judiciais, seja para processos administrativos específicos da propriedade intelectual, ela é indispensável. 

Essa ferramenta que nós utilizamos, ela disponibiliza diversos pacotes, dependendo do porte do usuário, dependendo da quantidade de processos cadastrados, que, dependendo do perfil do usuário, há planos bem acessíveis. 

Então, no momento que se deseja ganhar performance na advocacia, principalmente nessa frente da propriedade intelectual e destinar atenção para outras frentes, então é importante se considerar esse tipo de contratação.

Efetividade do trabalho em Home office

Gabriel:  Entendi. E, Bruno, assim, como que vocês fazem para medir produtividade da equipe? Para manter todo mundo produtivo? 

Ainda mais agora que a gente está em tempos difíceis, no mundo pós Covid-19, como a gente está dizendo muito aqui na Freelaw, como que vocês garantem o que cada um está produzindo bem? 

Como que vocês delegam tarefas e garantem que tudo está sendo cumprido com excelência e com agilidade?

Bruno: Bom, nós procuramos segmentar nossa atividade jurídica em algumas frentes: frentes defensivas e frentes ofensivas, como costumo chamar  internamente. 

Então, nós delegamos a uma parte da equipe as petições de defesa, os recursos, as manifestações; e à outra equipe, nós delegamos as petições de ataque, posições em unidades administrativas.

Nós buscamos elaborar essas petições, independente de aprovação do cliente. 

Nós executamos todas as petições, nesse primeiro período da publicação; e o suporte, ele vai manter contato com o cliente para que seja recolhida a taxa federal específica e ali perto do final do prazo, já esteja tudo garantido: a petição elaborada e a taxa recolhida só para o protocolo do órgão. 

Então, para medir especificamente essa produtividade, os KPIs são os que mais utilizamos, o Timesheet, levando em conta o tempo de produção e complexidade da demanda. 

Usamos algumas ferramentas de acompanhamento, especialmente agora nesse período de home office, nós temos testado Trello e o Asana

Além dessas outras ferramentas, inclusive que vocês fizeram posse recentemente, com algumas ferramentas que nós já usamos – outros que nós testamos – mas, basicamente nós procuramos antecipar a execução de todas essas petições que são publicadas. 

Então, dependendo da complexidade, nós podemos delegar para um ou outro colaborador. Mas, basicamente, nós procuramos antecipar todos esses prazos.

Gabriel: Ou seja, vocês trabalham com prazos internos diferentes dos prazos fatais. Então, sei lá, dez dias antes, no caso, já que o prazo de vocês são de sessenta dias.

Bruno: E é exatamente isso. A gente procura trabalhar com o “d-10”. 

E aí, como o nosso prazo, prazo base, digamos assim, é de sessenta dias, é um prazo bem amplo, nós procuramos, dentro de trinta dias, na verdade, ter a petição elaborada, o recurso… a taxa recolhida, melhor dizendo, e, no máximo, com cinquenta dias – que aí já é o máximo mesmo – estar tudo pronto para o protocolo.

Gabriel: Legal. E aí eu acho legal da sua fala, a clareza, de novo, na divisão de tarefas da equipe de vocês. 

Então, tem a equipe que vai cuidar das peças de ataque, as das peças de defesa, como você mencionou aí, tem equipe que vai ser a equipe de suporte ao cliente, vai enviar relatório para os clientes. 

Isso acho que é essencial. Se você, colega advogado, advogada, que está assistindo esse podcast agora, sair com uma coisa daqui hoje, repensar sobre os procedimentos internos pro seu escritor e melhorar a distribuição de tarefas, eu acho que isso já vai gerar ganhos muito, muito significativos. No seu escritório de advocacia.

Como melhorar a gestão do controle de prazos processuais

Gabriel: E Bruno, assim, acho que, assim, a realidade do INPI, com os prazos de sessenta dias, para alguns advogados, talvez, aparentemente, pode parecer mais fácil de controlar, porque tem gente que tem prazo de cinco dias. Tem gente que tem prazo de oito dias. Tem gente tem prazo de dois dias.

Como que você acha que um advogado, um escritório de advocacia pode melhorar essa gestão de prazo para prazos mais curtos? O que você acha sobre essa diferença?

Bruno: Eu penso que, com a identificação da demanda processual específica, a antecipação do que pode vir, a identificação de decisões.

Por exemplo, se temos aí um prazo judicial de um embargo, de cinco dias, nós podemos antecipar da leitura daquela decisão, a possibilidade da interposição desse tipo de recurso, ou de contrarrazões a esse recurso e, com isso, já antecipar esses argumentos. 

Então, é basicamente uma leitura minuciosa não só da decisão judicial, mas também do perfil daquele julgador. 

Hoje nós já conseguimos traçar, como nossas demandas são muito específicas da propriedade intelectual, nós conseguimos traçar, seja no INPI, seja na seara judicial, um perfil de decisões passadas do julgador sobre aquele determinado pleno e, com isso, já vislumbrar as alternativas possíveis. 

E, com isso, seja demandando, seja defendendo, antecipar os prazos. 

Eu acho que é muito importante a definição do perfil da aptidão de cada profissional, para delegar essas funções para aquele profissional que tenha um perfil específico. 

O profissional, ele pode ter um perfil que vai da redação jurídica, mais aflorada, vai de uma oratória mais fluente. 

Então, delegar, para aquele que tiver um perfil de redação, a produção jurídica; aquele que tiver uma melhor oratória, a participação de audiências; aquele que tiver um melhor poder de convencimento, de compreensão, a negociação com cliente. 

Então, eu acho que a definição dessas aptidões é de suma importância para termos aí uma maior eficiência.

Gabriel: Legal, Bruno! E para aqueles advogados que têm dificuldade em delegar, o que você acha que eles poderiam estar fazendo? 

Porque é muito complicado, às vezes, delegar para um advogado que não tem a experiência que eu tenho, que escreve de um jeito diferente e, às vezes, eu gasto mais tempo revisando do que propriamente fazendo do zero.

Bruno: Bom, realmente aí vai de uma conversa e de uma análise franca do perfil de cada colaborador. 

No nosso caso mesmo, eu iniciei como advogado de produção jurídica, elaborando as peças, e, aos pouco, fui galgando ali, até chegar onde estou nessa posição de gestão. 

Então, sob a nossa tutela, fica tanto a produção jurídica, quanto o controle de prazos, quanto o atendimento a clientes internos e externos, aí a produção e a consultoria técnica. 

Então, realmente, com a análise de cada perfil, análise comportamental, análise de aptidão e, principalmente de indicativos de competência e de produção, que a gente consegue definir o melhor perfil para cada atividade.

Gabriel: Entendi. E como que você faz para treinar as equipes dentro das posições certas, para que todas as pessoas escrevam no mesmo padrão, assim, no padrão do escritório?

Como que a gente, ao mesmo tempo, mantém esse padrão e dá liberdade de escrita para as pessoas que estão escrevendo?

Bruno: É, exatamente é um binômio que nós valorizamos muito. Primeiro, nós estabelecemos algumas diretrizes de tese que têm que ser abordadas. 

Por exemplo, o caráter da distintividade de sinal, da especialidade, alguns pontos que devem ser substancialmente abordados e fundamentados. 

Mas nós só estabelecemos essas diretrizes e deixamos que a redação do colaborador flua. 

Aí, tendo essas diretrizes estabelecidas e essa produção feita, nós procuramos e adequamos àquilo que nós achamos ideal, basicamente estabelecendo diretrizes básicas, mas deixando o colaborador à vontade, dando confiança a ele, para que ele possa fazer essa produção, conduzir essa produção. E aí na frente, a gente vai lapidando a peças.

Gabriel: Eu acho que essa parte da definição das diretrizes, eu acho que isso é muito… isso diz muito sobre gestão do conhecimento do escritório. 

Porque se todo conhecimento do escritório está só na sua cabeça e não está documentado de uma forma que qualquer outra pessoa que vá ler aquilo ali, ela consiga tirar algum insight, consiga replicar de alguma forma, o seu escritório dificilmente ele vai crescer e se tornar mais escalável, a gente diz muito esse termo no mundo de tecnologia.

Mas as coisas sempre vão depender de você. E aí, você nunca vai conseguir ser mais estratégico no seu escritório. Você nunca vai conseguir sair da operação.

Bruno: Não, exatamente.

Gabriel: Mas, a partir do momento que a gente consegue… Desculpa, Bruno, pode falar.

Bruno: E ele sair justamente do operacional e ir pro estratégico e pro tático. Exatamente, definir esses procedimentos operacionais padrão, é de suma importância sim.

Gabriel: E aí você define os padrões para envio de orientação, e aí define o prazo para a pessoa fazer, define o prazo para revisar, e depois o prazo de feedback. 

Quanto mais vezes esse ciclo rodar, maior vai ser o alinhamento entre escritório e aquele profissional que tá ali na operação. 

Agora, o que eu vejo de muitos problemas nesse controle de prazos processuais nesses escritórios de advocacia, é que o prazo de revisão não é claro, interno, então eles não contam muito com isso e acaba ficando ali para última hora. O protocolo é feito às vinte e três e cinquenta e nove.

Além disso, essa troca de feedbacks e esse envio de orientações, ela não acontece de uma forma tão bem definida e aí acaba que o profissional fez alguma coisa, não ficou tão bom assim, mas ele também não recebeu feedback.

E aí ele repete o erro, repete o erro, repete o erro e acaba que ele, de fato, nunca vai conseguir escrever com a qualidade que os sócios gostariam, porque está faltando alinhamento. 

Agora, se, de semana em semana, tem uma troca de feedback e tem uma melhora, aos poucos esse profissional ele vai conseguir desempenhar tão bem quanto o sócio desempenhava aquela atividade operacional. 

E aí, só depois de a gente ter implementado esses procedimentos de envio de orientação e de feedback, que a gente pode chegar a conclusão, na minha opinião, se um advogado é bom ou é ruim. 

Porque, se não tinha esses procedimentos, talvez o problema não era a qualidade do profissional, mas sim era a qualidade dos processos do seu escritório.

Bruno: Exatamente, é aquela coisa do planejar, fazer, checar, e agir. E volta o círculo.

Então, traçar esse procedimento, essas diretrizes básicas, o prazo de execução, de revisão, de protocolo é, sim, bastante importante.

Operação x Estratégia

Gabriel:  E, Bruno, como que foi pra você a mudança? 

Você já mencionou um pouquinho sobre a mudança da sua carreira, de sair da operação para ir pra o estratégico, como que foi isso? Qual que é a diferença? 

Quais habilidades que você tinha que ter na operação? 

Quais habilidades que você teve que desenvolver para se tornar estratégico? 

E quais foram os principais desafios que você vivenciou nessa época?

Bruno: Na verdade, isso é um processo que ainda está em curso, Gabriel. Penso eu, que é um processo contínuo. 

A principal competência que eu considero ter na frente operacional é exatamente a redação jurídica. 

Eu tinha uma facilidade em desenvolver teses, colocar no papel aquilo que eu conseguia captar do entendimento doutrinário, do entendimento jurisprudencial e, com isso, desenvolver teses que tinham um bom aceite, digamos assim.

Sair desse operacional para ir para o estratégico, tem exigido o desafio de aprender, exatamente, algumas atribuições, algumas competências que a gente, muitas vezes, passa batido ali na faculdade de Direito. 

Então, na gestão, a questão de delegar, de saber ter uma escuta ativa, uma intervenção pontual, isso realmente tem sido um desafio. 

Eu confesso a todos que ainda estou nesse processo de desenvolvimento da gestão legal. 

Tenho contado com uma estimável cooperação da diretoria lá na Vetor, e de vários parceiros, dentre eles, a própria Freelaw, que tem permitido a execução dessa frente estratégica de uma forma mais eficaz. 

Então, eu digo que aprender a delegar e aprender a ouvir são atributos, características indispensáveis a quem está querendo partir para esse movimento de operacional para estratégico tático. 

E isso é indispensável: delegar e saber ouvir e identificar os problemas.

Gabriel: É, e eu vejo muito escritórios que, assim, o sócio até consegue gerenciar muito bem os prazos dele, mas ele não consegue gerenciar muito bem os prazos da equipe e por isso, às vezes, ele acaba optando por ficar pequeno mesmo, ou então a situação fica meio fora de controle. 

Então é importante a gente saber as diferenças. Quando o escritório é só você, você é a operação do seu escritório, você também é estratégico. Você tem que gerenciar o seu trabalho e executar tudo. 

Depois que o escritório começa a crescer, já começa até a ter alguma sobrecarga de trabalho, é o momento de a gente repensar isso e começar a criar uma estrutura, porque senão você nunca vai crescer e sempre vai ficar na ponta da operação. 

E se você está na operação, por mais importante que seja a redação jurídica, você não está pensando em captação de clientes, você não está pensando em criar uma experiência diferenciada para o seu cliente, você não está pensando em utilizar novas tecnologias.

E aí, realmente, fica difícil do seu escritório aumentar o diferencial competitivo. Por isso que é importante que todo advogado desenvolva esse tipo de habilidade. Você teve… desculpa, Bruno, pode falar.

Bruno: Exatamente. A vetor, como na verdade ela é uma empresa, ela não é um escritório jurídico, é uma empresa de propriedade intelectual, nós conseguimos ter muito bem segmentadas todas essas frentes de atuação, sabe? 

Embora eu ainda tenha, sim, um pé no operacional, o atributo de conseguir aprender coisas novas, a disponibilidade de aprender coisas novas também é muito importante. 

A curiosidade de aprender coisas novas, a disponibilidade de aprender coisas novas é indispensável para quem quer promover esse tipo de crescimento. 

Estar ali apto a reaprender, muitas vezes desaprender algumas coisas e aprender coisas novas mais eficientes. 

Eu mesmo tenho mergulhado, nesse último ano da gestão, e tenho visto o quão equivocada era a minha visão em muitos pontos, o quão limitada era a minha visão em muitos pontos.

Então, quando nós procuramos ampliar essa visão meramente de produção jurídica, elaboração de petição e buscamos, exatamente, uma satisfação maior do cliente, uma proximidade maior, compreensão da dor do cliente, oferecimento de alternativas de resolução, realmente esse processo de reaprendizagem é muito importante.

Considerações Finais

Gabriel: Muito bacana, Bruno. 

Para a gente encerrar aqui, hoje, você tem alguma indicação de livro, curso? 

O que você acha que os advogados deveriam fazer para desenvolver essas novas habilidades necessárias? 

E também queria saber se você tem algum conselho final aqui para quem está nos escutando, principalmente para aquele advogado que ele está numa situação assim, está apagando incêndio todos os dias.

Porque o controle de prazos está realmente tirando o sono desse advogado, às vezes está até com medo de perder prazo, às vezes o escritório já até perdeu o prazo, o que a gente pode fazer amanhã, assim, para mitigar um pouco essa dor está muito latente? 

Bruno: Bom, um conselho que eu acho que é fundamental para qualquer profissional, é conseguir descobrir o seu propósito, seja um profissional da área do operador do Direito, seja qualquer outro profissional, e descobrir o seu propósito, é sine qua non para ele conseguir sucesso – primeiro, pessoal; segundo, consequentemente, um sucesso profissional.

Nessa caminhada, alguns autores que posso dizer agora que eu estou lendo, o meu livro de cabeceira, além do de leitura técnica, é o Simon Sinek, A Teoria do Círculo Dourado, Encontre o Seu Porquê, Comece pelo Porquê, são livros essenciais para se descobrir o propósito.

E, a partir da definição do propósito de vida, do propósito de carreira, o que é te faz levantar de manhã com um sorriso no rosto para fazer todo dia, é o primeiro passo para conseguir construir uma carreira sólida, uma carreira que te faça feliz. 

Acima de tudo, antes de uma carreira de sucesso, uma carreira que te faça feliz. 

E, especificamente, para se definir o prazo, uma rotina no processo operacional de acompanhamento de prazos, uma visão ampla que consiga identificar todos os problemas que possam vir a ocorrer e, com isso, antecipar possíveis soluções para quando esses problemas surgirem, aquela solução antevista possa ser adotada.

Então, a descoberta de propósito e definição de processos claros, eu penso que esses dois pontos aí são fundamentais.

Gabriel: Muito bacana, Bruno. Acho que o episódio de hoje, bem prático, bem objetivo, é um assunto muito difícil, é uma das maiores dores dos advogados, é muito difícil implementar na prática, mas comece pelo porquê, como Bruno trouxe aqui, certamente é uma dica bem valiosa.

E encontrando esse propósito, começando, de fato, a inovar, começando a criar uma cultura diferenciada, aí vai ser o momento de a gente vir para o lado, colocar o pé no chão, mãos à obra. 

Vamos começar, então, a criar os processos corretos para o escritório, dividir melhor as tarefas e, a partir disso, criando estruturas para delegar serviço melhor, para revisar serviço, para trocar feedback, para garantir que os prazos vão estar sendo cumpridos dentro do período determinado. 

Se a gente começa a trabalhar com prazos internos, então o prazo de fatal é oito dias, então vamos tentar deixar tudo pronto, protocolar três dias antes do prazo fatal, dois dias antes. A gente já começa a ter um fôlego maior. 

Eu acho que se a gente começa a pensar assim, a advocacia fica mais tranquila. A advocacia sempre vai ser uma profissão difícil, porque lida com problemas difíceis. 

Só que a gente não precisa ficar apagando incêndio todos os dias, igual muitos advogados fazem. 

Eu acho que se a gente tiver organização, se a gente profissionalizar a gestão do escritório, a gente pode dar um passo além.

E, para profissionalizar, vai precisar de conhecimento técnico, não tem jeito. Então estuda, lê os livros do Simon Sinek, como o Bruno trouxe. 

Além disso, vai ter que conhecer novas tecnologias, vai ter que buscar softwares, vai ter que buscar alternativas para executar serviços com mais qualidade e agilidade, e aprender a desenhar procedimentos internos, que não é difícil.

Se você quiser aprender procedimentos internos, vai lá no YouTube da Freelaw, procura a aula sobre controle de processos e controle de prazos, que a gente desenhou mesmo, na prática lá, eu acho que pode ser um bom caminho para vocês. 

Tem mais algum recado, Bruno?

Bruno: Exatamente. 

Não, eu gostaria de finalizar dizendo que, embora essas habilidades, essas competências comportamentais sejam de suma importância, as competências específicas não podem ser abandonadas. 

Então, nós temos que aliar a competência técnica, com a competência comportamental. E por mais que a gente planeje, faça, cheque, somente com  ação reiterada que nós vamos conseguir definir processos eficientes para aquela nossa demanda específica. 

Podem ser definidos aí diversos planos de ação. No entanto, a sua operação específica, a sua forma de trabalhar rotineiramente, a rotina é que vai lapidar esse melhor procedimento operacional padrão. Logo, vai poder indicar a melhor forma de aliciar seus prazos.

Gabriel: Muito obrigado, Bruno.

Agradeço a todos os colegas advogados, advogadas novamente pela presença. Espero que vocês consigam controlar melhor os prazos de vocês.

Compartilha com a gente que vocês fazem para controlar os prazos em seu escritório de advocacia. Que práticas boas vocês têm? Que ferramentas utilizam? A gente sempre gosta de ter essa troca. 

E na próxima semana a gente vai voltar aqui, no episódio cinquenta e dois, para mais um Lawyer to Lawyer da Freelaw. 

Se você está aqui até agora e ainda não se inscreveu no seu player de áudio favorito, não se esqueça de se inscrever, porque aí você vai sempre estar recebendo notificações em primeira mão. 

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É muito legal a gente ver vários advogados, advogadas fazendo parte desse movimento, para a gente criar uma nova experiência de trabalho no Direito, para a gente trabalhar de uma forma profissional. A gente acredita muito nisso por aqui na Freelaw.

Até a próxima, pessoal.

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