#37: Carreira Jurídica Internacional
Capa do Podcast com Jair Gevaerd. Capa do Podcast com Jair Gevaerd.

#37: Carreira Jurídica Internacional e o Mercado da Advocacia no Exterior c/- Jair Gevaerd

29 minutos para ler

Você quer saber como iniciar sua carreira jurídica internacional? Qual era o cenário no passado e qual é o cenário atual?

Quais as tendências da advocacia no exterior?

Como funciona o mercado internacional no direito?

Quais as oportunidades surgiram com as últimas novidades legislativas?

No episódio #37 do Laywer to Lawyer, o podcast da Freelaw, Gabriel Magalhães entrevista Jair Gevaerd.

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Jair Gevaerd

É o sócio fundador da Gevaerd & Associados Advocacia, um conceituado escritório brasileiro de advocacia especializado em Direito Comercial e Resolução Adequada de Disputas.

Além disso, ele é árbitro e mediador nacional e internacional, com experiência nos EUA e no Brasil.

Ele também é professor de Direito Societário, Direito Internacional e Conflito de Leis na Pontifícia Universidade Católica do Paraná.

Ele é Doutor em Direito e possui certificações internacionais em Roma, em Israel e também nos Estados Unidos, pelo Instituto Straus e pela Pepperdine.

Gabriel Magalhães

É um dos fundadores da Freelaw e o Host do Lawyer to Lawyer. É bacharel em Direito pela Faculdade Milton Campos.  

Possui formação em Coaching Executivo Organizacional, pelo Instituto Opus e Leading Group.    

Formação em Mediação de Conflitos, pelo IMAB, e em Mediação Organizacional, pela Trigon e pelo Instituto Ecossocial. Certificações em Inbound Marketing, Inside Sales e Product Management pelo Hubspot, RD University, Universidade Rock Content, Gama Academy e Tera, respectivamente.      

Escute o episódio em seu player de áudio favorito e leia o resumo do episódio abaixo que conta com todas as referências citadas durante a gravação.  

Gabriel: Olá advogado, olá advogada seja bem-vindo seja bem-vinda a mais um Lawyer to Lawyer da Freelaw.

Eu tive o prazer de receber o Jair Gevaerd, ele é sócio fundador do Gevaerd associados. Um escritório bem-conceituado, especializado em direito comercial e Resolução adequada de conflitos. 

Ele também é advogado atuante lá no estado do Paraná também é árbitro nacional Internacional, também mediador comercial Internacional com experiência tanto nos Estados Unidos quanto no Brasil. O Jair também é professor de direito societário, direito Internacional e conflito de leis na Puc do Paraná. 

O currículo do Jair é muito extenso e ele não mente, ele sem dúvidas é um dos maiores especialista do país para falar sobre carreira internacional. Tenho certeza que vocês vão gostar muito do episódio de hoje.

No primeiro momento do episódio o Jair cuida muito de trazer alguns aspectos teóricos sobre o direito internacional e as mudanças que a gente teve no direito internacional nos últimos anos. Depois ele vai para uma parte cada vez mais prática. 

O Jair realmente compartilha o que os advogados podem fazer para buscar as redes internacionais e quais as oportunidades jurídicas que estão existindo nesse mercado. 

Ele consegue enxergar tudo de uma forma macro. Ele consegue identificar quais oportunidades existem e o que ele precisa fazer exatamente para que consiga conquistar mais clientes e como ele precisa se posicionar nesse tipo de mercado. 

Então ainda que você não atue neste mercado internacional eu tenho certeza que esse episódio vai ser muito útil para você. 

Caso você tenha essa mesma habilidade de enxergar no mercado que você atua com base em números assim como o Jair vem enxergando no mercado internacional tenho certeza que você vai melhorar os resultados do seu escritório de advocacia.

Olá Jair seja bem-vindo, prazer te receber aqui conosco, vamos falar de um tema bem interessante que são as carreiras internacionais no direito.

Sei que você é uma das principais pessoas que eu poderia ter convidado para comentar sobre esse tema. Eu estou bem ansioso para o episódio de hoje.

Jair: Meu querido Gabriel, inicialmente deixa eu te dizer da minha admiração primeiramente. Te agradeço muito humildemente, sou um grande admirador teu. 

Você ainda é jovem mas faz um trabalho maravilhoso com a Freelaw

O gigante, Gabriel, se conhece pelo polegar e é esse o seu caso.  Você é grande por dentro e por fora, conte comigo para caso eu possa ser útil para sua audiência. Estou sempre a sua disposição, aqui e fora do Brasil. 

Como iniciar carreiras jurídicas internacionais

Gabriel: Muito obrigado pelas palavras Jair, fico feliz com a sua admiração. 

Eu queria entender um pouco mais o que são essas carreiras internacionais no direito?

Como isso funcionou no passado e funciona atualmente? 

Se eu conseguir construir uma carreira internacional o que eu preciso fazer? 

Se o escritório de advocacia quiser começar a buscar oportunidades internacionais o que ele precisa de fazer?

Jair: Olha Gabriel em primeiro lugar é preciso que seja o escritório, seja a escola que prepara o profissional, seja o indivíduo que busca a carreira internacional, é preciso que se compreenda o cenário em que está se ingressando. 

Ele é muito diferente do cenário doméstico e por uma série de razões. Sobretudo no direito não se trata por exemplo como na engenharia, de se praticar a mesma engenharia que se pratica aqui no Brasil no Vale do Silício.

Nos do Direito temos uma submissão, temos uma dependência enorme ao sistema jurídico. As normas, fontes do Direito que estão colocadas. 

Então, para começar a falar sobre isso, por favor sinta-se à vontade de me interromper a qualquer momento para ajudar as pessoas a compreenderem essa situação e para dizer como eu a compreendo.

Óbvio que a outras formas, mas a maneira como eu vejo essa situação é preciso que nós entendamos o que mudou. 

Ou seja, o antigamente, o antigamente que eu falo são vinte/vinte e cinco anos atrás. Quando ainda o impacto da mudança do paradigma da guerra fria.

A questão do comércio internacional mais fluido, não se tinha fixado fundamentalmente, a participação. O ingresso do mercado internacional fosse do escritório, fosse do advogado se dava mais ou menos de um ponto de vista individual para atender necessidades que não mudavam muito das necessidades da década de 50 ou 40 do século passado.

Ou seja, você tinha contratos de comércio internacional vinculado a bloco, esses blocos após a segunda guerra mundial se formam a partir de interesses geopolíticos muito específico. E tudo funcionava sob essa ótica coletiva dos blocos.

Então, o bloco do ocidente, versos, o bloco do oriente, as linhas de crédito se abriram e as arbitragens, contratos internacionais, algo nessa linha, isso mudou. Isso mudou de uma forma dramática nos últimos vinte anos. 

A economia começou a falar mais alto a importâncias dos blocos. Você por exemplo hoje a Inglaterra saindo da união europeia, você vê o Brasil fazendo negócio com a China que é um bloco completamente diferente.

Você vê o Mercosul por exemplo se obscurecendo de importância. Porque assim, a lógica dessa economia enquanto cenário nacional, nós somos ligados ao direito, ao nosso direito, as instituições, ao código civil, a constituição.

No cenário internacional você não vê isso, quem manda no cenário internacional, quem determina isso que vou chamar de universalização pragmática do comércio internacional é a própria economia. 

A economia tem um papel gerador de realidade de si mesma. A economia gera instituições. 

Então veja, em primeiro lugar eu preciso entender se nos superamos a fronteira do nacionalismo, da importância fundamental que naquele momento havia de uma afiliação dos estados a um bloco específico. 

O Brasil estava com os Estados Unidos, o Brasil estava com as economias do Leste Europeu que também tinha a ideologia de esquerda etc. Superou se isso tudo universalizou pragmaticamente. 

Qual é a consequência para nós? 

É uma consequência na normatividade, supera se o nacionalismo, autonomiza o comércio e o direito internacional passa a funcionar em razão (claro que eu estou falando do direito internacional privado) dessa autonomização do comércio com entidade própria. 

Profissionaliza se é disso decorre um DNA. Por isso é preciso que se compreenda; se antigamente trabalhava por estados empresas, hoje você hoje trabalha com um DNA e um ecossistema muito maior e muito mais significativo.

Os novos atores são da sociedade. O estado sim, mas como uma importância diminuída. As empresas transnacionais que estão se associando, segundo modelos bastante novos e diferentes. 

E muitos buscam como você faz com a Freelaw por exemplo que é fantástica.  Buscam um alto software de recursos, sejam recursos materiais etc. 

Tem então essas empresas, mas em formato muito diferente, você tem os escritórios, os escritórios como parceiros importante que são os provedores de arbitragem e mediação internacional. 

E na questão da normatividade você tem convenções que são importantíssimas como a convenção de Nova Iorque, e a convenção de Singapura. 

Você tem diplomas legais que são internacionalizados, bem como tem muito software das melhores práticas do mercado.

Essa é a realidade que a gente precisa compreender, mudou tudo isso, você tem que trabalhar em outro ecossistema.

Daí a pergunta, eu até queria te dar a palavra para você me ajudar a afunilar no interesse, porque a pergunta passa a ser como essa mudança no ecossistema, faltou um elemento que eu não te disse que é a centralidade. A mediação entra com uma força absurda nesse mesmo panorama.

Como agora eu me posiciono? 

Será que eu posso fazer o mesmo que eu fiz na minha época? quando eu tinha vinte e poucos anos? 

Vou para o exterior, me formo por lá, começo a trabalhar por lá isso me basta? 

Como os escritórios podem entrar? Como que os escritórios entravam antigamente? Os escritórios, como eles entravam antigamente? 

Pois ele tinha um cliente em sua mão que havia interesse no direito internacional.

Então quando havia um problema ele passava a administrar aquela questão em uma arbitragem internacional. Como isso se coloca hoje? Seja na própria formação do profissional.

Isso talvez eu possa ajudar aos ouvintes enxergarem como isso está se dando hoje em dia. Falando dos acessos possíveis e como são as tendências de acesso. 

Gabriel: Muito legal Jair, eu confesso que assim o direito internacional nunca foi tão próximo assim da minha realidade. Então, não sabia exatamente como era o cenário antigamente. E é legal saber desse tipo de mudança. 

Início da carreira jurídica internacional

Gabriel: Agora, para a gente tangibilizar um pouco mais e aí fique à vontade caso você queira contar um pouco mais, de como você ingressou dentro do direito internacional, como você criou uma carreira internacional. Mas tem um colega advogado aqui que abriu o escritório a pouco tempo. 

Como que ele pode conseguir dar esse salto internacional na carreira dele? 

Porque parece uma realidade muito distante da grande maioria dos escritórios de advocacia do Brasil.

Jair: Olha, você tem razão. É uma realidade um tanto distante. Porque obviamente, como todo o prestador de serviço, todo agente econômico, você abre uma unidade a fim de atender uma demanda, e uma demanda mais óbvia é a demanda doméstica.

Então assim, a primeira notícia que não é ruim, uma notícia boa é que não existe salto. Salta pressupõe um movimento extremamente brusco, repentino e inesperado que te faz chegar no último lugar. Infelizmente você precisa se preparar.

A primeira avenida é a da comunicação. Você precisa ter um comando de ao menos uma língua, hoje a língua essencial é o inglês. 

No passado podia até ser o francês, pelo fato da centralidade que a França tinha na questão de arbitragem. Mas hoje, sem dúvidas, o inglês é uma língua franca. O francês também tem a sua importância. 

Eu sou um pouco crítico quanto a aprender mandarim e etc. Acho que isso pra mim mudou, acho que o inglês se coloca como era o latim antigamente. 

Em primeiro lugar, você tem um percurso, não é improvisação nesse campo.

Como tudo na vida, você vai fazer um piquenique, você prepara o seu lixo, faz uma cestinha, leva toalha, tem que tomar cuidado com as formigas porque senão seu piquenique acaba.

É a mesma na carreira internacional, foi assim que eu fiz, eu me preparei.

Desde muito cedo eu já trabalhava outras línguas, tive a sorte de uma maneira familiarmente ter essa possibilidade. E sempre tive uma vocação, é preciso também de uma vocação para isso, fala para o indivíduo. 

E o escritório também, porque como você mesmo percebeu na Freelaw, muitas vezes é mais fácil e rápido você terceirizar, você buscar em terceiros aquela capacidade que você não tem, e não necessariamente desenvolveu. 

Ter essa vocação eu acredito nas virtudes da especialização. Eu acho que o generalista no âmbito internacional é muito difícil não é uma forma que funciona hoje em dia. 

Então, número um primeiro acesso, se prepara, línguas é fundamental. E entender uma estrutura do direito internacional moderno, seja público, seja privado. 

As categorias mudaram significativamente, em razão da inclusão desses outros atores, novamente, não é mais o Estados, as maiores autonomização são as próprias fontes.

Não é que a arbitragem internacional existe porque está fundamentada no estado Nacional não. Ela existe porque existem entidades externas fundadas e inescapáveis do comércio internacional que ficou como uma categoria a si própria. 

Novamente, você precisa estudar bem o direito internacional, conhecer bem a estrutura, pelos menos dois sistemas, não precisa conhecer em total intensidade, mas conhecer pelo menos as grandes diferenças entre eles. 

Porque isso vai te ajudar a compreender a dimensão cultural de comunicação dos advogados com os quais você vai trabalhar, seja em arbitragem, seja em mediação internacionais. 

Além disso você precisa ter um treino internacional, e aí você vai para as universidades. E o que mudou nesse particular é o seguinte, antigamente, a família do Gabriel ou o Gabriel guardava um dinheiro, vou fazer isso na universidade de Miami, vou fazer isso na França e você partiu, autofinanciado. 

Hoje esse modelo já não é mais um modelo sustentável para o indivíduo, porque é muito caro. Você tem a questão da moradia, tem a questão de seguro, vai ficar em torno de cem mil dólares aproximadamente por ano caso você não tenha uma bolsa para estudar nos Estados Unidos, por hipótese é uma formação em arbitragem de mediação internacional. 

Isso não é mesmo interessante nem para as faculdades, porque as faculdades. 

Por que o que é preciso? É preciso que o candidato se insira no ecossistema, é quando eu me refiro a ecossistema estou comparando essa mal fauna, esse grupo de entidades que vão desde as empresas, os escritórios, os provedores em arbitragem, as universidades, as instancias que formulam e publicam as convenções internacionais. 

Então é muito diferente do que tínhamos no passado. 

A universidade não trabalha mais sozinha. O ideal então a meu ver é que você se prepare desde o curso de Direito, faça uma pós-graduação em direito internacional, línguas etc.

E ingressa nesse escritório que por sua vez já tem parcerias institucionais com outras instituições. 

Obviamente se o escritório dá autonomia a algum dos sócios advogados estarão ligados a provedora de arbitragem.

Além disso você tem as instâncias como congresso que são muito importantes de divulgação, de prática adequadas que fazem com que esses escritórios estejam também ligados a universidades.

Gabriel, se você vai fazer uma universidade lá fora, quando você está fazendo o seu lá fora, preparando para sua carreira internacional tudo ótimo, mas quando você acaba uma grande interrogação surge na sua cabeça. 

Onde eu vou trabalhar? 

Onde eu vou aplicar isso? 

E de certa maneira lá fora é uma obrigação das universidades ofertar uma estrutura, um arcabouço de colocação profissional. Se você é ali da cidade e se a universidade já está ligada a um conjunto de escritório que são elementos de um ecossistema Internacional, você já pode ser direcionado aos estágios. 

Seja nesses escritórios, seja nesses provedores de arbitragem internacional seja em instituições internacionais que trabalham com certos tipos de interesse. Como exemplo a organização mundial da propriedade intelectual.

Então quando eu falo em ecossistema, é que hoje o campo internacional, ele está progressivamente se constituindo, se organizando como um ecossistema em que essas instituições estão ligadas. 

Vou te dar um exemplo, hoje a Arábia Saudita por exemplo, ela tem um grande interesse em legitimar como uma rede confiável e adequada. 

Porque como o Estado Islâmico, que fundamentalmente funciona sobre a lei de Sharia, que é a lei da Muçulmana, as vezes os parceiros internacionais no comércio internacional, olha para lá e dizem assim, olha, que garantia eu tenho que os contratos serão cumpridos? 

O que a Arábia Saudita está fazendo. Está havendo um movimento muito interessante, ela está fazendo todo um movimento muito interessante para ganhar visibilidade como um novo centro de excelência.

O sujeito que quer entrar, ele precisa estar atento a tudo isso. Isso é um âmbito de preocupação que o indivíduo dificilmente alcança. 

Então o que hoje muda o seu acesso pode se dar por escritório, hoje eu tenho visto muitos escritórios em São Paulo, rio de janeiro, mundo inteiro, que ofertam para os seus advogados júnior mais promissores uma oportunidade de elas ficarem fora do Brasil. 

Quando esse camarada vai para a universidade, como ele já está ligado ao escritório a universidade também goza da capacidade do escritório de gerar conteúdo, conteúdo educacional, conteúdo técnico. 

Então hoje o que está mudado para tentar ser objetivo aqui em sua questão, é que esse ecossistema que depende da escola, que já está ligada aos grandes escritórios, que já estão ligadas aos grandes provedores, que já estão ligados aos movimentos que se dão de criação de novas normas como a convenção em Singapura por exemplo, que foi assinada no ano passado. 

Isso coloca uma contingência de excesso muito diferente daquela em que eu entrei, quando eu era basicamente um aventureiro, no bom sentido da palavra, não no sentido de fazer as coisas como uma aventura.

Eu saí do Brasil, fui para a Itália, passei um bom tempo pescando oportunidades, por naquele tempo não termos um DNA ainda formado. 

Porque isso Gabriel era 85,86,87,88 para você ter uma ideia, o muro de Berlim cai, na década de oitenta e os blocos econômicos estavam em plena alteração dos paradigmas, para universalizar a ação da economia.

Então, falando um pouco sobre o geral, dando explicações. Mas hoje, que isso está de certa maneira consolidado, de tal maneira que os blocos estão se esfacelando, você a Inglaterra saindo da união europeia abre-se para o Brasil um conjunto enorme de possibilidades econômicas, que evidentemente vão aumentar a capacidade dos escritórios prestar serviços neste âmbito.  

Então o sujeito que está de olho nisso, já tem o inglês, já tem o francês, ele tem que se aproximar desse escritório, ele tem que se apresentar como um colaborador válido.

Não tem salto, prepara-se, observa-se o mercado, entenda o mercado, saiba o que está acontecendo no mercado do trabalho e a partir disso abre-se as portas.

Posso te dar o exemplo da Arábia Saudita, mas não quero monopolizar a palavra aqui, quero que você me ajude no que for mais interessante para os seus ouvintes.

Gabriel: Obrigado Jair. 

Acho que assim, bem interessante sua fala, um mundo bem distante de grande parte dos escritórios brasileiros. 

Recentemente a gente recebeu aqui no Lawyer to Lawyer o Renan que falou muito sobre mediação de conflitos, também recebemos Pedro Soares, que falou sobre arbitragem. 

Eu queria entender um pouco mais com base na sua vivência do mercado internacional, o que você acha que é uma tendência para os escritórios, ainda que eles atuem nacionalmente, o que advogados de lá estão fazendo que os advogados daqui ainda não estão fazendo? 

Jair: Olha, fundamentalmente eu vou dar um exemplo muito prático, a Arábia Saudita. 

Em setembro, o presidente da república do Brasil, fez uma missão comercial brasileira para a Arábia Saudita. 

Nessa missão comercial, como Arábia saudita tem uma matriz econômica baseada no petróleo, na queima do combustível, no combustível fóssil, que vai mudar nos próximos trinta/quarenta anos. Eles estão se firmar em outras áreas do comércio.

O que aconteceu, a Arábia Saudita criou o fundo soberano de dez bilhões de dólares para negócio com o brasil. 

Evidentemente que esses contratos eles geraram conflitos esses contratos precisam de cláusulas de arbitragem, de mediação internacional. 

Esses contratos precisam ser acompanhados porque a cultura de medicação no oriente médio é muito diferente da cultura de negociação com o Brasil.

E a única forma de resolver esses conflitos sejam eles já deflagrados, sejam eles conflitos que já estão incipientes e tácito. 

Se a arbitragem internacional é um instrumento que já está extremamente consolidado, a mediação internacional até como uma etapa necessária, hoje são muito comuns os procedimentos de forma indispensável. Ou seja, de arbitragem negação, negação arbitragem. 

A mediação internacional passa a ser uma oportunidade de negócio indispensável. 

Então, por exemplo, se esse escritório nacional que presta serviço para qualquer área do Direito e o Brasil é o maior fornecedor para a Arábia Saudita de carne processada, o cliente desse escritório vai inevitavelmente fazer negócios com a Arábia Saudita.

Vai fazer negócio com o comprador que tem que utilizar a sharia, porque a lei muçulmana, assim também como a judaica, ela exige que a carne seja tratada, desde o sacrifício do animal, desde o tratamento até a sua importação, empacotamento etc. por determinadas leis sanitárias e religiosas muito estritas. 

Não precisa ser gênio para entender que isso vai gerar problema. E como o escritório percebe isso e começa a trabalhar, todos os advogados daquele escritório? 

Não, mas todos aquele que querem trabalhar no âmbito internacional tem que conhecer as técnicas, os procedimentos, os processos e dissolução de conflitos.

Porque não a outra forma, como ouve essa universalização a diminuição do poder do estado. Por isso tem que ser urgente que a convenção de Singapura seja ratificada e assinada pelo brasil, porque nós precisamos tornar os acordos de imigração internacional executáveis imediatamente nas cortes brasileira também.

Então assim é preciso que esses escritórios tenham associação com profissionais que eles vão buscar através de um processo de auto sócio, vão buscar a partir de uma terceirização ou é necessário que eles se destaca em três ou quatro ou cinco elementos do seu grupo de trabalhadores, para que ?

para se formarem, para se prepararem, para fazer essa formação no mercado internacional do direito que o envolve necessariamente. 

E aí passa a ter um departamento que é um departamento caro, novamente não é um salto, é necessário que você compreenda essa estrutura. 

Então esse é um dos exemplos que eu te dou. Vou te dar um outro exemplo, que é bastante atual e que podem interessar a todos que querem entrar nesse mercado internacional, sendo brasileiro e trabalhando como braços de internacionais no Brasil. 

É um exemplo desse decreto que foi publicado essa legislação que saiu aí por setembro, outubro do ano passado,  no Brasil,  determinando que todas as questões relativas ao desenvolvimento aéroportuário no Brasil serão resolvidas por arbitragem.

São muitas as infraestruturas de portos, aeroportos, estradas, toda a questão da logística, do transporte internacional, da infraestrutura aeroportuária brasileira, ela tem que ser resolvida, ela será resolvida por arbitragem, no brasil em português.

O que acontece, os contratos, obviamente que aí a engenharia internacional, a questão dos projetos, os players internacionais, estão sempre envolvidos nessas licitações aeroportuária. 

E você vai ter que trazer esses camaradas para discutir no Brasil em português as arbitragens.

Você tem ideia, Gabriel, do tamanho do mercado que isso abre para escritórios brasileiros? 

porque quem você quiser aí não vai poder exercer isso no Brasil. 

Primeiro porque não consegue advogar no Brasil, porque a nossa legislação para admitir advogados estrangeiros você tem que o consultor em direito estrangeiro. 

Segundo, porque tem a barreira da língua. Então abre para os escritórios brasileiros que já estão falando português, que já teve uma demanda nacional, uma enorme possibilidade do que de associação com escritórios americanos

Por isso nós estamos fazendo até o congresso,esse ano aqui é o primeiro congresso Brasil e Estados Unidos, que também está ajudando a aproximar esses escritórios todos e abrir um caminho fundamental.

Respondendo a sua pergunta, acesso, oportunidades, escritório brasileiro, isso está na nossa porta hoje. 

Porque não a mais economia puramente nacional, não a mais economia de blocos, ao menos a um futuro projetável, pode ser que isso mude muito rapidamente. 

Não sei se isso responde um pouco das suas menções, muitos objetivos.

Então, se eu fosse um advogado Sênior em um escritório nacional, eu ia tentar ver quais são as empresas que negociam hoje com a Arábia Saudita veria para onde está escoando esse fundo soberano de dez bilhões de dólares e aproxima e entraria nesse mercado. Esse mercado é um mercado absolutamente milionário. 

Ou por outra, procuraria me interessar pela questão aeroportuária. E aí esse advogado novo que está querendo entrar nesse mercado, o ideal claro, é ter a compreensão disso. Hoje talvez, entrar no mercado trabalhista não seja mais tão interessante no Brasil, como era a 25 30 anos atrás pelas mudanças todas na economia.

Eu tenho que levar em consideração se quero ou não trabalhista? Não. Tem que se levar em consideração sua vocação, a minha visão é uma visão mais do mundo, é uma visão mais internacional.

Eu já conheço a língua é preciso compreender, claro, seria interessante um curso nesse sentido. É preciso compreender essa nova realidade no cenário internacional e adentrar por essas inúmeras ruas.

Gabriel: Tudo como a gente disse no início, é uma aventura. 

Eu acho que é importante que o colega advogado que esteja escutando e eventualmente que quer atuar nessa área, pense se realmente vai ser o foco principal do escritório. 

Porque, as vezes, você é especialista em direito previdenciário, por exemplo e talvez vai ser melhor que você busque o mercado nacional. Eu acho que o mercado internacional está envolvido com outro tipo de disputa. 

Jair: Exatamente, ele é muito especializado. 

E agora veja, é claro que essa experiência, dentre outras coisas foi um diplomata, um pensador, um economista etc. que a experiência, ela é um farol voltado para trás. 

Então como eu vivo há muitos anos nessa realidade a gente acaba entendendo muitas coisas.

Agora, por outro lado,Gabriel, é preciso não se esquecer que o que mais vale é a força interior que a pessoa tem, é a vocação. 

Ou seja, para aquele colega que está começando, para aquele estudante que não se contenta, não se sente chamado, se sente vocacionado para um ambiente mais macro, o que eu quero dizer é, não existe em começar essa caminhada. 

A questão do primeiro passo, ele pode não te levar muito longe, mas ele te mostra que você já está em movimento, você sai do lugar em que você estava. E a grande vantagem, como em todas as áreas do direito, é que não a muitos profissionais interessados em fazer isso.

Então você vai encontrar uma competição que e totalmente saudável. Mas tendo a visão de que a observação, o estudo da economia internacional, dos movimentos internacionais, não precisa virar um monge e ficar totalmente isolados estudando os tratados. 

Se você assiste os noticiários e prestar atenção neles, na verdade eu não estou dentre os apoiadores desse novo governo etc. o que refere a diversas questões.

Mas economicamente o que o Paulo Guedes nos disse, que com a saída da Inglaterra agora pro final de janeiro/fevereiro não me recordo nesse momento vai abrir uma oportunidade de negócio enorme para o Brasil. 

De ser um grande parceiro comercial. E é a reboque do comércio que vai o direito internacional já há muitos anos. 

Então querido, me coloco à sua disposição Gabriel, a disposição dos nossos colegas jovens, não tão jovens, pretendentes, para conversas a qualquer momento. Estou na internet, é fácil de me encontrar.

A minha ideia é uma grande instituição lá você tem a oportunidade de ter uma formação ampla nessa área, uma experiência extremamente boa, espero então um dia você lá, é uma espécie que já mantenho a alguns anos, todos vocês, espero você também, Gabriel.

Gabriel: Eu agradeço, Jair, você ter compartilhado toda sua experiência. Achei muito interessante a gente trazer esse tema. Nunca tínhamos falado do mercado internacional aqui no Lawyer to Lawyer.

Logo no início do episódio você trouxe conceitos bem teóricos, mostrando diferenças do mercado internacional de antigamente para o mercado internacional de hoje.

Também disse muito sobre as tendências desse mercado, falou muito sobre as alternativas de mercado, que são métodos adequados de resolução de disputas, que são uma tendência cada vez maior tanto para o mercado internacional quanto para o mercado nacional.

Para quem quiser aí seguir com a carreira internacional mesmo o trabalho do Jair é bem legal, no Strauss também é um trabalho bem bacana que ele faz e vocês podem estar entrando em contato com ele.

Todos os contatos vão estar na descrição do episódio e tenho certeza que ele também vai estar a disposição para conversar com vocês, caso precisem de qualquer coisa. 

Muito obrigado Jair, de verdade.

Considerações Finais 

Gabriel: Tem algum recado final?

Jair: Gabriel, eu só posso te agradecer novamente. Eu acho que você é um exemplo na sua nova geração, justamente de seguir o teu coração de seguir a sua vocação.

O trabalho que você está fazendo, embora já está consolidado com pouco tempo com a Freelaw, com esse programa de entrevista e etc., é por aí amigo, é esse o caminho meu amigo, um caminho responsável, passo por passo, e ao percorrermos você já está construindo. 

Isso é fantástico, e é isso que eu desejo, o desejo para todas as pessoas que têm essa mesma vocação, esse mesmo talento que o nosso querido Gabriel tem. 

E de novo, estou à disposição, o que mais me alegra é poder entrar em contato com colegas, sobretudo os mais jovens, e talvez dividir alguma coisa que possa trazer algo de útil e valioso. 

Obrigado e vamos estar sempre juntos Gabriel. Faço questão de sempre estar apoiando as suas iniciativas. 

Obrigado pela oportunidade.

Gabriel: Obrigado Jair, a gente trabalha bastante aqui na Freelaw para gerar o melhor conteúdo para os colegas advogados que aqui me escutam. 

Fico feliz que você tenha gostado da nossa iniciativa, também agradeço a todos os colegas ouvinte.

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