#20: A carreira acadêmica construindo a advocacia
Construindo a advocacia a partir da carreira acadêmica - c/ Guilherme Leroy Construindo a advocacia a partir da carreira acadêmica - c/ Guilherme Leroy

#20: Construindo a advocacia a partir da carreira acadêmica c/- Guilherme Leroy

42 minutos para ler

Você quer saber como a carreira acadêmica pode auxiliar a advocacia?

Quer saber ais sobre mestrado?

E os pontos positivos e negativos de conciliar a carreira acadêmica com a advocacia?

No episódio # do Laywer to Lawyer, o podcast da Freelaw, Gabriel Magalhães entrevista Guilherme Leroy.

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Guilherme Leroy

É Doutorando e Mestre em Direito Processual Civil pela Universidade Federal de Minas Gerais (2016).

Diretor Científico do Instituto de Direito Processual – IDPro. Professor de Processo Civil no Curso de Direito da Faculdade Milton Campos. Advogado na Leroy & Miranda Advocacia.

Possui graduação em Direito pela Universidade Federal de Minas Gerais (2013).

Principais temas de pesquisa: Processo Civil, Prática Cível, Acesso à Justiça, Métodos Adequados de Solução de Conflitos, Judicialização da Saúde, Educação Jurídica, Advocacia e Tecnologia.

Gabriel Magalhães

É um dos fundadores da Freelaw e o Host do Lawyer to Lawyer. É bacharel em Direito pela Faculdade Milton Campos.  

Possui formação em Coaching Executivo Organizacional, pelo Instituto Opus e Leading Group.    

Formação em Mediação de Conflitos, pelo IMAB, e em Mediação Organizacional, pela Trigon e pelo Instituto Ecossocial. Certificações em Inbound Marketing, Inside Sales e Product Management pelo Hubspot, RD University, Universidade Rock Content, Gama Academy e Tera, respectivamente.      

Escute o episódio em seu player de áudio favorito e leia o resumo do episódio abaixo que conta com todas as referências citadas durante a gravação.  

Gabriel:  Olá advogado, olá advogada! Seja bem vindo a mais um Lawyer to Lawyer da Freelaw. 

Já falei com Guilherme que a pressão está alta para esse episódio, porque ele é uma pessoa que eu admiro bastante. 

Ele foi professor na Faculdade de Direito Milton Campos, ainda é, que eu me graduei lá é uma pessoa que admiro bastante. 

Seja muito bem vindo, Guilherme.

Guilherme: Muito obrigado, Gabriel. É um prazer estar aqui com vocês.

Fico muito feliz de participar de um projeto tão bacana e tão necessário nos dias de hoje. 

Espero contribuir um pouquinho com o pouco que eu sei, que eu possa passar um pouco da minha experiência e enriquecer esse projeto bacana de vocês.

Gabriel: Obrigado, Guilherme. Conta um pouquinho da sua história para a gente.

Escolhas dentro do Direito 

Guilherme: Então, Gabriel, eu acho que todo mundo quando entra no Direito, a gente entra com uma imagem e saí com outra. 

No curso de graduação a gente vivencia diversas experiências e visualiza que o mundo do Direito, principalmente no Brasil, é muito amplo. 

 Então eu entrei muito focado, até por influências familiares, assim, com uma perspectiva mais de atuação em profissões que envolvem concurso público, carreiras jurídicas.

Então pensava muito em ser juiz, pensava muito em ser gestor público, cheguei a estudar para isso. 

Mas acho que os caminhos vão se abrindo para aquilo que a gente gosta, aquilo que a gente corre atrás. 

E quando eu então formei na graduação, eu fiz um TCC, eu me dediquei e teve um resultado bom e várias pessoas próximas de mim me indicaram “ah, por que você não tenta mestrado?”.

E aí eu peguei essa segunda via, sabe, que normalmente, pelo menos quando eu fazia graduação, o mestrado era visto como uma complementação. 

Então, você primeiro ia no seu caminho profissional inicial, seja advocacia, concurso público, consultoria, enfim, jurídica interna, você escolhia o seu caminho e fazia o mestrado como uma complementação posterior. E aí entraria dar aula, como uma segunda etapa.

Eu decidi inverter um pouquinho esses caminhos. Acabou que eu consegui passar no mestrado e fiquei aí me dedicando ao mestrado. 

Os dois anos e meio de mestrado eu fiquei por conta disso, praticamente. 

Eu fui bolsista e isso é muito importante de lembrar e de reconhecer que eu tive esse apoio financeiro para que eu continuasse estudando. 

Depois que eu terminei o mestrado, eu comecei a dar aula e eu fui então retornar para a advocacia, onde já tinha feitos estágios. 

Mas foi, então, academia mesmo que foi minha porta de entrada para o mundo jurídico, assim profissional mesmo. 

Estudei bastante, tirava por conta, fazia muito curso de atualização organizando e lecionando sobre o novo CPC. 

Acho que eu tive esse momento que foi muito rico a meu favor da mudança de um CPC pro outro, que eu pude estudar, já chegar em sala de aula muito atualizado.

Então, no momento em que eu me formo no mestrado, voltei a advogar, advoguei em um escritório que tinha nome aqui em Belo Horizonte e, posteriormente comecei a lecionar em duas faculdades que era Faculdade Estácio e na Faculdade Milton Campos. 

A Faculdade Milton Campos eu continuo até hoje e comecei a desenvolver esses projetos que você disse sobre grupos de estudo que eu acho que é um grande diferencial da faculdade, sabe? 

Eu acho que os alunos aprendem coisas diferentes que vão além da relação aluno-professor em sala de aula, têm a opção de se tornarem um pouco protagonistas do seu próprio aprendizado. 

Porque o grupo de estudo tem uma flexibilidade maior, concede a quem está lá a oportunidade de debater, de questionar, de ir além do que simplesmente professor propõe. 

E depois que estava na Milton Campos, agora mais recentemente, no início do ano passado, decidi encarar um novo desafio, que foi abrir o meu escritório de advocacia, e graças a Deus está correndo muito bem.  

Acho que tem sido uma experiência muito proveitosa e que em pouco tempo, eu tenho aí meus trinta anos de idade, vou completar no mês que vem, então, acho que em pouco tempo, graças a Deus, consegui aí adquirir bastante coisa e ter uma experiência variada que querendo ou não, é um apoio, um suporte para todos esses lados que eu atuo.  

Então, obviamente, o meu conhecimento adquirido para dar aula, ele vai ser aplicado na advocacia e toda a minha experiência com os casos de advocacia sustentam a minha capacidade de ensino, de transferência do que é uma boa prática de advocacia, inclusive de questionar, de se criticar como as coisas são feitas hoje.  

Acho que isso é um diferencial da nossa geração, de ser capaz de ter um pensamento crítico que vai além e consegue realmente reunir muita informação em ver, dentro do panorama ali do que foi coletado, como as pessoas estão atuando, qual seria o melhor caminho. 

Assim, tentei ser breve, acho que falei um pouco demais, mas é isso que se passou aí na minha caminhada até hoje.

Gabriel: Legal, Guilherme. Quando você conta essa história, ela está muito conectado com a área acadêmica também, né? 

Então teve essa questão do mestrado, que você disse que foi bastante relevante para sua vida.

Especialmente também por conta do contexto que estava vivendo de mudança de um CPC para outro. Um momento bacana que você pode realmente ir se atualizando naquilo e depois levar tudo aquilo para a sala de aula. 

A carreira acadêmica e o mestrado

Gabriel: Também utilizar a experiência da sala de aula para levar para o seu escritório conseguir mais clientes. Em alguns episódios anteriores, a gente recebeu aqui o Saulo.

O Saulo, para quem escutou o episódio, ele basicamente ele teve um caminho pouco diferente do seu. 

Ele começou advogando e depois que ele começou a se especializar. 

Como você disse, muitas vezes as pessoas inclusive enxergam o mestrado como complementação. 

O que você acha? 

Você indica o mestrado de cara para alguém ou não? 

Quais são os prós e contras que você viu nesse tipo de decisão? 

Você acha que é melhor o advogado já começar a pegar alguns anos experiência e depois se atualizar ou não? 

Eu sei que não existe resposta certa, né?

 Guilherme:Claro, é isso aí que você falou no final. 

São caminhos, não tem o que é certo e errado ou nem mesmo eu conseguiria dizer um que seja mais frutífero que o outro, sabe? 

Eu acho que envolve muito o momento, envolve a pessoa, envolve o interesse. 

Mas é uma pergunta, Gabriel, que é muito interessante que as pessoas veem que eu escolhi esse caminho, pouco invertido, diferente, e muitos alunos meus me perguntam, quando formam, porque sabem que eu fiz mestrado muito rápido, já estou no doutorado, eu espero concluir nos próximos anos. 

Então essa área acadêmica realmente eu desenvolvi com muito mais rapidez no momento muito mais próximo da minha própria graduação, no momento inicial profissional do que o de costume. 

É interessante porque acho que o caminho é feito exatamente com base naquilo que a pessoa se interessa, no que a pessoa procura. 

Eu olhando para trás, eu sempre tive o interesse no lecionário, eu sempre fui uma pessoa que gostei desse lado crítico, de dedicar novos caminhos, de procurar novas ideias e isso foi uma característica muito minha. 

E aí eu encontrei no mestrado quando entrei. Mas se tem uma coisa que eu acho que eu posso dizer é que a pessoa tem que estar disposta a fazer um mestrado. 

O que era um mestrado? Era fazer pesquisa. 

Vai pegar um tema, estudar, exaurir todos os autores que falam naquilo, ler muito e escrever e repensar todo um caminho de ideias que já foi feito por outras pessoas e você vai vir a contribuir com mais um pedaço desse caminho. 

Chegar ali refletindo e tentando evoluir um pouco mais nessa reflexão sobre aquele tema. 

E isso não é simples. É um trabalho árduo, é um trabalho de meses de escrita, então você vai ficar aí seis meses escrevendo e revendo e lendo a mesma coisa que tratam do mesmo tema. 

E isso traz um peso muito grande quando a gente está tão novo. 

Às vezes eu sentia aqui eu não tinha tanta maturidade prática, então tinha que ler muito sobre isso, eu tinha que questionar muitas as pessoas, eu tinha que procurar outros caminhos para conseguir ter esse pensamento crítico. 

Mas de outro lado eu tinha tempo. Eu acho que a grande vantagem é que a gente tem, quando a gente é novo, é ter tempo para realizar essa pesquisa e dedicação.  

Quando eu me dediquei muito a isso, eu consegui aí uma evolução, uma transformação mesmo, talvez na forma como eu pensava, toda a estrutura do Processo Civil, por exemplo, que é a minha área, e consegui obter bons resultados com isso, que hoje se refletem nas aulas que leciono, na minha advocacia. 

Então um caminho inverso, ele tem esse lado negativo que vai ser um momento inicial de muito esforço e talvez pouco retorno imediato, porque você vai ficar dois anos, dois anos e meio por conta de fazer o mestrado, de estudar. 

Às vezes você vai lecionar, vai conseguir alguma aula, mas pequeno. 

E aí você só vai mesmo ter um retorno mais considerável e palpável quando você vai defender sua dissertação de mestrado. E dali para frente, começar a lecionar, publicar livro, ter outras questões que são afetos nesse caminho. 

Então, se eu puder, assim, resumir, eu acho que a inversão no caminho é muito positiva quando ele termina. 

Mas o meio dele tem que ser unido com uma força de uma ideia de perseverança, sabe, de, continuar e saber que no final você vai receber um retorno por aquilo. 

 Então quem precisa de algo que seja mais dinâmico, de resultados mais imediatos, talvez se sinta um pouco frustrado. 

Eu fico também, mas para que ele se possuem, obviamente, um espírito acadêmico. 

Se você não gosta muito, se você é muito prático: “ah não, eu não gosto de ficar refletindo qual a melhor forma, eu gosto de ver resultados, gosto de ajudar as pessoas, de resolver os problemas, de pegar uma tese e desenvolver ela”, nem sempre o mestrado vai funcionar para você. 

Essa perspectiva, inclusive, é uma reflexão que eu acho que todos advogados, já que a gente está conversando com eles, devem ter. 

Muita gente acha que o mestrado agora se tornou um passo obrigatório na carreira e eu não acho, eu não vejo nessa perspectiva. 

 Claro que o mestrado agrega muito, mas se você tem uma experiência sólida, se você tem advocacia que tenha sido construída com dedicação, com leitura, com estudo, talvez você vai angariar muito mais instrumentos necessários para sua atuação do que um mestrado. 

Claro, existe o network, as pessoas que você conhece, mas a advocacia também proporciona isso de outras formas: comparecer em eventos, enfim, existem outros caminhos. São esses os prós e os contras.

Gabriel: Legal, legal. Bacana a reflexão, realmente não tem certo ou errado, depende muito do que cada pessoa quer. 

Então, com base nos objetivos, se o advogado quer se tornar mais acadêmico, faz mais sentido, se ele é mais prático, faz menos sentido. Mas ainda assim pode ser relevante.  

Mestrado: quando eu devo fazer 

Gabriel: Eu queria entender, Guilherme, quais são os ganhos indiretos, assim, que você tem com toda essa experiência acadêmica? 

Eu tenho certeza que tudo isso aí tem um peso grande no sucesso que seu escritório está tendo.

Guilherme: Eu acho que só de eu já ter um emprego fixo de carteira assinada, já me dá uma tranquilidade financeira para abrir o meu escritório, que é algo que eu sei que é um desafio você abrir o seu escritório e desenvolver uma advocacia que parte muito sozinho, você ou você e seus sócios partir do zero, até criar uma cartela de clientes. 

 Então você ter um apoio com uma segunda profissão, um segundo cargo, não necessariamente seja segundo em importância, mas que tenha um ao lado, é muito interessante para que você se sinta, talvez, pressionado por resultados, porque inicialmente o escritório vai crescer em um ritmo que você não sabe como vai ser. 

Você não tem ali meses suficientes para mensurar o quanto de captação você consegue fazer, quanto de atuação você tem. Então acho que esse lado tem essa contribuição que é interessante que ao mesmo tempo ocupa tempo. 

 Então você toma tempo, e às vezes é tempo valioso no seu escritório, com essas ocupações. 

Então, quando eu me dedico para escrever artigo, quando eu me dedico para ir durante a semana na Competição Brasileira de Processo Civil, quando eu me dedico para grupo de estudos, quando identifico para grupos de prova, tudo isso está tomando um tempo meu, que eu poderia estar dedicando ao escritório, ou mesmo descansando. 

Então tem esses ganhos financeiros, mas tem o ganho de ocupar o tempo. 

 O benefício indireto da questão acadêmica, eu acho que o principal, o primeiro que eu vejo é a sua capacidade de desenvolver ações jurídicas. 

Porque no momento que você tem ali no mestrado tem que explorar todas as questões que estão em volta dele, faz perceber às vezes outros raciocínios, outras perspectivas, faz conversar com pessoas que vão te abrir olhos para outras coisas. 

Então, quando você pega um caso novo e você tem que trabalhar com essa perspectiva, isso te permite desenvolver com mais facilidade. 

Mas isso também, Gabriel, é importante a gente pautar aqui, que é uma perspectiva de um tipo de advocacia que é uma advocacia mais especializada, mais artesanal, em que a pessoa ali realmente pega o caso do cliente se dedica a fundo. 

 Se a gente for trabalhar com advocacia de massa, que também tem seu espaço, talvez não seja tão interessante. 

Pode ser mais interessante você trabalhar com mais objetividade, ir mais direto ao ponto, gastar menos tempo com cada processo individualmente, porque existem muitos iguais, idênticos a serem tratados. 

Não sei se seria interessante esse ganho indireto para a advocacia de massa.

 Gabriel: E entrando um pouquinho na sua advocacia, você tem uma advocacia bem personalizada. 

Me conta um pouquinho como que foi… primeiro, os primeiros desafios do início do escritório, como que vocês foram superando esses desafios, e quais são desafios atuais que vocês vivenciam?

 Guilherme: Olha, é muito interessante esse ano que eu vivi, porque eu acho que eu aprendi muita coisa que eu não sabia sobre a advocacia. 

A primeira coisa que me passava na cabeça era “por que alguém ia me procurar para ser seu advogado?”. 

Eu sei que, às vezes, as pessoas que conheço, familiares, amigos, colegas de trabalho, te conhecem e teriam confiança em você como profissional. 

 Mas eu ficava me questionando o que fariam as pessoas de fora virem procurar os meus serviços. 

Eu vi que isso acontece naturalmente, sabe? As oportunidades estão aí, o mundo vai girando, ao longo do tempo seu nome vai também girando nas pessoas, pessoas vão te procurando e isso vai acontecer. 

Então, se alguém planeja  abrir um escritório, minha dica é para tentar, cair de cara mesmo, porque as oportunidades vão aparecendo. 

Ao longo do tempo, com o próprio trabalho, isso vai se consolidando e você vai criando a cartela de clientes. Claro, vocês já devem ter tratado disso, inclusive, em outros episódios. 

Você tem que ter uma dedicação de captação, tem que ter uma dedicação diária de estudo em que você vai procurar estar em eventos, procurar estar no meio em que é necessário este profissional, mas é um desafio que é superável. 

E hoje, devido a esse perfil de pessoas que estão começando agora e necessitam fazer um produto diferenciado dos escritórios consolidados e obviamente você está começando no novo, está abrindo seu próprio escritório, você não vai competir com escritórios que tem anos que estão no mercado, com escritórios de estrutura muito grande, você não vai conseguir nem manter a sua estrutura administrativa. 

 Hoje em dia nós temos estudos de co-working, tecnologias que te ajudam a gastar menos papel, a não precisar de espaço, meu escritório todo mesmo é digitalizado, não fica juntando papel, facilidade de trabalhar distância. 

Então, às vezes a pessoa ainda não tem condições de ter uma sala, trabalha de casa, começa às vezes com poucos processos até se tornar algo que realmente faça girar o trabalho diário. 

Acho que isso tudo hoje em dia nós temos ferramentas que ajudam muito. 

 Mas o que eu vejo que é o principal nesse momento inicial de transformação de um novo escritório em um escritório que já está no mercado, é a possibilidade de você criar parcerias, porque, hoje em dia, existem muitos profissionais que estão trabalhando assim e obviamente o Direito é muito grande e ninguém consegue atuar em todas as áreas.

 E para você, às vezes vai aparecer um caso que envolva aquilo que você mexe, mas envolve também uma área que não seja muito a sua praia. 

Então vamos dizer o seguinte: “ah, tá pegando um inventário e o inventário tem uma relação com o Direito Ambiental, tem uma fazenda que está lá no inventário, que teve uma multa ambiental”. 

São áreas completamente diferentes e você ter alguém que pode te dar um suporte nisso é muito valioso. 

Você se sente até um pouco mais confortável, um pouco mais seguro de estar atuando ali e até com mais capacidade para resolver o problema como um todo. 

Então, as parcerias têm sido essenciais para que a gente possa construir esse caminho. 

Eu indico aí, para quem nos ouve, realmente pensar nessa perspectiva de se unir com outras pessoas, de atuar em conjunto, fazer captação para outras pessoas, eu acho que é isso que hoje em dia tem movido muito advocacia e tem permitido que você consiga manter aquele seu cliente que tem confiança em você e está precisando resolver uma questão que às vezes não é sua área. 

Então você consegue auxiliar ele trazendo pessoas da sua confiança, e aí você vai criando a sua rede. 

Acho que isso é uma coisa muito valiosa, inclusive a Freelaw tenta ajudar a incrementar toda essa perspectiva.

Gabriel: Legal, Guilherme. A gente acredita demais nessa questão de parceria aqui na Freelaw. 

Eu acho que o Direito é uma questão cada vez mais colaborativa. E quanto mais os pequenos advogados que estão surgindo agora conseguirem colaborar uns com os outros mais clientes, esses pequenos consegue atender. 

E, naturalmente, fica uma coisa mais orgânica para essas pessoas que estão começando.

Agora, você começou a falar de alguns conceitos, de captação de clientes, você também trouxe algumas questões de gestão, inovação e, por outro lado, você, toda a sua especialização é na área acadêmica mesmo, na área jurídica. 

Eu queria saber se você estuda algumas coisas fora do Direito e, se sim, o que você estuda?

Assim, o que você indica para que os advogados estudem?

Guilherme: Olha, quando eu penso em coisas para estudar fora do Direito para a advocacia, a primeira coisa que me passa na cabeça é a gestão. 

Uma coisa que a gente não é treinado mesmo, a gente não recebe nenhuma orientação na faculdade, é sobre gestão. 

Isso é ruim porque o advogado, ele… nem o advogado, o formado em Direito, ele vai ser gestor de alguma coisa. 

Ele vai ser gestor de pessoas, a gente não trabalha sozinho na advocacia quase nunca. 

 Se a gente for na perspectiva do juiz, do Ministério Público, das empresas, aí a gente percebe que é menos ainda, que a atuação em conjunto, que a atuação com a equipe ainda mais importante.  

E não só isso. 

Há também a gestão dos processos, e aí os processos em sentido amplo, não só o processo judicial, mas de todo um andar, de uma negociação, de toda a necessidade de saber identificar pontos fortes, pontos fracos, saber inclusive, já entrando mais advocacia, o valor do seu trabalho, o quanto é importante você saber abordar o cliente adequadamente, o quanto aquilo ele pode ser útil ou não para você.

Então eu procuro estudar bastante sobre gestão, sobre essa possibilidade mesmo de tentar novas ideias, novas estruturas, e acho que dentro da gestão há uma parte que se conecta muito com o Direito que é a relação com as pessoas. 

Entender que as pessoas têm perfis diferentes. 

 Quando eu falo da minha perspectiva de advocacia em que eu trato diretamente diariamente com cliente diariamente, tem muitos clientes, pessoas físicas que acabam atuando, todo mundo de família e sucessões dentro da área. 

É muito interessante que utilizar essas habilidades de relação com pessoas, de saber ouvir, de saber colocar uma fala que vai questionar a pessoa se ela está tomando as decisões corretas, se ela está caminhando para o local certo, isso é muito útil para resolver o conflito. 

Então, seja nessa perspectiva de gerenciar internamente o seu negócio, seja na perspectiva de tentar gerenciar o problema dos outros que a gente puder falar, não foram bem superficial, é isso advogado ajuda a fazer, eu acho que a gestão é um aspecto que eu tento estudar bastante para contribuir. 

 E, além disso, eu me interesso muito por tecnologias, por novos instrumentos, é uma coisa que me acompanha desde que eu era adolescente e que eu gostava de programação de computadores e tudo mais, sempre me chamou muita atenção e me traz muita curiosidade sobre como isso vai atingir o Direito. 

 Eu não acredito que seja uma revolução, eu não acredito que nós vamos ter uma virada de mesa de uma hora para outra, mas acredito sim – e isso aí eu acho que ninguém pode negar – que tecnologia ela vem ajudando, ela vem melhorando nosso trabalho, contribuindo para que a gente possa avançar melhor, então é importante estar por dentro disso. 

 Acho que esse aspecto é necessário, além de ser útil, é necessário que as pessoas estejam atentas às novas ferramentas. 

Porque, no fim das contas, um livro, um processo, estudar um processo civil, fazer uma pesquisa de jurisprudência são ferramentas para aquilo que a gente tá procurando, que é a atuação como advogado.

Dicas e Recomendações

Gabriel: Guilherme, você tem algum livro, algum curso que você já fez e indicaria para os colegas que estão nos escutando sobre temas, sobre gestão, sobre tecnologia, inovação, algo assim?

Guilherme: Olha, tem um livro, agora não vou lembrar o nome dele, porque, na verdade é um livro de dez artigos de Harvard sobre business, sobre gestão, que eu gostei muito. 

É um de capa azul, deve chamar Dez.. alguma coisa para gestão. 

Eu posso pegar depois e disponibilizar para vocês, se vocês quiserem tentar aí, colocar algum link, alguma coisa. 

Mas é um livro de Harvard que reúne dez melhores artigos dos últimos anos deles sobre temas relacionados com a gestão. 

E o interessante, que é uma perspectiva norte americana que me agrada muito, é que eles são muito objetivos ao tratar dos temas, vão direto no ponto que eles estão discutindo e não tem muito papas na língua.

Então você consegue compreender o cerne que o autor está trazendo, com muita facilidade, muita clareza e pode aplicar aquilo a sua realidade. 

Acho que isso é importante de ser lembrado: que nós não temos de ler as coisas e replicar da mesma forma, nós temos que adaptá-la às nossas relações. 

E sobre tecnologia, eu acompanho muito trabalho do DTI aqui da UFMG, que tem um projeto muito bacana e com o professor Leonardo Parentoni e ele tem desenvolvido, inclusive na pós graduação da UFMG, muitos estudos sobre Direito e tecnologia. Então, eu tenho acompanhado muito trabalho deles. 

Acho que é importante mencionar pessoas daqui do Brasil que tenham esse diferencial, que estejam estudando esse tema. 

 E eu acho que quando a gente trata de tecnologia, é importante a gente estar mais atento, talvez, ao mundo das tecnologias aplicadas às outras áreas do que propriamente ao Direito. Porque ao Direito, ela chega até nós. 

Então quando está falando de processo eletrônico, você vai precisar do PJE, você vai precisar de outros sistemas. 

 Quando você vai tratar da questão de novas tecnologias para a redação de peças, isso acaba chegando à gente. 

Eu vejo com mais curiosidade, me salta mais aos olhos, ver como a inteligência artificial, por exemplo, está na área da medicina, como está na área da imagem da educação física, porque eu acho que traz ideias mais criativas para nós, sabe? 

Da mesma forma que a tecnologia vem impactando a nossa profissão, ela está impactando de todos. Então, eu tenho essas curiosidades de olhar para fora, para outras profissões.

Gabriel: Só um adendo aqui, antes de fazer meu comentário, eu encontrei o livro aqui na internet, ele se chama: “Desafios da gestão,  uma introdução às mais influentes ideias da Harvard Business  Review”. 

São dez leituras essenciais, além do desafio da gestão, tem gerenciando pessoa, gerenciando a si mesmo, e é inclusive bem barato, estou vendo aqui na Amazon, é vinte e um reais. 

Eu já escutei outras pessoas recomendando esses livros aqui, é certamente uma boa dica para os colegas que estão nos escutando e sobre isso.

Guilherme: Gabriel, só interrompendo, desculpe, é uma coleção que é muito interessante. Tem várias coleções de dez artigos, então tem sobre gestão, tem sobre outras áreas que agora eu não vou lembrar de cabeça. 

Então pode ser interessante pesquisar essa coleção como um todo. Porque às vezes vai ter outra área que agrade também outras pessoas.

Gabriel: Eu vi que tem outros livros aqui: tem “Inteligência Emocional”, “Para novos Gerentes”, “Gerenciando a si mesmo”, e é de Harvard, né? 

Então, com certeza, vale a pena conferir. E isso que você trouxe, Guilherme, de a gente estar sempre atento às outras áreas, eu acredito muito nisso e eu sempre gosto de fazer uma analogia como se fosse com os Estados Unidos. 

 As pessoas dizem que o Brasil está atrasado, em comparação com os Estados Unidos, com a Europa. 

Então, é como se a gente tivesse, se a gente ver como a tecnologia está nos Estados Unidos, hoje, provavelmente daqui a dois anos vai ser aqui e é algo mais ou menos assim mesmo. 

Eles estão mais avançados, têm carro elétrico, têm várias outras coisas, depois as tecnologias surgem aqui. Da mesma forma eu acho que o Direito está atrasado para outros mercados. 

Então, a gente vê o que está acontecendo com a Uber, que surgiu a muitos anos atrás, provavelmente algo vai surgir parecido com isso no Direito, ou tende a surgir, da mesma forma que o Google já está no mercado há muito tempo. 

Provavelmente daqui a pouco vai ter algo que organiza bem as informações no mundo jurídico, que é o que o Brasil faz e outros países estão fazendo. 

Eu acredito muito nisso também de a gente se espelhar em outros mercados e eventualmente combinar ideias que já existem lá e trazer para o Direito.

 Guilherme: Não, é exatamente isso. Eu acho que o Direito, por natureza, é uma ciência que vem depois do objeto dela. 

Então, os fatos que ocorrem na vida cotidiana, eles são reguladas posteriormente. Igual você deu o exemplo do Uber, como que a gente ia saber se deveria ou não permitir a regulação desse tipo de aplicativo no Brasil, se ele não existia antes? 

O Direito, naturalmente, ele vem aí atrasado mesmo com as questões do mundo. 

 E isso não deixa de ser diferente quando se trata de tecnologia, é uma área que tem se utilizado de uma estrutura secular de tratamento de conflito, de forma de comunicação. 

É muito engraçado a gente pegar petições – daqui do Brasil mesmo, na década de trinta, vinte do século passado – e a gente vê que a estrutura da petição é a mesma. 

 Então, nós tivemos uma revolução gigantesca em comunicação, em formas de escrita, em facilidade de compreensão de informações, mas nós continuamos no Direito nos comunicando da mesma forma. 

 Olhar para fora interessante por conta disso. Claro que ninguém defende que a gente comece a fazer petições com coisas exageradas, próprias, por exemplo, da área de marketing, com muitas cores, muitos adjetivos, não é isso. 

Mas talvez a gente possa visualizar, dentro das técnicas que eles possuem, estilos que facilitam o nosso serviço. 

Então, quando a gente parte numa petição a colocar tabelas, a fazer linhas do tempo, a desenhar estruturas, organogramas, isso, como você mesmo disse, organiza ideias e objetiva a informação que você quer passar.

Então, para dar um exemplo disso que a gente está comentando, eu acho que tem essa grande facilidade. Olhar para outros profissionais mostram técnicas, instrumentos que eles utilizam e que a gente pode aproveitar, às vezes, numa facilidade muito maior que a gente faria.

Gabriel: Quando você está falando disso, eu estou lembrando de um artigo que a gente publicou no blog da Freelaw, que é sobre Legal Design e o título do artigo, salvo engano, é: “Por que toda a petição deve ser em Word?

E a gente traz alguns quês que já existem no Brasil e também fora, de alguns usos mais inovadores em petições. 

 Então tem um caso em que uma notícia que foi divulgada ou no Migalhas ou no Conjur, que um advogado, colocou um QR-code para um juiz conseguir ver um vídeo de uma forma fácil e a liminar foi definida. Então, algumas questões assim são bem acessíveis e é possível de estar usando, basta pensar um pouco diferente. 

Dificuldades atuais de um escritório de Advocacia

Gabriel: Guilherme, para a gente fechar, quais os maiores problemas que o seu escritório tem hoje? Como que você está pensando na evolução do escritório? 

Quais são seus planos futuros? E como você está buscando utilizar a tecnologia e inovação? Está buscando ou não? E por quê?

Guilherme: É até interessante, a gente começa a conversar e as coisas vão se unindo. 

E eu acho que se tem uma coisa que eu tenho procurado fazer é buscado nessas tecnologias, novas ideias, formas de organização, de gestão interna sejam mais efetivas, sabe Gabriel? 

 Eu acho que quando a gente tem um escritório que está começando, menor como o meu, as coisas ainda são muito personalizadas, então se concentram muito em mim, no meu sócio e nos nossos advogados, porque nós somos poucas pessoas. 

E aí, quando a gente vai crescendo e vai conseguindo mais coisas, eventualmente nós temos que definir atuações específicas ou tarefas específicas para uma para outro, dentro da estrutura. 

Porque nós não vamos dar conta mais de trazer, para nós, grande parte desse serviço. Eu vou precisar entender ou delimitar exatamente o que eu vou fazer e o que a outra pessoa fazer. 

E aí, talvez a tecnologia ajuda muito nisso, sabe, de manter uma estrutura de gestão, de pessoas, processos. 

Nós temos aí uma organização de material, uma organização de ideias, uma possibilidade de contato diário e simples, que é muito mais amplo que existia depois. 

 Então, você não tem mais barreiras físicas que te impeçam de trabalhar. 

Pode ter alguém, por exemplo, como vocês mesmos já fazem na Freelaw, você pode pegar alguém que te apoia em outro estado, em outro país e são perspectivas interessantes. 

 E acho que o grande desafio que a gente tem passado agora é, realmente, definir esses espaços, porque acho que nós tivemos um ano aí, um ano e meio já de escritório, que tem sido muito proveitoso, muito frutífero. 

Têm aparecido novas oportunidades, novos caminhos e precisamos agora, para manter a qualidade – que eu acho que é algo que o que eu procuro manter sempre em número um, prefiro pegar menos coisas e fazer com mais qualidade, porque eu sei que, no futuro, o retorno vai ser melhor – é pensar, então, mantendo esse padrão, qual a estrutura que eu preciso. 

Seja ela uma estrutura física, na qual falei com você, talvez não seja tão necessária mais, uma estrutura de pessoas, e aqui eu acho que está uma das chaves que é se envolver com parcerias ou mesmo fazer contratações de pessoas com perfis complementares. 

 Isso eu tenho achado até curioso, porque eu me peguei nas últimas seleções que eu fiz procurando pessoas com perfis parecidos com o meu, depois eu percebi que talvez isso não seja o melhor para o escritório, para o negócio em si. 

Talvez o melhor procurar perfis complementares ao meu.

 Porque aquilo que eu sou bom eu já faço, eu preciso basicamente de alguém que consiga preencher uma área que não é muito a minha praia. 

Então, selecionar pessoas que estão com você, que se dedicam ao negócio, que estão dispostos a fazer algo de qualidade, eu acho que é um grande desafio. Porque cada um tem sua história, cada um tem seu pensamento de vida e para alinhar tudo isso é muito complicado. 

 Então, até pelas perspectivas que já tive em outros escritórios, a rotatividade é normal, as pessoas vão mudar de local, vão mudar de emprego, vão querer mudar de profissão, às vezes não vão estar felizes onde estão. E você gerenciar essa mudança não é simples. 

 O que eu enxergo muito é que cada vez mais, é necessário a sensação de protagonismo. Eu não acredito muito que o protagonismo, ele seja individual, eu acredito que cada um tem que ter o seu espaço de atuação e crescimento. 

 Então mesmo num escritório pequeno como meu, eu já penso em um plano de carreira, já conversou com a pessoa quando ela entra, já estabeleço para ele uma visão de futuro. 

Porque senão ele vai entrar no escritório, ficar um tempo, vai aprender tudo aquilo ali e talvez vai se sentir estagnado e subutilizado e vai procurar fora, obviamente, lugares para ele se desenvolver melhor. 

 Então, esse protagonismo no sentido de fazer parte do negócio, de crescer junto, de ver possibilidades de chegar mais longe, eu acho que é essencial nessa gestão de pessoas e acho que o problema final, que todos os escritórios têm, é a questão do tratamento com o Poder Judiciário em si. 

Nós temos uma dificuldade de trabalho devido à morosidade, o resultado não é tão bom, às vezes, devido a problemas do próprio Poder Judiciário. 

E aí já não é tão culpa mais o nosso lado da advocacia. Talvez nem seja culpa também dos funcionários da Justiça, mas de um sistema que precisa, em alguns pontos, ser revisto. Ser dadas as prioridades, então puxando um pouco para o meu lado em Processo Civil, o processo de execução hoje deveria ser o principal foco de agilidade e efetividade. 

 Enquanto a gente tem aí tecnologias que fazem transferência de dinheiro em um clique no seu celular, o Poder Judiciário demora um ano, dois anos, fazer um bloqueio em contas de pessoas. Uma inefetividade de penhora, de garantia, que reflete diretamente na situação do nosso país. 

 Eu acredito que muito da desconfiança que as pessoas têm no país, muito da dificuldade dos negócios, da necessidade de uma burocracia que existe no Brasil, se dá a falhas do próprio cumprimento da lei mesmo. 

 Eu acho que rever isso e saber lidar com isso de formas criativas, de formas inovadoras, de estar em ambientes de debate e incentivar essas mudanças é essencial para que a própria profissão da advocacia consiga manter seu espaço. 

Se a gente não conseguir mudar  essas perspectivas, nós vamos ter muita dificuldade de trabalho aí pela frente.

 Gabriel: E fica o convite para que eles ouvintes que estão aí no serviço público, ou que tem contato com pessoas diretamente que estão inovando nessa área, ou buscando inovar, que busquem solucionar essas oportunidades. 

Cada problema que o Judiciário tem pode ser uma grande oportunidade. 

 Hoje mesmo a gente divulgou, hoje no dia da gravação desse episódio, a gente divulgou na nossa newsletter, uma inovação no Tribunal de Justiça da Bahia, que lançou um aplicativo, então aos poucos, o próprio Poder Judiciário está buscando inovar. 

E, por que não, trazer algumas inovações que já acontecem em outros… em bancos, nos bancos digitais, etc, para o processo de execução judicial? 

 Pode ser bastante interessante, já tem aí voltada para o público final, para o consumidor final, soluções voltadas para precatório, até o pessoal do Meu Precatório, da Mercatório e eles já são bem sucedidos nisso e, por que não, a gente fazer a inovação de dentro. Acho que isso fica uma reflexão bem bacana.

 Guilherme: Inclusive, Gabriel, nos meus estudos sobre direito e inovação, orientei um TCC na graduação e que ele pesquisou exatamente isso: como é gritante a diferença da inovação no setor privado para o setor público, dentro do Direito. 

Era questão assim, de duzentas vezes menor o número de startups no Direito que são da área pública, em comparação aos da área privada. 

 Então, é muito importante fazer esse chamado mesmo que é essencial que saia de dentro do próprio Poder Judiciário essas criatividades, essas tecnologias, essas inovações, que melhorem o trabalho de todos os envolvidos. 

Eu acho que não temos que olhar só para a advocacia, isso vai melhorar o Direito como todo, o cenário jurídico como completo.

 Gabriel: E sendo justo, é importante destacar que já existem agora as iniciativas, então, tem hackathon que está acontecendo em alguns tribunais, etc. Só que realmente é mais difícil inovar no setor público. 

Então eu, como empreendedor mesmo, poderia fazer parte dessa pesquisa do TCC, certamente. E a gente não investiu no setor público, porque a gente sabe que é mais difícil, porque vai ter mais burocracia, então a gestão ia ser mais complicada. 

 Então, é complicado assim no papel do empreendedor, você tentar criar algo para vender para o Judiciário. É mais fácil você vender pro particular, porque senão você fica na mão de pessoas que não sabe se vão te escutar ou não. 

 E a gente conversou aqui hoje, o Guilherme trouxe e desde a vida acadêmica dele, fez um TCC que foi muito bem avaliado e, a partir disso, acabou emendando no mestrado, um caminho ali que inicialmente não pensava naquilo, mas surgiu uma ótima oportunidade, conseguiu uma bolsa na UFMG. 

Em seguida ele começou a dar aula, aproveitou bastante que teve uma mudança de um CPC para outro, se atualizou bastante e com isso foi construindo advocacia dele. 

 Muito bacana a história, Guilherme. 

Eu queria muito agradecer, em nome de toda a equipe da Freelaw, pela sua disponibilidade de estar conversando aqui com a gente. 

Muitas dicas valiosas, desde gestão de inovação, a tecnologia, a toda essa área acadêmica, que às vezes parecem que são caminhos distintos, mas podem, no fundo ser complementares. 

 Então, para aqueles que estudam só inovação e tecnologia, talvez faz sentido repensar, estudar algo jurídico mesmo, ir para a área acadêmica. 

Para aqueles que são só acadêmicos também, às vezes faz sentido buscar outras questões e lá na biblioteca de Harvard e ver o que tem de melhor sobre gestão.

 Você tem alguma dica final, Guilherme?

Considerações Finais

Guilherme: Olha Gabriel, acho que a dica final é continuar se dedicando e continuar se esforçando. Eu acho que eu acredito muito que o trabalho, ele é recompensado nisso. 

Nós vivemos num mundo em que as pessoas talvez sejam imediatistas demais, com muita ansiedade. E o trabalho no Direito é um trabalho de médio a longo prazo. 

 O estabelecimento de carreira, eu acho que a gente pode dizer com muita certeza, de que existe uma carreira a ser percorrida. 

Então a minha dica para todo mundo é isso: é sempre lembrar que o pouquinho que você está fazendo hoje vai virar algo sólido no dia de amanhã, com todas essas perspectivas, com essas lutas de trazer coisas diferentes, de enfrentar as dificuldades novas e velhas, de inovar e fazer diferente, fazer melhor, talvez, e procurar sempre se ater ao objetivo do seu trabalho. 

 Cada um tem um foco profissional, mas se você mantiver essa dedicação, esse esforço, com certeza algum fruto positivo você vai colher em médio ou longo prazo.

 E queria também agradecer, então, a oportunidade. É um prazer falar com vocês. Espero que eu tenha acrescentado e ajudado quem está ouvindo a gente e fico muito feliz de colaborar com esse trabalho de vocês na Freelaw. 

Você, a Júlia, o pessoal aí, eu tenho muito carinho por vocês, desde as primeiras vezes que eu conversei com vocês, vi que vocês queriam algo diferente, que vocês querem, realmente, contribuir para um cenário que a gente tem discutido aqui em todo esse podcast, que precisa de melhorias, que precisa de oxigenação. 

 E acho que o trabalho que vocês fazem na Freelaw tem muito a ver com isso e, com certeza, nesse médio a longo prazo,  também vocês vão ver algo sólido se formando e com muita gente que vai ser agradecida a vocês por contribuírem, por unirem mundos muito diferentes. 

 Eu tenho certeza que a minha realidade é a realidade de muito poucos, porque o que se passa em cada escritório, o que se passa em cada aluno de graduação, o que passa em cada advogado com cinco, dez, quinze, cinquenta anos de experiência, é muito diferente e é muito enriquecedor, também, poder então fazer esse tipo de iniciativa que vocês têm de trazer o bom de cada um, para que a gente possa crescer juntos.

 Gabriel: Muito obrigado pelas palavras, Guilherme. 

E você falando agora aqui no final, eu fiquei lembrando que a gente fala do seu TCC, mas eu não disse do meu, né? 

E você estava na banca do meu TCC, como avaliador, não sei se você lembra. 

E o meu TCC foi em gestão de conflitos para startups, e acabou que do TCC, acabou que já tinha essa vontade de empreender e depois acabou surgindo a oportunidade e da mesma forma, o seu TCC te levou para outro caminho. 

 Eu acho que isso diz muito sobre a nossa conversa. 

Cada pessoa tem um caminho, então tem gente que está nos escutando que eventualmente pode se tornar um empreendedor, alguns podem seguir a área acadêmica, outros vão seguir a prática da advocacia. 

E quem disser que um é certo o outro é errado é a pessoa que está errada, porque na verdade, nunca vai existir um caminho certo ou errado. 

 E hoje estou muito feliz que estamos encerrando essa primeira temporada com vinte episódios. E são entrevistas que vão estar registradas aí para sempre, com várias opiniões diferentes. 

Então os ouvintes mais assíduos não vão nos deixar negar. A gente teve desde pessoas completamente contra, às vezes, o sistema formal de ensino. 

Há outras que seguiram um sistema formal de ensino e conseguiram ser bem sucedidos naquilo. Outros que seguiram mais advocacia prática. Outros que foram morar em um sítio e advogar de lá. Eu acho que isso que é muito rico nessa primeira temporada.

 A gente não esperava que a gente ia chegar com vinte episódios. 

E a gente está muito feliz e já preparamos a segunda temporada, que tenho certeza que todos vocês vão gostar bastante e muito feliz de estar com você aqui, né Guilherme, encerrando a primeira temporada. Como eu disse lá no início foi com grande estilo.

 Guilherme: A honra é toda minha e estou aí ansioso, como ouvinte de vocês também, para a próxima temporada. Que venham mais advogados surpreendentes, que moram em sítios, quem sabe você não me incentiva, daqui a um tempo, a morar num sítio também? 

Acho que a gente pega ideias é disso.

 Gabriel: Sim, muito obrigado! 

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